0 problema “atual” (ver http://eduardodalencastro.blogspot.com.br/2016/04/valor-universal-ou-valor-relativo.html) foi logo analisado por Marx na “Questão
Judaica”, ou seja, a tomada do poder do Estado que abole a propriedade privada
tem por finalidade e objetivo o retorno da propriedade privada numa Sociedade
Civil capitalista mais desenvolvida, então, é um equívoco das classes
dominadas achar que se apropriando do poder do Estado e abolindo a propriedade
privada irá efetivamente rumar para uma Sociedade Socialista ou Comunista e, por
isso, ele retoma, na “Ideologia Alemã”, essa observação crítica, feita na “Questão
Judaica”, condenando a implantação do Socialismo/Comunismo por decreto por não
levar nem ao Socialismo nem ao Comunismo e sim por fazer retornar a Sociedade
Civil Capitalista em condições muito mais desenvolvidas e sólidas. Ou seja, o
que ele diz é que a tomada do poder do Estado pelas classes dominadas não
realiza a passagem completa destas para a condição de classes dominantes no
sentido de tornar realidade uma Sociedade Sem Classes, mas sim, ao contrário, realiza
a passagem das classes dominadas para a condição de classes dominantes no
sentido de tornar aqueles que se apropriaram do Estado membros das classes
dominantes e, portanto, restauradores da propriedade privada e da Sociedade de
Classes Capitalista com maior vitalidade e desenvoltura.
Este processo de mudança por decreto do Socialismo e do
Comunismo de Estado é o processo clássico da Revolução Burguesa na França,
portanto, é característico da Ditadura Revolucionária Burguesa
que, na França, se afirmou no período conhecido como do Terror. Quando critica o
Comunismo ou Socialismo de Estado - o mesmo que, no século XX, veio a ser
hegemônico com a implantação da URSS -, Marx critica a Ditadura Revolucionária
Burguesa praticada pela Revolução Burguesa Francesa, ou seja, não está
criticando a Ditadura Revolucionária do Proletariado
porque a implantação do Comunismo ou do Socialismo por decreto não
é
uma medida
do Socialismo
ou
Comunismo
Proletário, exceto como apoio à revolução burguesa enquanto precedente sine
qua non da revolução proletária, mas é preciso cuidar para conseguir
fazer a passagem de uma para a outra, por isso que a luta pela direção do
processo revolucionário se coloca desde o início para garantir que haverá
alternância no exercício do poder. No entanto, o problema é mais profundo,
posto que é necessário que Marx explique que é afinal esta tal de Ditadura
Revolucionária do Proletariado? Que ditadura é esta que contraria aquela que
foi implantada com sucesso na URSS e se tornou modelo difundido e efetivado em
boa parte do mundo?
E Marx dirá na “Questão Judaica” que ele se opõe a essa
emancipação política quando e porque vai além da emancipação política muito bem
expressa por uma passagem de Rousseau que ele cita: “Aquele que se propõe a
tarefa de instituir um povo deve sentir-se capaz de transformar, por assim
dizer, a natureza humana, de transformar cada indivíduo que é por si mesmo um
todo perfeito, solitário, em parte de um todo maior, do qual o indivíduo receba
até certo ponto sua vida e seu ser, de substituir a existência física e
independente por uma existência parcial e moral. Deve despojar o homem de suas
próprias forças, a fim de lhe entregar outras que lhe são estranhas e das que
só possa fazer uso com a ajuda de outros homens” / {"Celui
qui ose entreprendre d'instituer un peuple doit se sentir en état de changer
pour ainsi dire Ia nature humaine, de transformer partie d'un grand tout dont
cet individu reçoive en quelque sorte sa vie et son être, de substituer une
existence partielle et morale à 1'existence physique et indépendante. Il faut
qu'il ôte à 1'homme ses forces propres pour lui en donner qui lui soient
étrangères et dont il ne puisse faire usage sans les secours d'autrul" (25) (Contrat Social, livro II, Londres, 1782, p.
67). Extraído de https://www.marxists.org/portugues/marx/1843/questaojudaica.htm#t25
}.
Mas ele coloca o ponto de vista da
emancipação política de Rousseau para contrapor a ele o ponto de vista da
emancipação humana que ele próprio defende:
“Toda emancipação é a recondução
do mundo humano, das relações, ao próprio homem.
“A emancipação política é a
redução do homem, de um lado, a membro da sociedade burguesa, a indivíduo
egoísta independente e, de outro, a cidadão do Estado, a pessoa moral.
“Somente quando o homem individual
real recupera em si o cidadão abstrato e se converte, como homem individual, em
ser genérico, em seu trabalho individual e em suas relações individuais;
somente quando o homem tenha reconhecido e organizado suas “forces propres” (próprias forças) como forças sociais e quando, portanto, já não
separa de si a força social sob a forma de força política, somente então se
processa a emancipação humana”.
É aí que começa para Marx o novo
conceito da democracia da maioria como a ditadura revolucionária do
proletariado, onde a questão não é mais tomar o poder do Estado para tratar de
instituir um povo e de transformar a natureza humana, quer dizer, não se trata
mais de cindir a natureza humana de modo que fique dependente do poder do
Estado e se trata sim de dissolver o poder do Estado nas mãos das próprias
forças humanas de modo que é a natureza humana e o próprio povo quem transforma
a si mesmo em unidade liberta da cisão promovida pelo Estado e pela Sociedade
Civil cindida em classes.
“Ditadura Revolucionária do
Proletariado” é um termo que esconde o principal feito da emancipação ou
libertação humana/social/proletária/dos trabalhadores que é a efetivação real
da Democracia porque agora é o próprio povo quem institui a si mesmo e também é
a própria natureza humana quem transforma si mesma porque agora acabou o poder
do Estado acima do cidadão e também acabou o poder do indivíduo egoísta na
Sociedade Civil separado dos demais, seja na classe que defende sua existência
como explorador, seja na classe que defende sua existência como explorado,
porque o poder do indivíduo se tornou ainda mais egoísta ou nem um pouco egoísta, já que, usufruindo
de suas próprias forças, nem explora as forças alheias nem é explorado por
forças alheias.
A Ditadura Revolucionária do
Proletariado é a instituição da Democracia da Comunidade, quer
dizer, da Democracia mais Completa e Ampla por ser a Democracia exercida pelas
próprias forças da Comunidade e não por forças separadas da Comunidade no poder
do Estado nem no poder de Classe.
Então, é possível concluir que os
depoimentos dos experimentados militantes de esquerda da luta armada estão
todos relacionados à concepção do Socialismo ou Comunismo por decreto que Marx
tão claramente mostrou ser a da Ditadura Revolucionária Burguesa e não à
concepção da Ditadura Revolucionária do Proletariado defendida pelo próprio
Marx como a realização efetiva da Democracia da Maioria, da Democracia da
Comunidade, da Democracia do Próprio Povo. (ver: http://www.folhapolitica.org/2013/05/nao-lutavamos-pela-democracia-mas-pela.html
)
Mas,
então, porque Marx não foi mais claro e não defendeu apenas a Democracia da
Comunidade? Porque inventou essa história de defender uma Ditadura
Revolucionária do Proletariado? Porque a Democracia Existente era a Democracia
da Classe Dominante, a Democracia do Estado (por oposição à Democracia da
Comunidade), ou seja, porque a Democracia Existente era uma Ditadura não só nos
seus momentos excepcionais de afirmação do poder unilateral do Estado, mas
também nos seus momentos normais de afirmação do poder de classe da Sociedade
Civil Capitalista, porque, portanto, a Democracia Existente era uma Ditadura do
Capitalismo/uma Ditadura da Sociedade de Classes Capitalista. Porém, ele admitia
que mesmo essa Democracia Existente poderia vir a se transformar numa
Democracia da Comunidade por meio de eleições democráticas, ou seja, admitia a
possibilidade duma transformação pacífica da Sociedade Civil Capitalista de
Classes numa Comunidade Humana Trabalhadora Sem Classes. (ver: https://www.marxists.org/francais/rubel/works/1962/rubel_19620700.htm#fn23
)
Nesse caso, então, como fica a
situação da Dilma que parece se situar ainda no Socialismo ou Comunismo por
decreto? Ora, a Dilma não fez nenhum decreto do tipo dos que pretendem
implantar o Socialismo e o Comunismo por decreto, no sentido de que estes antes
de tudo se assenhorearam do poder do Estado como ditadores, mas ela foi eleita
e seu decreto 8.243 só pode ser efetivo de acordo com:
A PRESIDENTA DA
REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art.
84, caput, incisos IV e VI, alínea “a”, da Constituição, e tendo em
vista o disposto no art. 3º, caput, inciso I, e no art. 17 da Lei
nº 10.683, de 28 de maio de 2003,
Então que diz o art. 84:
Art.
84. Compete privativamente ao Presidente da República:
I -
nomear e exonerar os Ministros de Estado;
II -
exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da
administração federal;
III -
iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos previstos nesta
Constituição;
IV -
sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e
regulamentos para sua fiel execução;
V -
vetar projetos de lei, total ou parcialmente;
VI –
dispor, mediante decreto, sobre: (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
a)
organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar
aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; (Incluída
pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
O decreto 8.243
está inteiramente de acordo com a legislação decretada pelo Congresso Nacional
e sancionada pela Presidência da República, portanto, ele está inteiramente
dentro do espectro democrático e, desse modo, a presidente Dilma não está
agindo de forma ditatorial e em ruptura com a Constituição e a Democracia existentes
no país. Nesse sentido, por mais que tenhamos discordâncias e críticas
endereçadas a quem imagina possível implantar um Poder Popular por meio de
decreto, tal como era o pensamento e o costume dos Déspotas Esclarecidos, ainda
assim temos de reconhecer que a prática de decretos da presidente Dilma segue
estritamente a legislação constitucional e, por isso, se aproxima muito mais do
que todas as demais práticas, incluindo aí as da luta armada de esquerda, da
possibilidade de experimentar um desenvolvimento da prática democrática da
própria comunidade de modo a vir efetivar aquilo que Marx admitia viável a
passagem para o Socialismo e/ou o Comunismo por meio de eleições, quer dizer, a
possibilidade de uma via exclusivamente democrática de passagem do capitalismo
para o comunismo, o que simplesmente significa também uma passagem pacífica da
ditadura burguesa do Estado para a ditadura proletária da Comunidade.
Mas aí já
estamos muito longe da “atualidade”, certo? Nela o que importa é sinalizar que
os experimentados militantes da luta armada não conseguiram ser suficientemente
críticos da Guerra Fria, posto que adotavam o tal do Comunismo Real de Estado da
URSS tal e qual, menos ainda, ser suficientemente críticos, para compreender a
proposta de Marx de Democracia da Comunidade via Ditadura Revolucionária do
Proletariado.
Porém, aí
eles não estão sozinhos, porque, para nós, que somos pessoas tão distanciadas, no tempo, de Marx, fica muito difícil compreender porque ele usa tanto o conceito
de Ditadura Revolucionária do Proletariado e não de forma direta o seu próprio
conceito de Democracia da Maioria, de Democracia da Comunidade, de Associação
dos Indivíduos Livres etc.?! Porém, por outro lado, fica tudo muito claro
quando, olhando para nossa época, percebemos aquilo que ele apontava na
Revolução Francesa e no Socialismo de Estado ocorrendo na URSS e diversos
outros países, inclusive na nossa vizinha Cuba. Percebemos que sua posição
crítica é mais do que atual porque na atualidade ela está sendo demonstrada por
ficar presente na percepção de todo mundo. Então, o enigma de Marx criticar os
regimes do Comunismo de Estado como um feito do capitalismo e, ao mesmo tempo,
defender uma Ditadura Revolucionária do Proletariado sem nenhuma relação com os
regimes de Comunismo de Estado é o que merece ser estudado e compreendido por
nossa época e tanto por aqueles que se pretendem seus discípulos quanto por
aqueles que se consideram seus críticos. Os primeiros para compreender que não
foram seus discípulos quando adotaram aquilo que ele precisamente critica. E os
segundos para compreender que não foram seus críticos quando criticaram aquilo
que ele também criticou e que, nas suas obras, o seu próprio pensamento ainda
critica.
Vale
acrescentar aqui umas ideias expressas via Skype a respeito do que ocorre na “atualidade”,
só acrescento as minhas por ser responsável por elas, já a dos interlocutores
só acrescentaria se tivesse a autorização deles:
“A grande
questão aqui, desde ontem, tb no programa do Jô, é saber o que é golpe. Golpe
não precisa ser exclusivamente militar, a Wiki diz até que Yeltsin cometeu um
golpe dissolvendo a URSS, enfim, existe a noção de golpe não militar presente
no Wiki. Aí é o país dos golpes de estado, de mão etc., mas aqui, no popular,
existe uma significação para golpe que atende esta caracterização do golpe do
impeachment ou do conto do impeachment, quer dizer, é o golpe ou a vigarice no
sentido do ludibriar, do lograr, do lucrar ou obter vantagem de forma ilícita,
enfim, do cometer o crime sob a aparência de estar praticando a lei, o legal e
a ordem, o ordeiro. É preciso que alguém consiga levar isso até o Jô e mesmo
que se espalhe uma melhor compreensão da amplitude de um golpe político, o
qual, segundo a Wiki teria sido praticado inicialmente por quem estava no
poder: ‘Na teoria política, o conceito de golpe de Estado surge em 1639,
teorizado por Gabriel Naudé na obra Considerations politiques sur le coups
d'Etat; Naudé definia "golpe de Estado’ como um governante, em defesa do
interesse público, violar as leis e regras estabelecidas”.
“Bom, indo
ao assunto, ontem você se referiu a uma coisa que eu mantive de fora do texto,
mas da qual eu sempre falei como sendo a tese de Marx da dissolução do Estado
já que sua manutenção tem por resultado o retorno em condições mais
desenvolvidas da sociedade de classes do capitalismo. No entanto, ontem, você
se referiu a algo mais específico e desafiador, que é o próprio Estado, dizendo
que sempre são aqueles que estão nele que vão se situar nas classes dominantes
da sociedade civil, por exemplo, com a dissolução da URSS são os burocratas das
empresas estatais que se tornam os empresários e executivos e funcionários
administrativos com altos salários das empresas privadas. Essa questão, sendo
desenvolvida, é a resposta que merece ser dada aos experimentados militantes da
esquerda armada que fundem ditadura com ditadura do proletariado como se um
mesmo conceito, o de ditadura, permanecesse com o mesmo sentido e a ele só se
acrescentasse uma mudança de significação com o conceito de proletariado, quer
dizer, de classe dominada que se torna dominante. Porém, Marx, querendo salvar
sua alma, como efetivamente declara na "Crítica ao Programa de
Gotha", concebe um Estado dissolvido, melhor, um resíduo ou quantum de
Estado, quer dizer, uma materialidade que se confunde inteiramente com a
comunidade social do proletariado, da classe proletária, da prole humana, ou
seja, ditadura do proletariado é a ditadura ou o poder de um Estado que é e se
confunde com a própria comunidade social da prole humana ou do proletariado. Se
o poder do Estado costumeiro e habitual é uma maquinaria mantida por diversos
funcionários que a ela acedem por meio de provas e de profissionalização de
suas carreiras com as sucessivas graduações dentro de uma hierarquia de modo
que a maquinaria do Estado se assemelha às diferentes maquinarias dos
industriais e dos empresários de bancos, supermercados, lojas etc. de modo que
quem aí exerce funções é assalariado do mesmo modo que os trabalhadores são
assalariados, então, o que diferencia o Estado do Governo? O Governo cabe a
quem é eleito e é tanto da Sociedade Civil quanto do Estado, ainda que muito
mais da Sociedade Civil, e que, durante um certo e determinado período, ficará
no Governo do Estado, quer dizer, terá o poder de Governar o Estado, mas não o
poder do Estado. Desse modo, fica similar a situação dos trabalhadores que na
Sociedade Civil trabalham/governam as maquinarias dos capitalistas com a dos
eleitos para governar a maquinaria do Estado... de quem? Ele é público, logo,
da sociedade, mas de qual sociedade? Da sociedade de classes que é na
atualidade a sociedade capitalista. Era isso? É por aí ?”
“http://www.msn.com/pt-br/noticias/crise-politica/serra-pressiona-psdb-a-participar-de-eventual-governo-temer/ar-BBsaD4S?li=AAggXC1&ocid=mailsignout
tá explicado o porquê da participação do Aluísio Nunes na revolta do Henrique
Eduardo Alves, participação que levou Aécio a mudar da posição de quem aceitou o
resultado das eleições para a de quem apóia a contestação feita pelo PSDB
insuflado/comandado por Aluísio Nunes, que se passava por braço direito de
Aécio. A coisa vem se articulando desde as eleições nas quais Serra foi o
candidato opositor de Dilma. Nessas eleições Serra se articulou com a direita
dentro da direita do Dem e com a direita em geral deslocando assim a disputa da
Dilma com ele para o centro e para a prudência com bandeiras à direita como as contrárias ao aborto e às relações homoafetivas, então Dilma se retraiu e se manteve o mais
respeitosa possível para com os contrários ao aborto e às relações homoafetivas
e, após as eleições, o erro do PT e do Governo Dilma foi trocar a Comissão dos
DH com o pastor Marcos Feliciano porque aí deu força para a direita crescer e
foi para este partido que o Bolsonaro foi e ficou com os tais 8%. Além disso,
todas as forças "ocultas", como dizem, puderam ir se articulando
sistematicamente e isso sem que fosse percebido por nós o dedo de Serra por
detrás das cenas, nos bastidores fazendo a articulação de tudo e ativando
outros articuladores a fazer esta articulação de tudo também. Não é por outro
motivo que vive sendo repetido que Serra é o político mais preparado desse
país. O resultado foi que Dilma teve de ir mais para a esquerda nas últimas
eleições e entrar nelas de forma guerreira por estar perdendo os espaços para a
direita extrema e para o centro, por estar perdendo aliados como o PSB, que
ainda se situava à esquerda no seu leque de alianças e rompeu rumando para o
centro. Mais do que isso foi levada a assumir sua trajetória histórica do lado
do getulismo, do trabalhismo, de Brizola, da guerrilha, de Fidel e do
dogmatismo do modelo soviético com o seu decreto 8.243. Acho que é isso. O mais
é o que escrevi antes para a Olívia e que remete para o comentário de um
cientista político a favor de Temer que afirma que o problema em foco é o
estatismo da Dilma, quer dizer, o seu uso do poder do Estado na economia e não
mais tão somente o uso tão somente o uso do poder do Governo fazendo políticas
compensatórias, como bolsa família & cia, recomendadas por Milton Friedman para a manutenção do Estado Mínimo de modo que os eleitos usem apenas o poder
de Governo e não o poder de Estado de modo que sejam apenas governantes e nunca
estadistas.”
“Aqui, na
revista de fim de semana do Valor Econômico, tem duas entrevistas com "os
professores Brasílio Sallum Júnior e Luiz Felipe de Alencastro [que] refletem
sobre os desafios de um eventual governo comandado por Michel temer, o impacto
da associação de sua imagem à de Eduardo cunha, as mazelas da deterioração do sistema
político brasileiro e as brechas para a presidente Dilma Rousseff barrar o
impeachment. Por Malu Delgado, para o Valor, de São Paulo." Este tal de
Sallum do qual nunca tinha ouvido nem mesmo falar diz que "O impeachment
tratou basicamente - embora o discurso e a retórica sejam o do golpe à
democracia - da gestão econômica. A administração do Estado e sua relação com a
economia é o que está em jogo. Qual é a acusação que pesa contra a presidente,
não em termos de corrupção; ela ser promotora de um ativismo estatal, o Estado
ser usado de modo arbitrário sem levar em conta a lógica do mercado. Esse
pensamento, hoje, é hegemônico. Acho que vamos ter no próximo governo uma
inflexão na área de concessões. Isso é uma das chamadas bondades que o governo
temer pode fazer. A tendência é ter uma política econômica mais para o mercado
do que a da presidente Dilma. Não teremos, certamente, um governo neoliberal.
