segunda-feira, 9 de maio de 2016

E o amor?! E a vida?!




A sensibilidade humana a priori de Kant só acessa e conhece a coisa para si, a coisa aparente ou a aparência da coisa para a sensibilidade humana a priori, mas não acessa nem conhece a coisa em si, a coisa tal qual ela é nela mesma ou a forma da coisa na própria sensibilidade natural. Esta sensibilidade humana a priori de Kant é a mesma sensibilidade humana que, na análise da mercadoria de “O Capital”, de Marx, constitui o valor da mercadoria, ou seja, um espaço energético de tempo sensível humano, um quantum de energia da temporalidade sensivelmente humana. Na verdade, tanto a sensibilidade humana a priori quanto o quantum de tempo da energia sensivelmente humana são sensibilidades abstratas, quer dizer, são apenas valor e não são sensibilidades naturais, concretas, qualitativas, quer dizer, não são valor de uso.


Então, com isso, aprendemos que a sensibilidade abstrata ou a priori de Kant, tal qual a do valor da mercadoria, é uma coisa exclusivamente humana ou um objeto exclusivamente humano, quer dizer, do sujeito exclusivamente humano e não da objetividade natural nem da subjetividade natural igualmente humanas. Portanto, esta sensibilidade abstrata separa radicalmente o sujeito humano da Natureza e, desse modo, o separa radicalmente, inclusive, de sua própria subjetividade natural. Por isso que se pode dizer que o capitalismo é um dos mais aperfeiçoados dos sistemas de castração e/ou de exploração do humano pelo humano.


Aprendemos que, na hora do uso da sensibilidade abstrata para conhecer, estamos diante duma coisa para nós, de um objeto para nós e não propriamente diante de uma coisa nela mesma, de um objeto nele mesmo, ao contrário, a coisa e/ou o objeto só existem efetivamente fora deles mesmos exclusivamente para nós, logo, não são propriamente objetos naturais e físicos, pelo menos, não de uma física natural e qualitativa. Por outro lado, são sim objetos humanos e físicos, logo, são sim objetos de uma física humana e quantitativa, portanto, inteiramente compatíveis com a atualmente conhecida e chamada física quântica. Se a sensibilidade a priori ou abstrata é a base desta física humana e quantitativa, ocorre com a física quântica o mesmo que ocorre com a sensibilidade abstrata na produção do valor: O espaço e o tempo são as formas a priori desta sensibilidade humana (abstrata) e eles são os meios de produção desta sensibilidade humana abstrata, então, do mesmo modo que os capitalistas e o capital são donos dos meios de produção da sensibilidade humana abstrata também ocorre na física quântica que os meios de produção da sensibilidade do objeto quântico se tornem partes integrantes da sensibilidade quântica.


O objeto da física quântica é o mesmo objeto da produção do valor, o mesmo objeto da produção da razão prática e o mesmo objeto exclusivamente para nós da sensibilidade humana a priori, abstrata ou quântica. Resultado, por esses caminhos nossa sensibilidade nunca acessa a coisa natural, qualitativa e sensível nela mesma, quer dizer, nossa sensibilidade nunca acessa nem conhece a coisa natural tal qual ela é nela mesma qualitativa e sensivelmente. A única via que se apresenta como real para sair desse total isolamento no qual se permanece com a sensibilidade a priori, abstrata ou quântica é a via da total perda desta sensibilidade e total entrega à insensibilidade, quer dizer, à morte imortal. Ou seja, o objeto tido por real nele mesmo é sintomática e desgraçadamente o objeto insensível mortalmente imortal. Amar o narcisismo e amar a morte.



A sensibilidade natural, qualitativa, concreta é a que acessa e conhece a coisa natural tal qual ela é sensível e qualitativamente nela mesma, quer dizer, conhece a física natural e qualitativa da coisa tal qual ela é sensivelmente. Conhece coisa e objeto tais quais eles são natural, qualitativa, sensível e fisicamente reais, portanto, os conhece como um sujeito humano natural, qualitativo, sensível e fisicamente real também é. Por isso, por outro lado, que, psiquicamente, se torna possível conhecer a subjetividade do sujeito humano real, sensível, natural como subjetividade sensível vitalmente mortal. Amar outrem real e amar a vida.



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