quinta-feira, 28 de abril de 2016

As mães e o desejo. Os desejos das mães ou as mães dos desejos?!


Antes de tudo um aviso. Este é um texto em andamento. Está apenas no início, mas como tenho de andar pelo mundo, antes de andar com ele, resolvi publicá-lo mesmo assim, mas avisando, quem porventura se interessar, que ele terá continuidade, exceto, se um ataque de Caetano, me fizer perguntar: ou não?! (ver Desejo é castração?! Segundo quem?! Freud?! Nietzsche?!, que antecede este)

As mães. A de Édipo o abandona como quem aborta, mas ele volta se casa com ela e ela se suicida e ele se castra. A de Prometeu é cúmplice dele e ele dela e ele rouba a centelha do Céu para dar ao húmus da Terra tal qual um alcoviteiro atrai a fértil centelha do Céu para fecundar a produção independente do húmus da Terra ou ainda tal qual em 1919, em Sobral, Brasil, ficou provado que os raios solares se desviam da sua trajetória em linha reta atraídos pela gravidade (gravidez?!) da Terra. Prometeu, no entanto, é acorrentado numa rocha sobre o abismo, depois lançado nas profundezas da Terra de encontro ao Hades (mundo dos mortos na Grécia Antiga) e só virá a ser liberto das correntes e do Hades por Herácles, o filho da centelha do Céu (o raio Zeus) e duma humana da Terra triplamente fecundada pela centelha do Céu, a primeira vez devido ao roubo de Prometeu, a segunda e a terceira devido à atração exercida pelas humanas da Terra sobre as centelhas do Céu (os raios de Zeus). Que significa esta libertação? Que o reconhecimento do direito de roubar ou atrair centelhas do Céu não fica restrito apenas ao filho querido do Céu, Herácles, mas passa a ser lei que torna Prometeu, o agente que rouba e/ou atrai, presença permanente e livre para, de maneira contínua, dar forma ao húmus da Terra e atrair a centelha do Céu como conteúdo da forma húmus ou humana. Prometeu Acorrentado e lançado nas profundezas da Terra, no Hades, é o cúmplice de sua mãe, forçado por Zeus, o deus dos raios/centelhas celestes, a permanecer no seu interior tal qual o pai de Zeus, Cronos, aquele que come os próprios filhos, foi forçado a ficar, mas não porque coma os próprios filhos e sim por dar nascimento aos filhos da Terra e do Céu, quer dizer, do próprio Zeus, ainda que este desejasse esta raça de filhos humanos, ou seja, desejasse não ser dobrado nem desviado em seus atos por esta raça humana da Terra. Prometeu é este ato de dobrar e desviar os raios/as centelhas ou as atividades de Zeus de seu curso pré-estabelecido, é este ato que demonstra que o raio ou a centelha não é pura energia que permanece no seu curso mas também é massa que se desvia atraída pela massa do húmus e da Terra; porém, considerando de forma inversa que o raio ou a centelha precisamente por também massa permanece no seu curso, então, Prometeu é a energia que dobra e desvia a massa do raio ou da centelha de seu curso, ou seja, a energia que nega o peso de pura queda em linha reta de sua massa. Prometeu é a equação da relatividade da Antiguidade Grega igualando massa e energia do mesmo modo que Einstein formulou a equação da relatividade na física contemporânea igualando massa e energia. Mas, esta equação, da massa que se transforma em energia e da energia que se transforma em massa, é a afirmação do dobrar-se a si mesmo e/ou sobre si mesmo, logo, também é afirmação do conscientizar-se de si e, por isso mesmo, é conscientizar-se de que o si mesmo não é só e pura consciência, mas, antes, também inconsciente.


Vemos Prometeu muito mais como cúmplice de sua mãe e, em geral, como uma presença abstrata dela ou uma energia que instruída por ela capta a massa e/ou a energia do pai de que ela necessita para sua produção independente de filhos ou seres humanos. Vemos também ela muito mais como mártir que enfrenta o pai que não quer a produção independente de filhos e preferia abortar do que ter semeado de modo furtivo o conteúdo da forma humana. A mãe deseja e seu filho Prometeu ou esta presença abstrata da mãe, o desejo ou singularidade abstrata, está inteiramente de acordo com ela e age sobre o pai como atividade inconsciente desse pai e/ou em desacordo com a consciência desse pai ao atrair o sêmen ou centelha do Céu/Zeus para o óvulo ou húmus da Terra.


