Comparações interessantes entre o que se encontra em "Vida após a morte, desejo após a castração" e o que se encontra em "Castração e concepção. Falta e presença. Atualizado".
A razão pura de Kant, aquela que pode conhecer, só pode
conhecer a aparência e quando a razão pura é separada da aparência aí ela já
não pode conhecer nada e fica isolada e abandonada nesse isolamento onde só
pode especular cegamente, quer dizer, sem acesso à aparência e, portanto, ao
conhecimento sensível da coisa, a respeito do que seja a coisa em si. E a razão
pode permanecer abandonada nesse isolamento especulativo cego se não fizer uso
da vontade para escolher uma especulação ou conjunto de especulações, dentre as
que se sucedem, para aplicar na prática sensível e tornar aparente como poder
da vontade, da escolha. Uma vez que fez isso com a especulação cega que
escolheu, então a razão prática passa a ser aparente e a ser guiada pela
especulação cega escolhida e, desse modo, esta especulação cega é tida como a
hipótese, a crença, a suposição que corresponde ao conteúdo da coisa tal qual ele
é na própria coisa. Na verdade, a razão permanece abandonada no seu isolamento
especulativo cego e ela apenas ousa escolher entre as especulações cegas e
apostar que, praticando a sua escolha, possa, talvez, ter tido a sorte de
acertar e de corresponder à coisa tal qual ela é nela mesma.
A atividade imaginativa de Epicuro, aquela que pode conhecer
a essência subjetiva, também pode conhecer, porque é originada dela, a
percepção ou a atividade sensível, então, quando acessa os átomos e o vazio
inteiramente isolados, como essências subjetivas, no mundo das essências
subjetivas e sem nenhuma perspectiva de sair do seu isolamento nesse mundo,
percebe que a proposta de Demócrito, para sair desse isolamento das essências
subjetivas no seu próprio mundo, é um poder da vontade e da escolha que vem de
fora do mundo das essências subjetivas, já que Demócrito disse que os átomos
caem em linha reta no espaço vazio devido a seu peso, então, como é que, de
repente, eles mudam desse movimento para o de repulsão dos átomos entre si,
quer dizer, para um poder da vontade que escolhe vir de fora da queda em linha
reta no espaço vazio?! Este movimento contradiz a queda de forma absoluta e
antagônica, por isso mesmo que Epicuro considera que ele vem de fora do mundo
das essências subjetivas e quebrando e contradizendo violentamente com o poder
da vontade o isolamento do mundo das essências subjetivas. Epicuro percebe que
um poder da vontade e da escolha precisa sim se manifestar, mas como um poder
da vontade e da escolha das próprias essências subjetivas, quer dizer, como um
poder da vontade e da escolha que venha de dentro das próprias essências
subjetivas. E este não pode ser um superpoder violento e antinatural e sim um
poder sutil/gentil e natural, então, ele percebe que as essências subjetivas,
que se encontram ensimesmadas no mundo das essências subjetivas como átomos em
queda no vazio, fazem um movimento para si que é o movimento de declinação ou
desvio da queda em linha reta no vazio. Esta é uma escolha do poder da vontade
da essência subjetiva da coisa em si de fazer um movimento da essência
subjetiva da coisa para si. Epicuro consegue ser suficientemente liberal para que a
coisa em si faça o movimento para si, enquanto que Demócrito introduz um
movimento de intervenção para si que vem de fora do movimento da coisa em si.
Existe similaridade entre o poder da vontade da especulação cega de Kant e o
poder da vontade intervencionista de Demócrito que é cego para o movimento da
coisa em si e age cega e violentamente contra o movimento da coisa em si de
modo que venha a ocorrer um movimento da coisa para si. Em Kant a coisa em si
não sai de si e o sujeito acessa a coisa para si que é apenas a aparência e
quando fica sem a aparência, sem a coisa para si, ele, o sujeito, permanece em
si especulando a respeito da coisa em si que se encontra fora de si e fora da
coisa para si, então, fazendo uma intervenção do poder da vontade o sujeito
ousa escolher uma especulação a respeito da coisa em si que, pelo movimento
prático da sua vontade, virá a ser coisa para si, coisa aparente, quer dizer,
coisa para si resultante da razão prática da vontade intervencionista e não resultante
da razão pura da liberdade da sensibilidade.
Demócrito e Kant talvez não percebam que o que estão fazendo,
com a interdição de acesso à coisa em si e com a entrega e determinação da
vontade de produzir uma coisa para si que corresponda, o mais que seja possível, à coisa em si, é mostrar como no sistema econômico se produz o capital e a força humana de trabalho do capital. Mas, e
Epicuro? Ele também não percebe que, com o livre acesso à coisa em si e com a
recepção da coisa em si como coisa para si que pode livremente desenvolver em
si como sua própria coisa em si, está mostrando como no sistema econômico se
produz a energia da liberdade humana e a socialização do capital?!
Mas, é muito curioso, uns produzem o capital e a força humana de trabalho produtora de capital por não ter acesso à coisa em si; e, o outro, produz a liberdade da energia humana e a socialização humana do capital precisamente por ter acesso à fruição da coisa em si.
Mais curioso ainda é que a produção capitalista, embasada na propriedade privada da força humana de trabalho e na propriedade privada do capital, revele que sua significação filosófica é a castração, melhor, é a privação de apropriação e propriedade da coisa em si. E, por outro lado, que a produção humana, filosoficamente baseada na propriedade humana da essência subjetiva da natureza e na propriedade humana da essência subjetiva humana, cuja significação é a concepção, quer dizer, é a fruição da apropriação e da propriedade da coisa em si, se revele no sistema econômico como propriedade comum, comunitária, comunista da produção humana.
Mas, é muito curioso, uns produzem o capital e a força humana de trabalho produtora de capital por não ter acesso à coisa em si; e, o outro, produz a liberdade da energia humana e a socialização humana do capital precisamente por ter acesso à fruição da coisa em si.
Mais curioso ainda é que a produção capitalista,
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