A contradição se diverte
“Já uma outra perspectiva considera a
sensibilidade como propriedade natural da objetividade em geral, quer dizer, da
objetividade externa da Natureza e da objetividade humana que também é parte
integrante da objetividade da Natureza, ou seja, a sensibilidade é uma
qualidade natural comum, logo, também é uma propriedade comum da Natureza e da
Humanidade. Por isso mesmo, por outro lado, podemos conhecer a coisa em si
porque a sensibilidade é comum e, portanto, a coisa sensível tal qual ela é
externamente ela também é sensivelmente percebida internamente, daí que seja
possível conhecer a coisa tal qual ela é em si mesma em nós mesmos, posto que a
sensibilidade da coisa natural e da humanidade natural é comum, então, tudo que
criamos dentro de nós e por nós mesmos é parte integrante da sensibilidade
natural, parte integrante da Natureza, quer dizer que toda nossa criação está
incluída na Natureza, de modo que a física que desenvolvemos é uma física
qualitativa, que admite a sensibilidade como qualidade natural comum, como
propriedade comum natural.”
No entanto, esta mesma física qualitativa é
desenvolvida dentro de nós sob a forma de consciência, conhecimento,
conceito... a contradição se diverte às nossas custas... porquê?!...
Ela insiste para responder que retomemos, tal
qual quem quer que leia Hegel se vê entrando numa atividade de eterno retorno
sem que para entrar nela tenha lido ou precisado ler Nietzsche, então
retomemos.
Informação. A informação, para quem tem a
propriedade privada da sensibilidade e, por isso, também está privado da
propriedade da coisa natural tal qual ela é em si, é uma informação cindida,
uma informação de uma sensibilidade que só percebe o que projeta sobre a
exterioridade, só percebe sua sensibilidade que encobre a exterioridade, só
percebe sua sensibilidade como cobertura da exterioridade que a apresenta como
coisa para si, que apresenta a cobertura ou o encobrimento da exterioridade
como coisa para si que interdita o acesso à coisa em si. Então, se fosse
possível, seria se livrando da sensibilidade que se teria acesso à coisa tal
qual ela é em si.
A informação, para quem tem a propriedade
comum da sensibilidade e que, por isso, usufrui da apropriação da coisa natural
tal qual ela é em si, é uma informação unida de uma sensibilidade que percebe o
que objeta da exterioridade na interioridade que sujeita, logo, é uma sensibilidade
comum que percebe e apropria a coisa natural da exterioridade que introjeta na
interioridade, onde sua sensibilidade humana descobre a coisa tal qual ela é em
si. Esta parte da informação é a que se torna propriedade privada da
consciência, da interioridade humana que consegue o livre acesso à coisa em si
e isto porque nesta sensibilidade interna humana se desnuda a sensibilidade
externa que encobre a coisa como objeto fenomênico e se conhece, se
conscientiza, se concebe a coisa como essência subjetiva ou subjetividade
essencial. Mas este acesso à coisa tal qual ela é em si só é possível afirmando
a sensibilidade como percepção, como apropriação, como introjeção da coisa em
si, como descoberta e desnudamento da coisa em si; porém, não como se fosse um
mero processo natural digestivo comum às diferentes sensibilidades naturais,
inclusive a humana, mas efetivamente de um modo diferente por ser uma
apropriação privada ou privativa da sensibilidade humana no sentido de ser uma
apropriação pela consciência, pelo conhecimento, quer dizer, uma apropriação
criadora de algo privativo do humano que é a concepção da consciência e/ou do
conhecimento.
Ambas as consciências se separam da
sensibilidade natural. Uma por considerar a sensibilidade exclusivamente humana
e um corte com a Natureza. A outra por considerar a consciência exclusiva da
sensibilidade humana e uma continuidade da Natureza exclusivamente humana, ou
seja, a outra por considerar a consciência humana criação/concepção da
Natureza; enquanto que a uma considera a consciência humana sensível
criação/concepção exclusivamente humana e corte/rejeição total da Natureza.
E daí?! Que se faz com isso?! A contradição
pergunta, se divertindo com nossos esforços.
A maneira de fazer a física é diferente porque
a sensibilidade e a consciência são propriedades exclusivamente humanas sem
qualquer relação com a Natureza que não seja a de encobrir e interditar o
acesso à Natureza tal qual ela é em si. A física se torna quântica no sentido
do quantum de sensibilidade consciente humana pode perceber e conhecer. Já a
sensibilidade, que é propriedade comum humana e da Natureza e a consciência que
é propriedade humana, mas resultante da continuidade da Natureza, que participa
da criação da consciência fazendo a passagem da sensibilidade objetiva natural
para a sensibilidade subjetiva humana, desenvolve uma física da singularidade
no sentido da qualidade singular ou da singularidade qualitativa da
sensibilidade natural que a consciência humana pode perceber e conhecer.
A maneira de desenvolver a física se
diferencia na prática do espaço e do tempo ou da sensibilidade que, num caso,
se concentra exclusivamente na quantidade de espaço e de tempo ou de
sensibilidade que é gasta para se perceber ou conhecer um determinado quantum
de sensibilidade humana ou de espaço-tempo humano, ou seja, se trata duma
física voltada para a observação positiva ou quantitativa da sensibilidade. No
outro caso, a prática do espaço-tempo e da sensibilidade é comum com a
Natureza, logo, o que ocorre na Natureza também ocorre no humano e não é
preciso se prender à observação positiva ou estatística da sensibilidade porque
a qualidade da sensibilidade e do espaço-tempo da Natureza está presente como
tal qualidade singular na sensibilidade e no espaço-tempo humanos como a coisa
física tal qual ela é em si mesma, logo, se trata duma física livre para se
voltar para a elaboração conceitual ou qualitativa da sensibilidade.
A maneira de desenvolver a prática, a
filosofia de vida ou o modo de vida também se diferencia. Sem acesso à coisa em
si e só podendo conhecer a coisa para si a filosofia de vida se funda na
suposição, crença ou hipótese de qual seja e como seja a coisa em si, sendo que
com base em tal suposição, tal crença ou tal hipótese a sensibilidade cria um
modo de vida, uma filosofia de vida e/ou uma prática para si. No entanto, por
ter acesso à coisa em si e por conhecer a coisa em si, quer dizer, não só a
singularidade qualitativa da sensibilidade natural, mas também a singularidade
qualitativa da sensibilidade humana, portanto, tendo acesso ao conhecimento de
si, quer dizer, acesso ao conhecimento do humano tal qual ele é em si, a
prática, a filosofia de vida e/ou o modo de vida se diferencia como um
desenvolvimento qualitativo de si próprio que, naturalmente, é resultante do
conhecimento que vai desenvolvendo de si próprio ou da qualidade humana tal
qual ela é em si mesma, em si própria e/ou própria de si própria.
A contradição permanece se divertindo às
nossas custas... com as polêmicas entre as físicas quântica e de campo
qualitativo, entre a moral e a ciência humana de si... ou ao custo de nós
mesmos permanecemos divertindo a contradição?!...
Nenhum comentário:
Postar um comentário