domingo, 22 de maio de 2016

Somos trágicos para divertir a contradição?!...




A contradição se diverte


“Já uma outra perspectiva considera a sensibilidade como propriedade natural da objetividade em geral, quer dizer, da objetividade externa da Natureza e da objetividade humana que também é parte integrante da objetividade da Natureza, ou seja, a sensibilidade é uma qualidade natural comum, logo, também é uma propriedade comum da Natureza e da Humanidade. Por isso mesmo, por outro lado, podemos conhecer a coisa em si porque a sensibilidade é comum e, portanto, a coisa sensível tal qual ela é externamente ela também é sensivelmente percebida internamente, daí que seja possível conhecer a coisa tal qual ela é em si mesma em nós mesmos, posto que a sensibilidade da coisa natural e da humanidade natural é comum, então, tudo que criamos dentro de nós e por nós mesmos é parte integrante da sensibilidade natural, parte integrante da Natureza, quer dizer que toda nossa criação está incluída na Natureza, de modo que a física que desenvolvemos é uma física qualitativa, que admite a sensibilidade como qualidade natural comum, como propriedade comum natural.”


No entanto, esta mesma física qualitativa é desenvolvida dentro de nós sob a forma de consciência, conhecimento, conceito... a contradição se diverte às nossas custas... porquê?!...


Ela insiste para responder que retomemos, tal qual quem quer que leia Hegel se vê entrando numa atividade de eterno retorno sem que para entrar nela tenha lido ou precisado ler Nietzsche, então retomemos.


Informação. A informação, para quem tem a propriedade privada da sensibilidade e, por isso, também está privado da propriedade da coisa natural tal qual ela é em si, é uma informação cindida, uma informação de uma sensibilidade que só percebe o que projeta sobre a exterioridade, só percebe sua sensibilidade que encobre a exterioridade, só percebe sua sensibilidade como cobertura da exterioridade que a apresenta como coisa para si, que apresenta a cobertura ou o encobrimento da exterioridade como coisa para si que interdita o acesso à coisa em si. Então, se fosse possível, seria se livrando da sensibilidade que se teria acesso à coisa tal qual ela é em si.


A informação, para quem tem a propriedade comum da sensibilidade e que, por isso, usufrui da apropriação da coisa natural tal qual ela é em si, é uma informação unida de uma sensibilidade que percebe o que objeta da exterioridade na interioridade que sujeita, logo, é uma sensibilidade comum que percebe e apropria a coisa natural da exterioridade que introjeta na interioridade, onde sua sensibilidade humana descobre a coisa tal qual ela é em si. Esta parte da informação é a que se torna propriedade privada da consciência, da interioridade humana que consegue o livre acesso à coisa em si e isto porque nesta sensibilidade interna humana se desnuda a sensibilidade externa que encobre a coisa como objeto fenomênico e se conhece, se conscientiza, se concebe a coisa como essência subjetiva ou subjetividade essencial. Mas este acesso à coisa tal qual ela é em si só é possível afirmando a sensibilidade como percepção, como apropriação, como introjeção da coisa em si, como descoberta e desnudamento da coisa em si; porém, não como se fosse um mero processo natural digestivo comum às diferentes sensibilidades naturais, inclusive a humana, mas efetivamente de um modo diferente por ser uma apropriação privada ou privativa da sensibilidade humana no sentido de ser uma apropriação pela consciência, pelo conhecimento, quer dizer, uma apropriação criadora de algo privativo do humano que é a concepção da consciência e/ou do conhecimento.


Ambas as consciências se separam da sensibilidade natural. Uma por considerar a sensibilidade exclusivamente humana e um corte com a Natureza. A outra por considerar a consciência exclusiva da sensibilidade humana e uma continuidade da Natureza exclusivamente humana, ou seja, a outra por considerar a consciência humana criação/concepção da Natureza; enquanto que a uma considera a consciência humana sensível criação/concepção exclusivamente humana e corte/rejeição total da Natureza.


E daí?! Que se faz com isso?! A contradição pergunta, se divertindo com nossos esforços.


A maneira de fazer a física é diferente porque a sensibilidade e a consciência são propriedades exclusivamente humanas sem qualquer relação com a Natureza que não seja a de encobrir e interditar o acesso à Natureza tal qual ela é em si. A física se torna quântica no sentido do quantum de sensibilidade consciente humana pode perceber e conhecer. Já a sensibilidade, que é propriedade comum humana e da Natureza e a consciência que é propriedade humana, mas resultante da continuidade da Natureza, que participa da criação da consciência fazendo a passagem da sensibilidade objetiva natural para a sensibilidade subjetiva humana, desenvolve uma física da singularidade no sentido da qualidade singular ou da singularidade qualitativa da sensibilidade natural que a consciência humana pode perceber e conhecer.


A maneira de desenvolver a física se diferencia na prática do espaço e do tempo ou da sensibilidade que, num caso, se concentra exclusivamente na quantidade de espaço e de tempo ou de sensibilidade que é gasta para se perceber ou conhecer um determinado quantum de sensibilidade humana ou de espaço-tempo humano, ou seja, se trata duma física voltada para a observação positiva ou quantitativa da sensibilidade. No outro caso, a prática do espaço-tempo e da sensibilidade é comum com a Natureza, logo, o que ocorre na Natureza também ocorre no humano e não é preciso se prender à observação positiva ou estatística da sensibilidade porque a qualidade da sensibilidade e do espaço-tempo da Natureza está presente como tal qualidade singular na sensibilidade e no espaço-tempo humanos como a coisa física tal qual ela é em si mesma, logo, se trata duma física livre para se voltar para a elaboração conceitual ou qualitativa da sensibilidade.


A maneira de desenvolver a prática, a filosofia de vida ou o modo de vida também se diferencia. Sem acesso à coisa em si e só podendo conhecer a coisa para si a filosofia de vida se funda na suposição, crença ou hipótese de qual seja e como seja a coisa em si, sendo que com base em tal suposição, tal crença ou tal hipótese a sensibilidade cria um modo de vida, uma filosofia de vida e/ou uma prática para si. No entanto, por ter acesso à coisa em si e por conhecer a coisa em si, quer dizer, não só a singularidade qualitativa da sensibilidade natural, mas também a singularidade qualitativa da sensibilidade humana, portanto, tendo acesso ao conhecimento de si, quer dizer, acesso ao conhecimento do humano tal qual ele é em si, a prática, a filosofia de vida e/ou o modo de vida se diferencia como um desenvolvimento qualitativo de si próprio que, naturalmente, é resultante do conhecimento que vai desenvolvendo de si próprio ou da qualidade humana tal qual ela é em si mesma, em si própria e/ou própria de si própria.



A contradição permanece se divertindo às nossas custas... com as polêmicas entre as físicas quântica e de campo qualitativo, entre a moral e a ciência humana de si... ou ao custo de nós mesmos permanecemos divertindo a contradição?!...



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