domingo, 8 de maio de 2016

Comparações interessantes. Com acréscimo no final. E com final no acréscimo.










Comparações interessantes entre o que se encontra em "Vida após a morte, desejo após a castração" e o que se encontra em "Castração e concepção. Falta e presença. Atualizado".







A razão pura de Kant, aquela que pode conhecer, só pode conhecer a aparência e quando a razão pura é separada da aparência aí ela já não pode conhecer nada e fica isolada e abandonada nesse isolamento onde só pode especular cegamente, quer dizer, sem acesso à aparência e, portanto, ao conhecimento sensível da coisa, a respeito do que seja a coisa em si. E a razão pode permanecer abandonada nesse isolamento especulativo cego se não fizer uso da vontade para escolher uma especulação ou conjunto de especulações, dentre as que se sucedem, para aplicar na prática sensível e tornar aparente como poder da vontade, da escolha. Uma vez que fez isso com a especulação cega que escolheu, então a razão prática passa a ser aparente e a ser guiada pela especulação cega escolhida e, desse modo, esta especulação cega é tida como a hipótese, a crença, a suposição que corresponde ao conteúdo da coisa tal qual ele é na própria coisa. Na verdade, a razão permanece abandonada no seu isolamento especulativo cego e ela apenas ousa escolher entre as especulações cegas e apostar que, praticando a sua escolha, possa, talvez, ter tido a sorte de acertar e de corresponder à coisa tal qual ela é nela mesma.







A atividade imaginativa de Epicuro, aquela que pode conhecer a essência subjetiva, também pode conhecer, porque é originada dela, a percepção ou a atividade sensível, então, quando acessa os átomos e o vazio inteiramente isolados, como essências subjetivas, no mundo das essências subjetivas e sem nenhuma perspectiva de sair do seu isolamento nesse mundo, percebe que a proposta de Demócrito, para sair desse isolamento das essências subjetivas no seu próprio mundo, é um poder da vontade e da escolha que vem de fora do mundo das essências subjetivas, já que Demócrito disse que os átomos caem em linha reta no espaço vazio devido a seu peso, então, como é que, de repente, eles mudam desse movimento para o de repulsão dos átomos entre si, quer dizer, para um poder da vontade que escolhe vir de fora da queda em linha reta no espaço vazio?! Este movimento contradiz a queda de forma absoluta e antagônica, por isso mesmo que Epicuro considera que ele vem de fora do mundo das essências subjetivas e quebrando e contradizendo violentamente com o poder da vontade o isolamento do mundo das essências subjetivas. Epicuro percebe que um poder da vontade e da escolha precisa sim se manifestar, mas como um poder da vontade e da escolha das próprias essências subjetivas, quer dizer, como um poder da vontade e da escolha que venha de dentro das próprias essências subjetivas. E este não pode ser um superpoder violento e antinatural e sim um poder sutil/gentil e natural, então, ele percebe que as essências subjetivas, que se encontram ensimesmadas no mundo das essências subjetivas como átomos em queda no vazio, fazem um movimento para si que é o movimento de declinação ou desvio da queda em linha reta no vazio. Esta é uma escolha do poder da vontade da essência subjetiva da coisa em si de fazer um movimento da essência subjetiva da coisa para si. Epicuro consegue ser suficientemente liberal para que a coisa em si faça o movimento para si, enquanto que Demócrito introduz um movimento de intervenção para si que vem de fora do movimento da coisa em si. Existe similaridade entre o poder da vontade da especulação cega de Kant e o poder da vontade intervencionista de Demócrito que é cego para o movimento da coisa em si e age cega e violentamente contra o movimento da coisa em si de modo que venha a ocorrer um movimento da coisa para si. Em Kant a coisa em si não sai de si e o sujeito acessa a coisa para si que é apenas a aparência e quando fica sem a aparência, sem a coisa para si, ele, o sujeito, permanece em si especulando a respeito da coisa em si que se encontra fora de si e fora da coisa para si, então, fazendo uma intervenção do poder da vontade o sujeito ousa escolher uma especulação a respeito da coisa em si que, pelo movimento prático da sua vontade, virá a ser coisa para si, coisa aparente, quer dizer, coisa para si resultante da razão prática da vontade intervencionista e não resultante da razão pura da liberdade da sensibilidade.








Demócrito e Kant talvez não percebam que o que estão fazendo, com a interdição de acesso à coisa em si e com a entrega e determinação da vontade de produzir uma coisa para si que corresponda, o mais que seja possível, à coisa em si, é mostrar como no sistema econômico se produz o capital e a força humana de trabalho do capital. Mas, e Epicuro? Ele também não percebe que, com o livre acesso à coisa em si e com a recepção da coisa em si como coisa para si que pode livremente desenvolver em si como sua própria coisa em si, está mostrando como no sistema econômico se produz a energia da liberdade humana e a socialização do capital?!








Mas, é muito curioso, uns produzem o capital e a força humana de trabalho produtora de capital por não ter acesso à coisa em si; e, o outro, produz a liberdade da energia humana e a socialização humana do capital precisamente por ter acesso à fruição da coisa em si.








Mais curioso ainda é que a produção capitalista, embasada na propriedade privada da força humana de trabalho e na propriedade privada do capital, revele que sua significação filosófica é a castração, melhor, é a privação de apropriação e propriedade da coisa em si. E, por outro lado, que a produção humana, filosoficamente baseada na propriedade humana da essência subjetiva da natureza e na propriedade humana da essência subjetiva humana, cuja significação é a concepção, quer dizer, é a fruição da apropriação e da propriedade da coisa em si, se revele no sistema econômico como propriedade comum, comunitária, comunista da produção humana.









Nenhum comentário: