domingo, 1 de maio de 2016

Querer o nada, a criação dionisíaca do desejo do super-homem nietzschiano




A grande diferença de Nietzsche em relação a seu mestre Schopenhauer é demonstrar que a castração não é a extinção do desejo, mas, ao contrário, é a instituição do desejo. (ver Inominável realidade ilusória, que antecede este)


Dionísio é descrito n'"As Bacantes" como "efeminado" e ele consegue levar o Rei (Penteu?) a se vestir de mulher para participar do Bacanal, onde ele acaba castrado e morto por sua mãe, que, como bacante, se encontra em transe.


Pouco importa. Importa sim destacar aqui que a solução "budista" de Schopenhauer de entrar no "nirvana" através da castração, melhor, por meio da extirpação do desejo é pura e simplesmente superada e negada por seu discípulo Nietzsche que demonstra que a extinção do desejo ou o nada querer é, na verdade, seguida da instituição do desejo ou do querer o nada.


Hoje, o mundo parece nietzschiano porque por todo lado se vê a instituição do desejo para além daquilo que supostamente foi estabelecido pela natureza como instintivo e que seria da ordem da reprodução sexual, ou seja, na atualidade, o desejo que escapa dessa reprodução sexual não é apenas homossexual mas também implica quem efetivamente acaba por praticar a castração para afirmar sua sexualidade, seu desejo, quer dizer, para instituir sua sexualidade desejante ou seu desejo sexualizante. Transgênero?! Não sei, mas, mesmo assim, acredito que a atualidade deixa claro não só Nietzsche, mas também sua divindade dionisíaca ou bacante, da antiguidade greco-romana, que se baseava, antes de tudo, na relação entre senhor e escravo, presente no escravismo, é claro, mas também, no narcisismo que dá a sustentabilidade para a continuidade da exploração do humano pelo humano até à atualidade e também ao sonho (ilusão?) de instituir o super-homem ou o grande desejo da grande solidão.


Entender que a castração é a instituição do desejo não parece difícil, mas aceitar a castração para instituir o desejo e/ou para vir a ser um super-homem nietzschiano não parece algo fácil. No entanto, na atualidade, vemos por toda parte a eclosão e desenvolvimento prático de instituição do desejo dionisíaco, de instituição do super-homem nietzschiano.






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