A sensibilidade humana a priori de Kant só acessa e conhece
a coisa para si, a coisa aparente ou a aparência da coisa para a sensibilidade
humana a priori, mas não acessa nem conhece a coisa em si, a coisa tal
qual ela é nela mesma ou a forma da coisa na própria sensibilidade natural.
Esta sensibilidade humana a priori de Kant é a mesma
sensibilidade humana que, na análise da mercadoria de “O Capital”, de Marx, constitui
o valor
da mercadoria, ou seja, um espaço energético de tempo sensível humano, um
quantum de energia da temporalidade sensivelmente humana. Na verdade, tanto a
sensibilidade humana a priori quanto o quantum de tempo
da energia sensivelmente humana são sensibilidades abstratas, quer dizer,
são apenas valor e não são sensibilidades naturais, concretas,
qualitativas, quer dizer, não são valor de uso.
Então, com isso, aprendemos que a sensibilidade abstrata
ou a
priori
de Kant, tal qual a do valor da mercadoria, é uma coisa
exclusivamente humana ou um objeto exclusivamente humano, quer
dizer, do sujeito exclusivamente humano e não da objetividade natural nem
da subjetividade natural igualmente humanas. Portanto, esta sensibilidade
abstrata separa radicalmente o sujeito humano da Natureza e, desse modo, o
separa radicalmente, inclusive, de sua própria subjetividade natural. Por isso
que se pode dizer que o capitalismo é um dos mais aperfeiçoados dos sistemas de
castração e/ou de exploração do humano pelo humano.
Aprendemos que, na hora do uso da sensibilidade abstrata
para conhecer, estamos diante duma coisa para nós, de um objeto
para nós e não propriamente diante de uma coisa nela mesma, de um objeto
nele mesmo, ao contrário, a coisa e/ou o objeto só existem
efetivamente fora deles mesmos exclusivamente para
nós,
logo, não são propriamente objetos naturais e físicos,
pelo menos, não de uma física natural e qualitativa.
Por outro lado, são sim objetos humanos e físicos,
logo, são sim objetos de uma física humana e quantitativa,
portanto, inteiramente compatíveis com a atualmente conhecida e chamada física
quântica.
Se a sensibilidade a priori ou abstrata é a base desta física humana e
quantitativa, ocorre com a física quântica o mesmo que
ocorre com a sensibilidade abstrata na produção do valor: O
espaço e o tempo são as formas a priori desta sensibilidade humana
(abstrata)
e eles são os meios de produção desta sensibilidade humana abstrata,
então, do mesmo modo que os capitalistas e o capital
são donos
dos meios
de
produção
da sensibilidade humana abstrata também ocorre na física
quântica que os meios de produção da sensibilidade do
objeto
quântico
se tornem partes integrantes da sensibilidade quântica.
O objeto da física quântica
é o mesmo objeto da produção do valor, o mesmo objeto
da produção
da
razão
prática
e o mesmo objeto exclusivamente para nós da sensibilidade
humana a priori, abstrata ou quântica. Resultado, por
esses caminhos nossa sensibilidade nunca acessa a coisa natural, qualitativa e
sensível nela mesma, quer dizer, nossa sensibilidade nunca acessa nem conhece a
coisa natural tal qual ela é nela mesma qualitativa e sensivelmente. A única
via
que se apresenta como real para sair desse total
isolamento
no qual se permanece com a sensibilidade a priori, abstrata ou quântica
é a via da total perda desta sensibilidade
e total
entrega
à
insensibilidade,
quer dizer, à morte imortal. Ou seja, o objeto tido por real nele mesmo é sintomática
e desgraçadamente
o objeto
insensível
mortalmente
imortal.
Amar o narcisismo e amar a morte.
A sensibilidade natural, qualitativa, concreta é a que
acessa e conhece a coisa natural tal qual ela é sensível e qualitativamente nela
mesma, quer dizer, conhece a física natural e qualitativa da coisa tal qual ela
é sensivelmente. Conhece coisa e objeto tais quais eles são natural, qualitativa,
sensível e fisicamente reais, portanto, os conhece como um sujeito humano
natural, qualitativo, sensível e fisicamente real também é. Por isso, por
outro lado, que, psiquicamente, se torna possível conhecer a subjetividade
do sujeito humano real, sensível, natural como subjetividade sensível
vitalmente
mortal.
Amar outrem real e amar a vida.
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