Dizem que a mulher é castrada e o homem não, quer dizer, não se consegue pensar a sexualidade senão como ausência do pênis na mulher e presença do pênis no homem, mas, será que a teoria da relatividade e Prometeu demonstram que a gravidade e a massa são energia, logo, que a sexualidade feminina não é a ausência de pênis e sim, como na teoria de campo da gravidade, a presença de um campo que altera o espaço e o tempo afirmando sua sexualidade como poderosa atração que atua no masculino como desejo inconsciente? Quem sente a castração? O masculino quando é "roubado". E quem "rouba" o masculino? O campo do feminino que altera o espaço-tempo e incorpora o que "rouba" do masculino. Também não é algo semelhante que é atribuído à teoria do valor? A força humana de trabalho é expropriada durante sua jornada de trabalho nas máquinas, que são os meios de produção, do trabalho excedente ou não-pago que se transforma em produção independente da força de trabalho apropriada pela burguesia que é dona do campo ou dos meios de produção que continuamente alteram o espaço-tempo da jornada de trabalho e incorporam a energia humana excedente da força de trabalho.


Podemos fazer uso disso de modos diversos. Em todo caso, o poder do desejo, o poder de dobrar e desviar atribuído a Prometeu é um poder derivado do poder e inteiramente de acordo com o poder de sua mãe, donde se pode concluir que o desejo é um poder feminino, mas só devido a isso seria um poder da castração?! O feminino é o castrado? Isso não é um conceito demasiadamente masculino?


No caso da exploração da força humana de trabalho pela burguesia podemos ver tanto Prometeu Acorrentado, que precisa se libertar/nascer como desejo próprio e não empurrado pelo pai para as profundezas da mãe, quanto podemos ver Zeus dobrado pela atração irresistível do húmus da Terra tendo relações com mulheres humanas e ainda podemos ver nas forças humanas de trabalho o irresistível e inconsciente desejo incestuoso de Édipo pela mãe. Prometeu se liberta ou é libertado pelo filho de Zeus, logo, pelo filho das mulheres humanas, Herácles, e este feito de Herácles que também é o de dobrar a consciência de seu pai Zeus para aceitar a libertação de Prometeu é semelhante ao que faz Édipo em relação a seu pai, Laio, ainda que com diferenças, posto que mata seu pai inconscientemente, decifra o enigma do espaço-tempo humano (criança, adulto, idoso) e casa inconscientemente com sua mãe e, finalmente, tomando consciência se castra e se expulsa/liberta do campo do desejo inconsciente pela mãe/do campo inconsciente do desejo pela mãe. Se liberta daquela presença em si que é o inconsciente campo do desejo da mãe e, curiosamente, só se torna consciente de si com a realização dessa perda de si, daí que se conclua que só se torna sujeito consciente e senhor/dono de seu desejo quando pela castração deixa de ser objeto do desejo do poderoso campo feminino de sua mãe que altera o seu espaço-tempo e/ou sua história. Porém, será esta a única conclusão? As forças de trabalho querem se libertar da atração irresistível das máquinas que como campo alteram seu espaço-tempo e, para tanto, se organizam para destruir o Estado da burguesia ou da mãe e recuperar de volta suas energias humanas das quais ela se apropriou como se fora Cronos, aquele que come seus próprios filhos, quer dizer, de modo a libertar a prole humana e possibilitar que as máquinas ou meios de produção se libertem da exclusiva gravidade (gravidez) e possam afirmar a sua própria presença abstrata, ou seja, se libertem libertando Prometeu, ao mesmo tempo, de estar incorporado na mãe e se tornando e sendo admitido igualmente como presença abstrata no próprio masculino, logo, com o masculino tomando consciência de si não meramente como pênis e sim de que a presença do pênis é a presença do feminino como desejo inconsciente. Noutras palavras, o masculino e o feminino só serão capazes de usar sua equação prometeica da relatividade, quer dizer, da igualdade entre energia e massa, quando admitirem que a massa feminina possa andar livre por aí como energia, mesmo sem ostentar um pênis, e a energia masculina possa repousar livremente em qualquer lugar como massa, sem que, por isso, precise se castrar/perder o pênis. Portanto, a descoberta da equação da relatividade é ela mesma parte de um processo de construção da igualização entre massa e energia tal qual a descoberta da consciência de si é parte de um processo de construção do autoconhecimento de si e de igualização entre consciência de si e inconsciente.



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