domingo, 1 de maio de 2016

Inominável realidade ilusória




... ou seria ilegível realidade ilusória?! (ver As mães e o desejo. Os desejos das mães ou as mães dos desejos?!, que antecede este).


Não há nenhum interesse. Nenhum interesse comunitário. Nenhum interesse particular. Nenhum interesse público. Então, porque eu me mantenho continuamente interessado em escrever e, por vezes, em buscar leitores que possam me dar um retorno, já que, na verdade, não há nenhum interesse, logo, isso que me faz permanecer continuamente interessado em escrever é alguma forma de ilusão e não um verdadeiro interesse contínuo de permanecer a escrever.


Mas, como pode uma ilusão se apresentar como se fora um interesse efetivamente real? Será que esta é uma ilusão verdadeira? Uma ilusão real e que por isso é interessante, ao menos para si mesma? Uma ilusão real que é interessante, quer dizer, que é um interesse apenas para si mesma tem a significação de uma realidade excluída e à margem da própria realidade, logo, sua significação é a de uma realidade interditada da fruição da própria realidade e, nesse sentido, sua significação é a de uma realidade castrada da fruição da própria realidade. Porém, por outro lado, pode ter também a significação de uma realidade liberta e/ou livre da própria realidade, quer dizer, como uma realidade que existe à parte e cria e desenvolve seu interesse à parte como se fosse um desvio ou uma declinação da realidade verdadeira do mundo à maneira da realidade ilusória de um intermundo.


E, curiosamente, é a essa realidade ilusória, ficcional, abstrata, psíquica que é atribuída a liberdade, a criação e, até mesmo, o interesse egoísta, também chamado de interesse particular e do indivíduo humano, desde o surgimento das declarações de direitos humanos. Curiosamente, também é essa realidade ilusória, ficcional, abstrata à qual é atribuída a liberdade e a criação aquela que mais tem se manifestado de forma completa no dito mundo real verdadeiramente desenvolvido sob a forma do interesse egoísta e/ou particular do indivíduo humano através, por exemplo, da elevadíssima incidência dos divórcios que se afirmam efetivamente como realidades efetivamente exclusivas e à parte dos demais como interesses egoístas particulares dos indivíduos humanos. Desse modo, cada vez mais, a história do mundo existente é a história da realidade ilusória própria do interesse do indivíduo humano egoísta e particular (à parte), quer dizer, a história, cada vez mais, é a história da liberdade dos diferentes indivíduos desenvolvendo suas diferenças independentes uns dos outros e, desse modo, o mundo vem a ser uma multiplicidade de indivíduos diferentes desenvolvendo suas individualidades livremente e independentemente uns dos outros, então, passa a ser aceito por todos que o interesse comum, o interesse público não é nenhum interesse particular concreto e real, mas sim o interesse particular abstrato e ficcional desenvolvido à parte por cada um como sua própria realidade ilusória.


Por isso o meu interesse de escrever é uma realidade ilusória sem interesse real para quem lê, já que o interesse real de quem lê é escrever e efetivar à parte sua própria realidade ilusória. E eu, com isso, acabo me divertindo às custas da minha própria desgraça de não ter leitores por ser uma realidade ilusória que não interessa às demais realidades ilusórias que querem e precisam se divertir às custas de suas próprias desgraças.


No entanto, tudo isso explica porque Nietzsche dizia "eu sou o último dos niilistas e o primeiro dos criadores". Isso também foi dito por ele de outra forma na "Genealogia da Moral", onde a vontade de poder, quer dizer, o niilismo e/ou a criatividade, prefere "querer o nada a nada querer", donde prefere querer "a realidade ilusória" a querer a realidade verdadeira de não ser nem ter nenhum interesse, ou seja, prefere ser querer a não ser querer, por isso, dizem os "doutos", querer o nada e/ou a castração é desejo, é criação e nada querer e/ou o desejo é castração, é niilismo. Pulsões de morte/de vida, mas de modo que morre quem vive ilusoriamente e vive quem morre realmente. Haja paciência para aguentar isso: O desespero.



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