Para quem expressa, tal qual eu expresso, que não há nenhuma
perspectiva de mudança, que faz muitíssimo tempo que sou do jeito que sou, que
tenho os hábitos que tenho, que já estou demasiadamente velho para mudar porque
estou muito mais próximo da morte do que do nascimento etc., talvez, exista
algo para aprender com a filosofia epicurista quando ela argumenta “que o jovem
não vacile em filosofar e que o idoso não desista de filosofar. Porque ninguém
é muito verde nem é muito maduro para ter uma alma saudável. Mas quem diz que o
tempo de filosofar ainda não chegou, ou que este tempo já passou [eu na
atualidade] é semelhante a quem pretende que o tempo de ser feliz ainda não
chegou ou que já passou”.
Ora, o que eu posso aprender com isso? Não muito, exceto que
não pratico essa filosofia epicurista, mas, pensando sobre a sensibilidade a
priori
e a sensibilidade comum à Natureza e à Humanidade fica claro que com a
sensibilidade abstrata não há mesmo nenhuma perspectiva de mudança, exceto de
mudança quantitativa, exceto de mudança quântica, já que essencialmente tudo
permanece sempre igual, a mesmice de sempre, permanece sempre um quantum de uma
mesma energia humana abstrata, logo, só permite diferença quântica. Ou seja,
pensando sobre isso, percebo que posso aprender com a filosofia epicurista a
respeito da sensibilidade natural e da sensibilidade natural humana. O quê? Em primeiro
lugar, posso aprender que a coisa sensível natural é qualitativa, quer dizer,
possui ou porta qualidades, logo, diferenças, mudanças e mutações de maneira
que sua essência não é fixa e tal qual qualquer ser natural se desenvolve no
espaço e no tempo surgindo, crescendo, perdurando, decrescendo, desaparecendo.
A essência varia com o espaço e o tempo e não é mais uma mesma essência fixa e
sim uma pluralidade de essência variável/móvel/mutante. Ora, se posso aprender
que a sensibilidade natural da coisa e a sensibilidade natural do sujeito
humano é qualitativa e, por isso, portadora duma diversidade de essências,
então, evidentemente, nestas sensibilidades as mudanças são efetivas e a
essência muda com o espaço-tempo, com a história, com a vida mortal, porque as
qualidades se mostram e se desenvolvem no espaço-tempo, na história, ou seja, somos
capazes de descobrir em nós mesmos novas qualidades, portanto, novas formas e
novos conteúdos, novas perspectivas, novos jeitos de ser, novos hábitos, novas
formas de nos relacionarmos com nossas próprias idades, novos conteúdos
presentes em nossas "novas" idades, etc.
O que falta agora?! Apenas conhecer e praticar a
sensibilidade natural da coisa e do sujeito humano, acrescentando que, nesse último
caso, o da sensibilidade natural do sujeito humano, são as qualidades naturais dos
sujeitos humanos que mudam durante o desenvolvimento das suas relações entre si
no espaço e no tempo, no espaço-tempo, na história. Por um lado, a consciência
humana é acesso e conhecimento da coisa natural, logo, posse da essência
variável da coisa natural e, desse modo, responsável pelo próprio desenvolvimento
ou não desenvolvimento da essência variável da coisa natural; uma relação
ecológica e de sustentabilidade com a essência histórica da coisa natural está
presente na consciência humana da Natureza como sendo responsabilidade humana.
Por outro lado, a consciência humana é acesso e conhecimento natural do próprio
sujeito humano, posse da essência mutante natural do sujeito humano, logo,
responsável pelo próprio desenvolvimento ou não desenvolvimento do sujeito
humano, quer dizer, é autodesenvolvimento humano da essência histórica e/ou
autodestruição humana da essência histórica; uma relação psicossociológica e de
auto responsabilidade e auto sustentabilidade, quer dizer, uma relação com a história
da essência humana qualitativamente diversificada natural e sensivelmente pelo
próprio sujeito humano.
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