Não acredito que se chegue ao limite do que está lá na proposta do PMDB, a
Ponte para o Futuro. Aquilo seria um programa liberal demais para as
possibilidades do sistema político. E mesmo para o empresariado, que está muito
acostumado às benesses estatais. Não tenho dúvida de que as centrais sindicais
vão se opor, mas não sei se terão tanta força. Não acho que haverá obstáculos
suficientes para o exercício do poder e do governo. Estamos numa situação em
que a dificuldade básica dos assalariados é o desemprego. O ativismo sindical
pode se manifestar, mas não acredito que carregue muita gente atrás." Esta
é a última fala da entrevista dele. Ele é favorável a Temer, já o Luiz Felipe
de Alencastro é contrário a Temer, mas, no momento, não interessa porque acho
que ele não fala dessa questão do "ativismo estatal" ou do
"Estado ser usado de modo arbitrário", quer dizer, de acordo com a
vontade política de quem é presidente.
O homem do Banco Central no governo Lula o tal do Meirelles se não me
engano veio do PSDB e não do PMDB, em todo caso, ele foi para o PMDB e agora
está no PSD. Michel Temer jogava junto com o PSDB e com FHC. Pois bem, quem
aproximou Meirelles do governo foi Lula e também foi ele quem trouxe Temer para
a aliança com o PT. Estes homens estão apenas voltando às suas origens no
momento. O tal do Sallum diz que Temer é um político profissional e Dilma uma
amadora. Acho que Lula e muita gente diz a mesma coisa de Dilma. Sallum Júnior
respondendo à pergunta "O que o senhor entende por profissionalismo
político? - A capacidade de interpretar a situação política do jogo no qual ele
está inserido, a relação de forças ente os vários partidos, de grupos de
pressão, correntes de opinião que atuam no meio político. Temer está há
decênios na política. Isto não é sinônimo de um bom governo, mas é um requisito
mínimo para manejar a situação." Ora, este manejo da situação por meio do
qual se está sempre ganhando é aquele que Meirelles e Temer fizeram na aliança
com Lula e o PT, mas se tornou perigoso na hora que Dilma apareceu querendo
fazer um manejo que implicava em não mais estar sempre ganhando e sim tendo de
perder para a política da Dilma de usar o Estado de acordo com sua vontade
política. Por isso, diz o apoiador de Temer, o Brasílio Sallum Júnior, que
"o impeachment tratou basicamente - embora o discurso e a retórica sejam o
do golpe à democracia [do qual acusama Dilma] - da gestão econômica."
Logo, a política econômica de Dilma contraria esse manejo político desses senhores
de ganhar sempre, então, eles estão sofrendo um golpe, uma perda de espaço na
sua atuação e manejo democráticos, por isso, como precisam ser sempre
vencedores ou dominantes, eles tratam de articular o manejo político que
golpeie quem os está golpeando, eles estão apenas reagindo à ação dela, são
apenas reacionários e nada mais.”
Mas, afinal, quem está efetivamente preservando democraticamente a sua ditadura, o seu ganhar sempre?! É esse o significado de "a ideologia (democrática) dominante ser a da classe (ditatorialmente) dominante"?! Isso é ser profissional?! Perder sempre é ser amador?! A democracia só pode ser exercida pelos políticos profissionais, então, a democracia tem dono e quem é amador, quer dizer, quem não é proprietário não pode exercer a democracia e precisa ser posto para fora pelos seus proprietários profissionais, mas isto não é precisamente a ausência efetivamente de democracia, de participação do povo no seu governo, já que democracia significaria poder do povo ou não significaria?!
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