quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Interdito ou o caminho de libertação para a prática da essência humana vital




Certamente a maioria da humanidade está numa situação, a da dependência do trabalho, na qual está submissa à prática mundana e dos afeitos ao poder sobre as fontes da vida. Esta maioria da humanidade não faz o quer e faz sim aquilo que o emprego ou uso de sua energia humana de trabalho quer que ela faça. No entanto, mesmo assim, a maioria da humanidade continua com o poder de recusar o uso ou o emprego de sua energia humana de trabalho de todo e qualquer jeito e seja no que for e como bem entender a prática mundana dos afeitos ao poder sobre as fontes da vida. É este poder mínimo de recusa do uso ou emprego de sua força humana de trabalho que constitui a liberdade da força humana de trabalho, quer dizer, que constitui a propriedade que a maioria da humanidade possui de sua própria força humana de trabalho.


E este poder mínimo aumenta cada vez que a maioria da humanidade recusa as condições insalubres de trabalho, recusa a indignidade e desumanidade do trabalho escravo, recusa o excesso de horas de trabalho, recusa as condições inseguras que arriscam a vida da força humana de trabalho, recusa a ausência de tempo livre para recuperar a energia da força humana de trabalho, recusa a ausência de tempo livre para aperfeiçoamento da força humana de trabalho, recusa trabalhar em meios de produção avariados e arriscados por serem ultrapassados, recusa ser usada como força política que beneficia a prática mundana dos afeitos ao poder sobre as fontes da vida que tudo corrompem, recusa ser usada como força política dependente etc.


Este poder mínimo de recusa aumenta cada vez mais ao ser exercido nas mais diversificadas situações mas permanece sendo um poder de recusa e não propriamente um poder de afirmação da força humana de trabalho, porém, ele caminha junto e procurando favorecer o momento que a maioria da humanidade poderá vir a dizer sim ou a afirmar a essência de sua força humana de trabalho, quer dizer, não mais o uso ou emprego de sua força humana de trabalho pela prática mundana dos afeitos ao poder sobre as fontes da vida e sim o uso, emprego ou fruição de sua força humana de trabalho pela prática essencial do próprio poder vital como fonte da vida e inseparável das demais fontes da vida.


É por meio do exercício da interdição da prática mundana dos afeitos ao poder sobre as fontes da vida que a maioria da humanidade conduz sua força humana de trabalho ao encontro e à libertação da prática essencial da sua vitalidade inseparável das fontes da vida.


quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Interdito ou a consciência da liberdade




Qual a situação na qual me encontro e na qual adentro sempre mais e mais por não encontrar alternativa? É a situação de interdito e para a qual não encontro nenhuma outra resposta para a pergunta: Que fazer?


Ora, se é sempre e cada vez mais interdito a condição na qual me encontro, então a resposta para a pergunta "Que Fazer?" seria sempre e cada vez mais libertação para sair da condição na qual me encontro, certo?!


Não! Não existe nada certo no caso porque a interdição crescente só ocorre na medida que procuro preservar a liberdade, na medida que procuro me libertar da quase totalitária manipulação que é feita da minha liberdade, quer dizer, da quase total negação da minha liberdade que é feita em nome da minha liberdade. Quem está me interditando? Aqueles que me querem livre para fazer o que eles querem que eu faça ou eu que me impeço de ser livre para fazer aquilo que eles querem que eu faça?!


A minha interdição tem dois aspectos. Num deles eu posso me sentir livre para fazer tudo que o mundo e os afeitos ao poder querem que eu faça e aí este aspecto se apresenta para mim como sendo a liberdade da prática ou de tudo aquilo que é e pode ser aceito como livre prática, mas ainda nesse aspecto eu permaneço interdito e não disponho de liberdade nem de poder para fazer sequer o mais mínimo do que eu quero. No outro aspecto, eu posso perceber a minha mais mínima liberdade como a recusa a fazer o que o mundo e os afeitos ao poder querem que eu faça e aí eu posso também sentir que disponho da liberdade de recusar tudo aquilo que pode ser e é aceito como livre prática, como liberdade da prática para fazer o que o mundo e os afeitos ao poder querem que eu faça, logo, a única e mínima liberdade da qual realmente desfruto é liberdade de interditar o mundo e os afeitos ao poder e de respeitar a minha interdição de não dispor de liberdade nem de poder para fazer o que eu quero, ainda que disponha da liberdade de recusar-me a fazer o querem que eu faça.


