Alguns assuntos do contexto. Me refiro a assuntos que
acompanham e estão em torno dos textos, logo, a assuntos afins com os textos.
De imediato, pelo menos, dois assuntos estão presentes e
correlacionados.
Na última postagem, “... Se divertir?!... Com a própria
tragédia?!...”, surgiram três personagens, um que é aquele que está escrevendo o texto é levanta críticas aos textos, um segundo é o que
responde explicando as leituras que faz dos textos e um terceiro é o que, se
dizendo autor dos textos, expõe suas limitações. O assunto aí é um leitor crítico cobrando decisão do autor dos textos; um leitor que, como público, conhece e defende o autor e seus textos; e, um leitor que, se assumindo como autor, mostra suas limitações e suas
fraquezas revelando suas dúvidas, ante as cobranças do crítico, quanto a ser
capaz de responder ao desafio do crítico e que, no fundo, se indaga se será capaz de
efetivar a transformação ou se, por pura incapacidade, se condenará à
conservação até sua morte.
Já outros dois textos, o “Exceção para promover Justiça ou
Injustiça?!” e o “Justiça ou injustiça?! Criminosa ou inocente?!”, sofreram
alterações, de modo que seus títulos receberam acréscimos ficando assim: “Exceção
para promover Justiça ou Injustiça?! – Com Mea Culpa” e “Justiça ou Injustiça?!
Criminosa ou Inocente?! – Com NOTA”. O pensamento presente nos textos é
inteiramente justo e, depois de conhecer o teor do Relatório do Ministro Teori
Zavascki do STF, reconhece que, com referência à Justiça, está de acordo com
esse o que está expresso no Relatório. O problema dos textos não é a defesa da
Justiça que ele reconhece que também é defendida por Teori Zavascki. O problema
é que essa defesa da Justiça foi feita contra a informação jornalística, na
verdade, a desinformação
jornalística, de profissionais da Globo veiculada no telejornal Bom Dia Brasil
da emissora. Estes profissionais informaram, melhor seria dizer desinformaram, que o Relatório tinha
aprovado o modo pelo qual Eduardo Cunha usou o Rito para que o processo de Impeachment
saísse da Câmara passando para o Senado e, por isso, não admitia mais nenhum
recurso ao STF e que o Relatório tinha “batido o martelo” decidindo que, após o
Julgamento do Senado, não seria aceito nenhum recurso ao STF, ou seja, o
conjunto das decisões não admitia, para a defesa,
nenhum direito, já que a condenação política, por mais injusta que possa ser,
está em curso na Câmara e, agora, no Senado e que não é admitido nenhum direito
de recurso jurídico a esta condenação política, de modo que só resta à defesa
da Dilma aceitar a condenação e a total ausência de direitos político e
jurídico. Minha indignação estava dirigida, por equívoco ao STF, mas
tinha de ser dirigida aos profissionais da Globo, além, é claro, dos
parlamentares que promovem a Injustiça. Porém, minha indignação também estava
dirigida, ainda que não tivesse clareza disso, à defesa da Dilma. Porque esta
deveria estar todo o tempo e por todos os meios de comunicação (parlamento,
pedidos junto ao STF, nos plenários da Câmara e do Senado, junto à Sociedade Civil
e movimentos sociais, em artigos e entrevistas de jornais etc.) explicando em detalhes
o que fizeram FHC e Lula quando usaram o que é chamado de “pedaladas fiscais” e
também quando fizeram uso da prerrogativa constitucional de editar decretos sem
consulta prévia ao Legislativo, bem como explicando o que fez em detalhes
Dilma Rousseff quando recorreu aos dois instrumentos lícitos e constitucionais,
mostrando as diferenças entre os usos feitos por eles e os feitos por ela, em especial, a diferença quantitativa,
finalmente, mostrando ainda, em detalhes, o uso feito do mesmo
instrumental pelo vice-presidente, atual interino. Além disso, a defesa também deveria estar recorrendo à decisão unânime do STF,
para suspender os direitos políticos de Eduardo Cunha, por abuso de poder e
comando das ações e votos de parlamentares por meio de corrupção e desenvolvimento
de corrupção sistêmica, ou
seja, a decisão unânime do STF também pode auxiliar
a defesa a sustentar sua acusação de uso
ilícito do Rito de encaminhamento do Impeachment da Câmara para o Senado, pelo
corruptor sistêmico Eduardo Cunha. Finalmente, a gravação da fala de
Romero Jucá pode ser usada pela defesa para reforçar a existência de um
processo político que faz uso do instrumental constitucional, como, no caso, do
Impeachment para “estancar a sangria” da Operação Lava Jato e do STF, ou seja,
para parar a atividade do Poder Judiciário na sua promoção de Justiça. Portanto,
é usando politicamente o
instrumental constitucional para promover a Injustiça que o Poder Legislativo,
assim ilicitamente usado, consegue intervir e desviar o Poder Judiciário da promoção da Justiça para a promoção da Injustiça.
O leitor crítico
também quer “estancar a sangria”
que o leitor autor desenvolve operacionalmente e que o leitor público aceita como sendo justa?!
Ou a indignação do leitor crítico é
inteiramente justa e não cometeu
nenhum equívoco ao se dirigir e cobrar do leitor autor que faça uma inovação?!
E o leitor autor ficou inteiramente indefeso ante à cobrança do leitor crítico e a sentiu como um golpe profundo que o deixou paralisado, interdito?! Ou o leitor público
permanece atento de modo a poder avaliar
o que é justo e o que é injusto?!
Com os textos correlacionados é possível aceitar a crítica
ao equívoco, que é oriundo da ausência do uso atento do conhecimento sensível
da coisa sensível, ou seja, em lugar de conhecer
a coisa ou o Relatório do Teori Zavascki, aprovado por unanimidade pelo STF,
foi cometido o equívoco de acreditar
nos profissionais da informação que difundiram crendices e desinformações e não
a verdade da coisa ou do Relatório. Esta crítica
da atividade de conhecer sensivelmente
a coisa sensível também pode ser aceita como estando presente na cobrança do leitor crítico para que o leitor
autor “inove” fazendo o trabalho prévio de pesquisa, melhor, de conhecimento
sensível do assunto, para só depois vir a fazer a exposição do assunto conhecido pelo leitor autor. Esta
cobrança do leitor crítico para que
o leitor autor tenha um método de exposição diferente
do método de pesquisa pode ser
aceitável, até porque o leitor autor sabe que escolheu trilhar o método de pesquisa junto com a sua exposição, ou seja, sabe que optou
por escrever e publicar rascunhos, quer dizer, considera que
assumiu o risco dos erros de pesquisa,
dos erros da atividade de conhecimento ainda em curso e sem um
produto final com o mais completo controle de qualidade possível, como no caso,
dos textos escritos e publicados como obras acabadas e/ou obras primas [Faltou referência aos textos jornalísticos que passam por um redator e antigamente passavam antes por um revisor e que, no fim, passam por um editor; as teses de mestrado e de doutorado que são escritas tendo um orientador e que precisam ser aprovadas por uma banca examinadora; e ainda as normas e/ou regulamentações oficiais para a edição e/ou publicação de textos; finalmente, existem outros exemplos que desconheço]. Mesmo
assim, ainda que o autor tenha assumido que estava inovando ao se ater a fazer
rascunhos, ele também pode admitir que o crítico apontou um defeito nos
rascunhos um pouco mais profundo, ou seja, indicou que a pesquisa pode ficar
emperrada e, assim, ficar impedindo o avanço do conhecimento porque ao se
dedicar a fazer os rascunhos não se preocupou mais com o mundo exterior, quer
dizer, com o mundo sensível, logo, não se preocupou com a percepção sensível e
caiu no erro de ficar acorrentada à elaboração conceitual e/ou à especulação de hipóteses,
suposições, crenças.
O leitor autor
pode até mesmo aceitar a cobrança do leitor crítico para que vá adiante no desenvolvimento da pesquisa e/ou do
conhecimento precisamente quando percebe que assim poderá vir a melhor pesquisar
e/ou conhecer, mas aquilo que ele não pode aceitar é que estanque a pesquisa
e/ou o conhecimento até ter desenvolvido a exposição e/ou um conhecimento
finalizado.
Acredito que quem escreveu isto foi aquele que estava
reclamando da ausência de textos e que é precisamente o leitor público, aquele
leitor que conhece e avalia os escritos do autor e do crítico.
Nenhum comentário:
Postar um comentário