terça-feira, 10 de maio de 2016

Filosofia epicurista: Simples apenas?! Há penas?! Simples não penas?!




Para quem expressa, tal qual eu expresso, que não há nenhuma perspectiva de mudança, que faz muitíssimo tempo que sou do jeito que sou, que tenho os hábitos que tenho, que já estou demasiadamente velho para mudar porque estou muito mais próximo da morte do que do nascimento etc., talvez, exista algo para aprender com a filosofia epicurista quando ela argumenta “que o jovem não vacile em filosofar e que o idoso não desista de filosofar. Porque ninguém é muito verde nem é muito maduro para ter uma alma saudável. Mas quem diz que o tempo de filosofar ainda não chegou, ou que este tempo já passou [eu na atualidade] é semelhante a quem pretende que o tempo de ser feliz ainda não chegou ou que já passou”.


Ora, o que eu posso aprender com isso? Não muito, exceto que não pratico essa filosofia epicurista, mas, pensando sobre a sensibilidade a priori e a sensibilidade comum à Natureza e à Humanidade fica claro que com a sensibilidade abstrata não há mesmo nenhuma perspectiva de mudança, exceto de mudança quantitativa, exceto de mudança quântica, já que essencialmente tudo permanece sempre igual, a mesmice de sempre, permanece sempre um quantum de uma mesma energia humana abstrata, logo, só permite diferença quântica. Ou seja, pensando sobre isso, percebo que posso aprender com a filosofia epicurista a respeito da sensibilidade natural e da sensibilidade natural humana. O quê? Em primeiro lugar, posso aprender que a coisa sensível natural é qualitativa, quer dizer, possui ou porta qualidades, logo, diferenças, mudanças e mutações de maneira que sua essência não é fixa e tal qual qualquer ser natural se desenvolve no espaço e no tempo surgindo, crescendo, perdurando, decrescendo, desaparecendo. A essência varia com o espaço e o tempo e não é mais uma mesma essência fixa e sim uma pluralidade de essência variável/móvel/mutante. Ora, se posso aprender que a sensibilidade natural da coisa e a sensibilidade natural do sujeito humano é qualitativa e, por isso, portadora duma diversidade de essências, então, evidentemente, nestas sensibilidades as mudanças são efetivas e a essência muda com o espaço-tempo, com a história, com a vida mortal, porque as qualidades se mostram e se desenvolvem no espaço-tempo, na história, ou seja, somos capazes de descobrir em nós mesmos novas qualidades, portanto, novas formas e novos conteúdos, novas perspectivas, novos jeitos de ser, novos hábitos, novas formas de nos relacionarmos com nossas próprias idades, novos conteúdos presentes em nossas "novas" idades, etc.



O que falta agora?! Apenas conhecer e praticar a sensibilidade natural da coisa e do sujeito humano, acrescentando que, nesse último caso, o da sensibilidade natural do sujeito humano, são as qualidades naturais dos sujeitos humanos que mudam durante o desenvolvimento das suas relações entre si no espaço e no tempo, no espaço-tempo, na história. Por um lado, a consciência humana é acesso e conhecimento da coisa natural, logo, posse da essência variável da coisa natural e, desse modo, responsável pelo próprio desenvolvimento ou não desenvolvimento da essência variável da coisa natural; uma relação ecológica e de sustentabilidade com a essência histórica da coisa natural está presente na consciência humana da Natureza como sendo responsabilidade humana. Por outro lado, a consciência humana é acesso e conhecimento natural do próprio sujeito humano, posse da essência mutante natural do sujeito humano, logo, responsável pelo próprio desenvolvimento ou não desenvolvimento do sujeito humano, quer dizer, é autodesenvolvimento humano da essência histórica e/ou autodestruição humana da essência histórica; uma relação psicossociológica e de auto responsabilidade e auto sustentabilidade, quer dizer, uma relação com a história da essência humana qualitativamente diversificada natural e sensivelmente pelo próprio sujeito humano.



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