A liberdade para a qual eu posso dizer sim é a liberdade de ser farsante, de ser mundano, de ser conforme com a prática mundana e de poder. E a recusa dessa liberdade de dizer sim é a pequena liberdade de dizer não e, assim, me manter autêntico, de me manter eu mesmo, conforme com a prática de ser eu mesmo e de poder recusar o que não está de acordo comigo mesmo, ainda que não seja a liberdade de fazer o que eu quero, quer dizer, ainda que não seja a saída da interdição ou da condição que me impede de fazer o que eu quero, melhor, de ser livre.


Ao optar pela liberdade da farsa eu opto por ser apenas aparência e pelo esquecimento da minha essência interdita. Ao optar pela liberdade da autenticidade eu opto por ser a aparência da interdição e por lembrar da vivência da interdição da minha essência.


No primeiro caso, com a aventura da farsa eu esqueço que permaneço prisioneiro e de que só sou sujeito no sentido de assujeitado ao que quer o mundo e os afeitos ao poder, quer dizer, só sou sujeito assujeitado ao outro. No segundo caso, com a desventura da autenticidade eu lembro que permaneço prisioneiro e que mesmo assim consigo ser sujeito no sentido de não me assujeitar ao que quer o mundo e os afeitos ao poder, quer dizer, consigo ser sujeito assujeitado a mim mesmo.


No primeiro caso, filosoficamente, está em ação a tendência da filosofia mundana ou positiva, quer dizer, aquela que adota o ponto de vista do momento de realidade, melhor, do mundo e dos afeitos ao poder. No segundo caso, filosoficamente, está em atividade a tendência da filosofia conceitual ou negativa, quer dizer, aquela que adota o ponto de vista do momento da crítica, melhor, da essência e do seu poder de recusar a aparência.


A resposta ao "Que Fazer?", no primeiro caso, é se lançar na aventura da prática de conformação ao mundo e aos afeitos ao poder. Já no segundo caso, a resposta ao "Que fazer?" é se manter na desventura da prática da crítica ao mundo e aos afeitos ao poder,melhor, é se manter na prática da resistência e da sinalização de vida da essência.


Se conformar com esquecer a interdição da essência e não se conformar e resistir com a lembrança, melhor, com a consciência da interdição da essência. Se apresentar como a consciência da liberdade da prática mundana versus se apresentar como a consciência da interdição da prática essencial.


Em torno de que gira todo este texto? Todo este problema deste texto? Toda a problematização deste texto? Gira em torno do seguinte: A prática e a crítica oriundas diretamente da essência estão interditadas, mas restam a prática e a crítica oriundas diretamente da consciência da interdição da essência. Noutras palavras, o texto trata das armas da crítica porque ao recusar a prática mundana cria o espaço da consciência, do conceito e não trata da crítica das armas porque esta é oriunda da essência que se liberta da interdição, logo, de algo a que a consciência da condição atual ainda não chegou e que considera que a essência também ainda não chegou dado o seu grau de interdição.


Assumir a consciência da interdição da essência é o "Que Fazer" que se apresenta na atualidade e que pode vir ou não vir a conquistar a libertação da interdição da essência, mas é só passando pela atualidade como consciência da interdição da essência que, talvez, se chegue ao vislumbre da libertação da essência. Portanto, o "Que Fazer" que eu assumo é o da consciência da interdição da essência, é o da consciência do problema, é o assumir conscientemente o problema da interdição da essência para que com ciência possa buscar a solução que, certamente, é a libertação da essência.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Sair: A opção pela denúncia, pelo levantamento do problema.


Eu acredito que para muitos parecerei ridículo e pretensioso, mas, infelizmente, para eles e mesmo para mim, eu acredito que esta é a melhor alternativa. Acredito que em todos os movimentos atuais, revoluções coloridas, dos acampados de Wall Street, dos indignados da Espanha, das primaveras árabes, da oposição na Venezuela, das jornadas de junho no Brasil as redes sociais aparecem em destaque como viabilizadoras de novas formas organizativas, mas também que aquilo que não aparece é precisamente estas coisas que não são feitas diretamente pelas pessoas que se encontram nas redes e sim pelos interesses do Facebook e dos grupos que se organizam na rede do Facebook, ou seja, existe sim uma direção vertical e não-horizontal no interior desse novo fenômeno de mídia que parece ser bem mais manipuladora do que as antigas direções de vanguarda porque, ao contrário daquelas que tinham seus próprios meios de expressão (jornais, revistas, livros) dos quais eram diretamente responsáveis pelos direitos autorais, as atuais se apoderam diretamente dos direitos autorais dos usuários ou enquadram os usuários em determinados perfis de modo que assim classificados eles participam da rede dentro dos limites a eles (pré) destinados. Ou seja, os usuários são classificados, segmentados e possuem um alcance e influência (pré) determinados de modo que a resultante de seus movimentos é controlada ou é expressa sempre como movimento civil da opinião pública ou social, melhor, é sempre na condição de coro (para usarmos um termo da tragédia e do teatro) para as ações decisivas dos protagonistas, ainda que em certas ocasiões os protagonistas estejam já ali junto com o coro (oposição na Ucrânia e na Venezuela, em geral, as oposições nas chamadas revoluções coloridas; a Irmandade Muçulmana esteve meio à margem do coro da primavera do Egito, aliás, nesta os militares nunca saíram do poder e apenas puderam reprimir a Irmandade Muçulmana numa escala maior do que anteriormente). Acredito que toda esta pretensa liberdade da internet é a instituição da mais extensa e intensa sociedade de vigilância e que é baseada não na mera repressão e sim no incentivo ao nosso exercício ativo, ao uso de nossa força de trabalho, baseada na promoção do nosso poder mas dentro dum ambiente que é efetivamente o do Big Brother, efetivamente o da vigilância que lucra com as atividades e os exercícios de poder dos próprios vigiados porque são tais atividades e exercícios de poder que produzem mais-valia para a vigilância do Big Brother.




Carlos Eduardo - Estou desativando o meu Facebook por sua causa e de outros. A explicação está na última postagem do meu blog. Eu nunca solicitei sua amizade e não me recordo de você.

Paula Máiran - Eu também não sei quem é vc e não me recordo de ter pedido que me adicionasse. Não entendi que mal causei, mas certamente não houve intenção. Não entendi nada.

Carlos Eduardo - Tudo bem, mas o mal é o seguinte: Quem é o sujeito da sua história? Quem é o sujeito da minha história? Quem são os sujeitos nas nossas histórias? A Tânia que aparecia como sua amiga me disse que não a conhecia. Porque ter pessoas desconhecidas presentes no nosso Facebook? E como se fossem conhecidas? Isso é um Big Brother? Não me refiro apenas ao atual mas ao antigo e original Big Brother

Paula Máiran - Eu vi agora que conheço alguns dos seus amigos. Como o Fernando e a Fátima. Não me lembro do porquê de ter te adicionado, mas raramente posso adicionar pessoas mesmo sem conhecer se curto o conteúdo, se vejo afinidade nos ideais.

Paula Máiran - Se isso incomoda a você é só bloquear.

Carlos Eduardo - Isso não aconteceu só com você. No passado eu fiz o bloqueio de 3. Mas é algo pior, eu vi que o Facebook registrou eu solicitando sua amizade. Ora nunca poderia imaginar o seu nome e muito menos solicitar amizade sem conhecê-la. Então é o Facebook ou alguém nele que está querendo dirigir minha vida, meus contatos etc. Muito tempo atrás eu descobri que tinha um perfil público que eu não tinha criado, logo, estava sendo tachado e etiquetado por alguém com aquele perfil. Isso me incomoda e muito mesmo. Eu vou sim desativar minha conta no Facebook, mas foi bom ter falado contigo.

Paula Máiran - Tudo bem. Isso é grave se o face convida em nosso nome sem autorização. Enfim, tudo de bom pra você.

Razões para desativar exigidas obrigatoriamente pelo Facebook ou explicação sine quae non do Facebook para desativar:

Desativo porque o Facebook faz coisas que atribui a mim. Faz o meu perfil, introduz desconhecidos e registra como convidados por mim, faz uma postagem de fim de ano com minha foto e que quando quero saber o que é nada mostra, exceto um escurecimento da tela. Enfim, porque o Facebook quer ser minha subjetividade, quer agir no meu lugar, me enquadrar num lugar, quer fazer a minha história, quer me usar e não ser um serviço que eu use, quer inverter a relação e com isso me nega como sujeito. Essa é a explicação.





quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Sair ou não sair, eis a questão



Vou sair do Facebook porque ele faz coisas que eu não faço e as atribui a mim. Pessoas que eu não conheço diretamente entraram para minha lista de amigos sem meu convite e sem que eu as conheça. Outras pessoas que eu conheço parece que as conhecem mas eu não sei, já que perguntei a uma amiga se conhecia Paula Mairán e ela disse que não e, no entanto, o Facebook as coloca juntas como amigas que entraram juntas e, mais ainda, registra que eu solicitei a amizade de Paula Mairán. Ora, eu não a conheço e nunca poderia ter solicitado sua amizade e nem mesmo imaginado esse seu nome - Paula Mairán -. Outra pessoa, melhor, nome que aparece como conhecido de pessoas que eu conheci ou conheço é o de Helbson D'Ávila e este eu cheguei a fazer comentários de texto que ele postou duma tal de Cristiane Rubão e ainda a respeito do link que ele forneceu para o decreto da Dilma dos Conselhos Populares e, depois disso, como quê vencido pelo "costume" (?) - teria isso alguma relação com o direito consuetudinário? - eu o admiti numa lista de "melhores amigos".


Hoje, deve passar um pouco duns 30 minutos atrás, eu entrei no Facebook e vi uma foto minha no centro duma postagem a respeito do meu ano. Fiquei curioso para saber o que era aquilo, talvez uma novidade do Facebook, e cliquei em cima, nada aconteceu, exceto que após algum tempo a tela escureceu um pouco. Procurei saber como me livrava daquilo e achei um lugar que clicando a excluía, cliquei e apareceu uma telinha com perguntas do Facebook querendo entender porque eu queria excluir e escolhi uma das alternativas da telinha e apareceu outra na qual novamente escolhi uma das opções e aí apareceu outra e depois de "pesquisar" um pouco nesta última desisti e voltei e não mais encontrei a tal postagem.


De repente percebi algo que me chamou a atenção: Vi uma lista com 16 entrei nela e só tinham 4, vi outra que anunciava ser composta de 24 entrei e contei e recontei 22. Comecei a pensar que eu não sei como corrigir estas coisas e nem o Facebook facilita para que eu consiga corrigí-las, pelo contrário ele registra - pretensa solicitação de amizade com Paula Mairán - que eu fiz coisas que eu tenho absoluta certeza de não ter feito. Lá atrás eu lembro que certa vez eu vi que ele apresentava um perfil da minha conta - de como ela era vista pelos outros - que eu nunca e digo nunca no sentido de em momento algum desenvolvi como apresentação do perfil desta minha conta do Facebook. Aí eu alterei.


Mas, por tudo isso, hoje eu estou pensando diferente. Essa minha atitude de não ligar para a aparência para o exterior é um defeito que já carrego faz muito tempo e que não vem me proporcionando nenhum benefício, mas, ao contrário, me traz malefícios. A atitude de deixar que "os cães ladrem enquanto a caravana passa" pode ser muito bem intencionada mas sofre com a falta de atenção para com a aparência expressa como sabedoria por uma mulher da Roma antiga: "Não basta ser honesto, é preciso parecer honesto". Noutras palavras, é muito importante representar a si mesmo e defender a sua comunicação para o mundo e não aquelas comunicações do mundo que negam a sua comunicação, ou seja, a aparência não é apenas algo inessencial e com o qual não é preciso se ocupar porque a essência também precisa aparecer com uma aparência e esta precisa ser o mais possível a aparência da essência, caso contrário, pode ocorrer o descarte do essencial meramente por estar confundido com a aparência do inessencial. Ora, isto se constitui num sofrimento para quem sofre o descarte.


Essa minha atitude é muito similar a de quem se torna vítima ou fica na condição de vítima ou de objeto de bullying, quer dizer, precisamente da violência que só se ocupa com a aparência para o exterior. Ora, eu não sei mais qual é a minha aparência para o exterior, mas eu objeto ou vítima da aparência que atribuem a mim, aparecendo como amigo de quem não sou, mesmo que se conhecendo pudesse vir a ser, porque tudo isso caminha no sentido da interdição da minha essência, da minha subjetividade, já que ela se torna a "essência", a "subjetividade" que atribuem a mim e não aquela que efetivamente expressa a mim, ou seja, já que desse modo me alienam de mim mesmo ou me tornam um alienado e com o meu próprio consentimento se permaneço aceitando essas estranhezas como algo normal.


Vou postar um link para isso aqui no Facebook e aguardar um pouco se vem alguma ajuda de algum leitor e avaliar em seguida a questão: Sair ou não sair do Facebook?

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Quem viver, verá?!




O problema todo da atualidade pode ser resumido numa oposição antagônica entre o Estado de Direito ou a Democracia nascida da emancipação política do Ancien Régime versus o Estado Absolutista ou a Ditadura mantida pela repressão política do Ancien Régime.


A direita capitalista passou a adotar o Estado de Direito e a Democracia e a rejeitar o Estado Absolutista e a Ditadura, mesmo que no passado recente tivesse apoiado as Ditaduras em nome da Segurança Nacional, ou seja, como Regimes de Exceção frente à ameaça da sua Segurança Nacional. Agora, pelo contrário, passou a exaltar a Democracia e o Estado de Direito e a recusar apoio às Ditaduras e Regimes de Exceção impostos em nome da Segurança Nacional. De modo que a direita capitalista pode muito bem estar fazendo movimentos políticos civis pela Democracia e pelo Estado de Direito em diferentes partes do mundo e, assim, ser ou ficar confundida com a esquerda democrática e socialista que tradicionalmente faz esses movimentos políticos civis. A esquerda socialista que, chegando ao poder, legitima um Estado Revolucionário e Transitório como um Regime de Exceção Permanente formalmente similar ao Ancien Régime e que se autojustifica como a aplicação da doutrina da Ditadura Revolucionária do Proletariado está se retraindo e, crescentemente, adotando reformas que caminham para o reconhecimento do Estado de Direito e da Democracia como instituições desejáveis e permanentes.


Quem na atualidade verdadeiramente assume a defesa e aplicação do Estado Absolutista ou da Ditadura do Ancien Régime como Norma (e nunca como Exceção) é o Fundamentalismo Religioso que se baseia na exaltação da mais estrita repressão política justificada pelo Abolutismo Teocrático ou Religioso do seu Fundamentalismo.


Quem efetivamente se encontra fora da atualidade é a emancipação social, melhor, na atualidade a emancipação social só se encontra ainda dentro da emancipação política, dentro das lutas pelos direitos humanos ou civis que são garantidos pelos direitos políticos ou cidadãos conquistados com a emancipação política. Ou seja, a emancipação social se vier a se desenvolver será a partir da emancipação política e terá um viés inteiramente revolucionário, no sentido de novo e sem mais nenhuma relação com aquelas emancipações do Socialismo e do Comunismo Realmente Existentes. Quem viver, verá?!




domingo, 21 de dezembro de 2014

O que é estritamente atual? Democracia e fundamentalismo religioso! Socialismo é apenas o eterno retorno edipiano?!!




Aquilo que se mostra estritamente atual são os movimentos inseparáveis da emancipação política, ou seja, todos aqueles afirmadores dos direitos políticos e dos direitos humanos e também os movimentos inseparáveis do aprisionamento no fundamentalismo religioso de modo que só parecem existir lutas de emancipação política por toda parte e lutas contra a emancipação política e por regimes religiosamente fundados e fundamentados sem quaisquer direitos (políticos e humanos) exceto os permitidos pelos deveres religiosos.



Nessa realidade atual os socialismos e os comunismos reais sofrem por não terem conseguido afirmar e desenvolver de forma plena os direitos políticos e humanos, mais ainda, por perceberem que, em lugar de desenvolverem uma emancipação social ou humana, desenvolveram um fundamentalismo ou dogmatismo "social" que se mostrou muito mais religioso do que social, muito mais sem direitos políticos e humanos do que uma emancipação social humana superior à emancipação política, muito mais um regime de vigilância política e social do que de liberdade política e social. E, como, boa parte dos comunismos reais sofre por ter consciência dessa sua limitação política e social tem ocorrido no seu interior processos reformistas que visam encontrar um caminho para superar essa limitação que sua consciência reconhece ser uma qualidade dos países que só fizeram sua emancipação política e aperfeiçoamentos da sua emancipação política, os quais, por sua vez, são todos eles capitalistas, sejam mais ou menos desenvolvidos.



A hegemonia da emancipação política, que está em perfeita harmonia com um mundo descolonizado em sua grande maioria de países, está conduzindo os movimentos socialistas e comunistas a se desfazerem do fundamentalismo ou dogmatismo "social" aplicados pelos comunismos reais e também está conduzindo boa parte dos próprios países do comunismo real a reformas que permitam uma saída do fundamentalismo ou dogmatismo "social". O resultado geral disso tudo se mostra por um lado precisamente como um processo de retorno aos fundamentos dos socialismos e dos comunismos, seja através de estudos das suas teorias (daí os diferentes retornos - das diferentes abordagens - a Marx), seja através dos estudos históricos dos movimentos socialistas e comunistas e dos países socialistas ou comunistas reais, seja através dos estudos do desenvolvimento econômico e social ou sistêmico da realidade capitalista dominante na qual se encontram inseridos tanto os movimentos socialistas quanto os países socialistas reais, seja, finalmente, através dos estudos dos aperfeiçoamentos teóricos tornados possibilidades efetivas com as realizações práticas do desenvolvimento sistêmico-econômico-social do capitalismo dominante. Por outro lado, se mostra como um processo de sucessivas posições aplicadas pelos movimentos socialistas e pelos países socialistas reais no curso de suas lutas sociais e políticas e de acordo com as conjunturas políticas e sociais, ou seja, se mostra como resultante da prática e do pragmatismo políticos, como posições inseridas e coerentes com o contexto social e político, portanto, podem se mostrar como contraditórias entre si e, mais ainda, a consciência pode justificar tais contradições. De fato, a história dos partidos comunistas reais é feita das sucessivas frações, tendências e linhas aplicadas em determinados períodos históricos e de acordo com as variações conjunturais. Desse modo, o zigue-zague é a história social natural dos partidos socialistas e dos partidos socialistas reais e se encontra em harmonia com o monolitismo destes partidos.



O monopólio do partido dum país socialista real não elimina apenas a liberdade política de outros partidos mas também a liberdade política de suas frações, tendências e linhas políticas divergentes de modo que o Estado e o partido se confundem. É bom lembrar aqui que Marx considerava que os comunistas não formavam um partido à parte dos partidos proletários e que se constituíam sim numa fração dos partidos proletários, mas isso deve ser interpretado como a existência de um partido monolítico dentro do qual os comunistas desempenham o papel da sua melhor fração devido à sua compreensão teórica do conjunto do movimento histórico e devido à sua maior capacidade de decisão e aplicação práticas, portanto, estão destinados a dirigir e exercer o poder dirigente do partido ou isso pode ser interpretado pela existência de um partido pluralista, logo, composto de diversas frações ou até mesmo diferentes partidos mas que não se constituem em partidos à parte do proletariado e sim em partidos que funcionam como frações daquilo que num sentido histórico e social amplo configura o partido proletário?! A primeira interpretação é o problema histórico e concreto dos partidos dos países socialistas reais. A segunda interpretação só pode ser compreendida como aquela que foi aplicada por Marx na Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) e que desde o surgimento dos partidos sociais-democratas deixou de ser compreendida e aplicada precisamente por terem adotado a primeira interpretação e a teoria chamada de marxista, termo que foi cunhado por Bakunin, o principal adversário de Marx na AIT, termo em relação ao qual Marx se posicionou declarando que não era marxista (declaração que explicava também porque ele não defendia na AIT pontos programáticos, como a abolição do direito de herança, que havia defendido no Manifesto do Partido Comunista, de onde retiramos a consideração a respeito das relações dos comunistas com os proletários), ou seja, Marx foi concebido como uma seita chamada marxismo pelo seu adversário na AIT e como esta interpretação foi levada adiante pela social-democracia e pelo comunismo real que optaram pela doutrina de Marx, o dirigente da AIT, e não pela doutrina de Bakunin, o expoente da maior corrente de oposição dentro da AIT.



Esta possibilidade de interpretação do Manifesto do Partido Comunista como a interpretação que foi aplicada por Marx na AIT e defendida por ele como uma posição aberta, por ser capaz de mudar junto com a compreensão do conjunto do movimento histórico e junto com a capacidade de aplicar consequentemente tal mudança na prática, abre a perspectiva da compreensão do poder proletário como uma comunidade de discussão e ação da qual participam as diferentes frações, tendências, linhas e partidos proletários de modo que o monopólio é da comunidade de discussão e ação e não de suas frações, tendências, linhas e nem de seus partidos. Aliás, Marx não exaltou a Comuna de Paris de 1871 precisamente por sua criação desse novo tipo de poder?!



Se o Estado burguês permite a participação de diferentes partidos e se os partidos de trabalhadores lutaram para conquistar o reconhecimento de suas existências e a participação no Estado burguês, então o Poder Proletário ou a Comuna Proletária permite e reconhece a participação de diferentes partidos de trabalhadores incluindo aí os dos camponeses (fração pequeno burguesa) e os partidos dos inventores (de meios de produção, que tendem a ser ou se identificar com os burgueses) e dos administradores (dos meios de produção, que tendem a ser ou se identificar com os burgueses).



Mas, enquanto não existe uma associação geral dos trabalhadores ou uma comuna dos trabalhadores, quer dizer, o seu poder proletário, é perfeitamente possível que suas frações, tendências, linhas, correntes se organizem em partidos ou em organizações diferenciadas que admitem estar participando e disputando a influência política dentro de um mesmo campo de abrangência que é o proletariado. Mais ainda, de forma consequente, serão levados a admitir que são componentes deste campo abrangente denominado proletariado e também que a posição majoritária de um dos componentes frente às posições minoritárias de vários outros componentes não significa de modo algum que esta posição majoritária é o proletariado ou o partido do proletariado enquanto que as demais posições minoritárias não são o proletariado nem o partido do proletariado. Ao contrário, o proletariado ou o partido do proletariado é formado pelo conjunto de suas frações ou partidos, tanto das frações ou partidos majoritários quanto das frações ou partidos minoritários. Na verdade, tanto as frações majoritárias quanto as minoritárias estão construindo o partido proletário, já que ainda não existe a sua associação geral ou a sua comuna ou o seu poder proletário. E este último só poderá vir a se viabilizar quando todas as frações, majoritárias e minoritárias, compreenderem que são partes da construção desse poder e, portanto, quando estiverem dispostas a afirmar não apenas a sua diversidade mas também a sua unidade.



Isso é apenas uma apreciação que, levando em conta a espécie de beco sem saída do socialismo real, se apoiou num pouco de retorno à teoria, quer dizer, à Marx, mas lembrando que ele desenvolveu uma teoria que aplicou no seu tempo, logo, um pouco de retorno à sua prática histórica, mas, infelizmente, não é uma apreciação que se tenha baseado no desenvolvimento histórico-sistêmico-econômico-social e menos ainda nos avanços teóricos resultantes do desenvolvimento histórico. A única constatação é que são atuais os direitos políticos e humanos proporcionados pelo desenvolvimento da emancipação política e a posição contrária que só admite a atualidade dos deveres religiosos oriundos do desenvolvimento do fundamentalismo religioso. Esta constatação da atualidade da democracia política versus a teocracia fundamentalista se baseia numa outra constatação: O problema do socialismo e do comunismo real é estar vivenciando a fábula trágica de Édipo-Rei, ou seja, a auto-condenação à renúncia de seu poder e o retorno do mesmo a como era sob seu pai, ou seja, o retorno ao capitalismo. Ao vivenciar tal situação edipiana o socialismo e o comunismo reais se descobrem céticos em relação ao seu anterior fundamentalismo ou dogmatismo e também sem quaisquer perspectivas de saída do capitalismo, melhor, só lhes resta a esperança de que o capitalismo no seu desenvolvimento próprio chegue ao socialismo e ao comunismo porque eles, edipianos, não conseguiram chegar e sim apenas voltar ao capitalismo numa fase de desenvolvimento mais avançada.




sábado, 20 de dezembro de 2014

Farsas e autenticidades



Vim aqui (no Facebook) para achar uma enxurrada de postagens a respeito do novo cenário que se anuncia, o da quebra da Petrobrás e da angústia quanto ao destino do seu espólio (estatal ou privado? nacional ou multinacional? estatal nacional ou privado nacional? estatal multinacional ou privado multinacional? privado multinacional ou privado internacional?). Nada achei. Fico me perguntando se o silêncio é prenúncio da tragédia tal qual a calmaria é da tempestade?! O materialismo capitalista que reduz o trabalho a mero meio de vida, a mera abstração quantitativa (essa atividade de manipular, explorar e corromper) e separada de toda concretude qualitativa e vital foi praticado em seu grau máximo precisamente para destruir as forças produtivas da Petrobrás e do seu contexto de modo a manter e aprofundar as relações de produção capitalistas que condenam a Petrobrás e o seu contexto (o país e a região latino-americana) a permanecer eternamente mero meio de vida. Mas, esse é o serviço "revolucionário" dos governos do PT?!?!?!?! A "revolução" é concebida como resultante do "quanto pior, melhor"?! Mas, isso não é precisamente favorecer a "contrarrevolução"?!?!?!


http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2014/12/wanderley-guilherme-o-governo-deve-satisfacao-a-quem-o-elegeu-1204.html


Será que Dilma está repetindo a história de João Goulart que caminhou para um governo inviável e ao qual só restou a dignidade de sofrer o golpe?! A história se repete, mas, acrescentava Marx, como farsa. E qual a resultante da farsa atual?! A vitória da reforma democrática feita na marra ou a vitória da democracia vigente mantida nas armas?! Ou será que a atual constante referência ao golpe civil militar de 64, digo, ao aspecto civil do golpe de 64, consciente ou inconscientemente, quer trazer à tona a luta ou guerra civil que não ocorreu em 64?! Re-volução e re-ação possuem em comum a repetição que impõem uma à evolução e a outra à ação, mas enquanto uma gira em torno de si ou de sua evolução já a outra contraria a ação do outro ou de sua evolução. E se ambas repetem, então são ambas farsas?! Onde estará e com quem andará a autenticidade atualmente?!


https://ninja.oximity.com/article/Queremos-respirar.-Protesto-contra-a-P-1


Mas, os novos movimentos de Obama e do Papa Francisco e de Raúl Castro são uma retomada dos movimentos civis da época de Luther King, do Papa João XXIII e da coexistência pacífica de Khrushchev? São repetições e, portanto, farsas?! Sim, podem ser repetições e, portanto, farsas, mas, há algo da autenticidade atual. Qual? Por toda parte existe um incentivo e apoio aos movimento sociais civis que derrubam ou abalam governos, mais recentemente isso ocorreu na Ucrânia e na Venezuela, respectivamente. Os líderes dos movimentos civis na Ucrânia e na Venezuela são considerados de direita, mesmo assim estão situados na posição de lutadores pela liberdade, lutadores pela democracia, ou seja, o que está em vigor na atualidade é o incentivo e o apoio aos movimentos sociais civis que conduzam à liberdade e à democracia, logo, movimentos que afastem a perspectiva do terrorismo, especialmente, o terrorismo atual, o dos que se dizem fundamentalistas religiosos. Ora, o tal do "terrorismo" cubano não é fundamentalista religioso e, até mesmo, é contrário ao terrorismo dos fundamentalistas religiosos. O Papa Francisco e a Igreja Católica são os maiores representantes na atualidade do ecumenismo, que é precisamente o oposto do fundamentalismo. Raúl Castro é o representante das reformas que visam adaptar Cuba às novas condições de hegemonia global do capitalismo, quer dizer, de ausência de uma autointitulada superpotência comunista real, mas, ainda assim, com a possibilidade de Cuba permanecer um Estado-Nação soberano, independente e autodeterminado. Com a perspectiva de fim do bloqueio todas as atuais reformas de Cuba (admissão da propriedade privada, do empreendedorismo e de maiores e livres iniciativas individuais) que vem sendo implantadas de forma soberana, independente e autodeterminada encontrarão sua razão de ser ou finalidade na criativa adaptação de Cuba às novas condições mundiais de predomínio do capitalismo globalizado e da democracia e liberdade globalizadas.


A Rússia, que está sob ataque econômico que compreende uma série de medidas até chegar ao bloqueio puro e simples como o de Cuba, no seu processo de luta de sobrevivência e de influência políticas vem fazendo alianças e vem até mesmo financiando os partidos da extrema direita européia. E estes partidos da extrema direita européia estão se consolidando dentro das regras democráticas dos países europeus de modo que o caráter autocrático destes partidos, por um lado, adquire aceitação, popularidade e, mais do que isso, adquire adaptação criativa nos países da União Européia, e, por outro lado, este caráter autocrático manifesta identidade com o caráter autocrático russo e defende a legitimidade das ações do governo de Putin como próprias da autodefesa da soberania, independência e autodeterminação da Rússia.


Tanto Putin quanto a extrema direita européia estão se movendo no mesmo ambiente e no mesmo leque de opções que Obama e os governos da União Europeia, ou seja, estão se movendo no âmbito da política e, nesse sentido, diferem dos movimentos terroristas dos fundamentalistas religiosos. Por sinal, é significativo que o fundamentalismo islâmico tenha sido antes inimigo da Rússia, melhor, da URSS do que dos Estados Unidos e que tenha se tornado, até certo ponto, o inimigo comum da Rússia e dos Estados Unidos, como fica bem visível no caso do grupo Estado Islâmico em ação na Síria que levou os Estados Unidos, apesar de muita resistência, a admitir que o Estado Islâmico é o inimigo principal e um inimigo maior do que o governo sírio de Assad e, assim ainda que não admita, acabou "dando o braço a torcer para a Rússia, que defende o governo de Assad na Síria.


Claro que a maioria das armas produzidas no mundo ainda são dos Estados Unidos e da Rússia, portanto, a suspeita entre eles é mútua e o mercado de armas que disputam abrange os diferentes grupos de fundamentalistas religiosos de modo que costumam ver por detrás desses grupos ações de fornecimento de armas ou de um ou de outro, respectivamente, ou dos Estados Unidos ou da Rússia. E é aí nessa atividade de tráfico de armas que ainda vêem um ao outro como participantes duma "Guerra Fria" entre si e numa "Guerra Quente" entre os fundamentalistas religiosos e seus inimigos ateus e religiosos não-fundamentalistas.


Apesar das diferenças políticas entre Estados Unidos e Rússia e das alianças políticas que fazem na Europa, ambos países incentivam e apoiam saídas, perspectivas e caminhos políticos e lutam contra os diferentes grupos terroristas dos fundamentalistas religiosos. Então, a direção geral para a qual procuram encaminhar o mundo é a do desenvolvimento político, logo, dos direitos políticos civis de modo que a autenticidade, nesse caso, estará nas lutas e com as lutas dos movimentos sociais civis. No outro extremo, estarão não só as resistências aos avanços sociais civis do status quo querendo manter seus privilégios e mesquinharias mas também as atividades terroristas dos fundamentalistas religiosos querendo a instauração dum mundo organizado e ordenado pelos deveres religiosos que são também os direitos religiosos, um mundo fundamentalista e não o mundo sem fé, sem fundamento e sem sentido dos chamados direitos políticos.


A autenticidade está com os movimentos civis de massas (sejam dirigidos pela direita ou pela esquerda) e com os movimentos terroristas de grupos fundamentalistas religiosos. A farsa está com no repetir a história do status quo.