A Mãe Natureza que tudo dá. Dá a vida, o espaço e o tempo para viver, alimento, abrigo, livre ir e vir, enfim, tudo até a chegada da morte que ela também dá. Ela que tudo dá também tudo tira porque se é dela que tudo vem também é para ela que tudo volta. Ela nos dá todo bem e nos tira todo bem. E o que é para nós todo o mal? O bem do alimento que recebemos para viver pode ser também o bem da vida retirado do alimento para que vivamos, logo, o bem que nos alimenta também é a morte do que nos alimenta. A Mãe Natureza nos dá a vida junto com a morte, então algo morre para que vivamos e nós morremos para que algo viva. Sendo assim tudo que dá por um lado é tirado pelo outro lado, então, a Mãe Natureza tanto tudo dá e tudo tira, quanto nada dá e nada tira, porque tudo transforma. “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” e tudo se transforma é “o vir a ser” que, pura e simplesmente, traduz a condição da Mãe Natureza, ou seja, “O Eterno Retorno” do “criado” e do “perdido”. Vida-e-Morte/Bem-e-Mal também traduz a condição da Mãe Natureza e, desse modo, o fruto, da vida e da morte bem como do bem e do mal, nunca esteve proibido porque sempre foi o fruto livremente estabelecido pela Mãe Natureza. Desse modo também toda a existência da Mãe Natureza é “toma lá, dá cá”, é troca, é unidade da diversidade, quer dizer, é unidade da vida e da morte, é o Tao do yin/yang, é unidade do trabalho vivo/morto, é a moeda, é o mercado, é a comum-unidade, logo, a comunidade da vida mortal/mortalidade vital. O paraíso é o inferno!!! E vice-versa!!!
A Mãe Natureza tudo dá porque dá a si mesma e, assim, ela é a vida que dá vida, mas a Mãe Natureza dando a si mesma tudo tira porque, assim, ela é a vida que, dando a si mesma para a morte, tudo tira, inclusive a si mesma. A vida da própria Mãe Natureza tem um começo e tem um fim com a morte da própria Mãe Natureza. Então, a própria Mãe Natureza tem vida mortal, quer dizer, sua Natureza vive através do morrer da sua Natureza, e também tem morte imortal, ou seja, sua vida mortal chega ao fim quando sua Natureza não tem mais como viver do morrer da sua Natureza e sua Natureza morre do morrer de sua Natureza, logo, sua Natureza entra na morte imortal da sua Natureza. O fim da vida mortal da Mãe Natureza é o fim do tudo se transforma, o fim do vir a ser, o fim do eterno retorno da Mãe Natureza porque também é a entrada no nada se cria e nada se perde, a entrada no não-ser, a entrada no eterno sem retorno da Mãe Natureza. Ora, mas a que Mãe Natureza nos referimos? A esta Mãe Natureza que compreende todo o Cosmo, todo o Universo, a esta Mãe Natureza que é o Todo. Então, nos referimos à dissolução da Mãe Natureza, do Cosmo, do Universo, do Todo em Nada. Mas, o que morre imortalmente permanece morrendo imortalmente, então, é preciso que, em outro lugar, para além do Nada, algo venha a viver mortalmente para que a morte permaneça imortalmente consumindo mortalmente a vida. Isso significa que outra Mãe Natureza, outro Cosmo, outro Universo, outro Todo surge ou nasce com tudo se transformando, tudo vindo a ser, tudo eternamente retornando?! Então, isso significa que existe uma infinidade de Mães Naturezas, de Cosmos, de Universos, de Todos de modo que a infinitude da morte imortal é a base, o fundamento e o princípio que sustenta a permanência da finitude da vida mortal, a permanência da finitude do vir a ser, a permanência da finitude do eterno retorno.
O problema então do mundo visível que é este da Mãe da Natureza que vemos e nos encontramos e que nele entramos e dele saímos com ela é que ela, a Mãe Natureza, vem do mundo invisível, ou seja, sai para o mundo visível como vida mortal ou finitude que justifica e explica a infinitude da morte imortal do mundo invisível.
O problema então do mundo visível que é este da Mãe da Natureza que vemos e nos encontramos e que nele entramos e dele saímos com ela é que ela, a Mãe Natureza, vem do mundo invisível, ou seja, sai para o mundo visível como vida mortal ou finitude que justifica e explica a infinitude da morte imortal do mundo invisível.
O que é verdadeiro? Que a Mãe Natureza dá vida, espaço e tempo, abrigo para o ser humano viver da destruição das outras espécies e dos recursos naturais de um modo imperialista que acelera o processo que ruma para a extinção da Mãe Natureza? Acabando com todas as outras espécies e todos os recursos naturais só resta ao ser humano viver da destruição de si mesmo e, assim, se igualar à Mãe Natureza que vive da destruição de si mesma?! Que o ser humano vive, antes de tudo, da destruição de si mesmo, ou seja, antes de destruir as outras espécies e todos os recursos naturais, ele está destruindo a si mesmo de modo que ele acumula uma enorme destruição de outras espécies e de todos os recursos naturais restringindo o acesso e destruindo parte considerável da sua própria espécie humana?! Se a resposta for positiva para a primeira possibilidade, a de que o ser humano é o destruidor imperialista, então a solução é combater o destruidor imperialista e contra o ser humano e a favor da Mãe Natureza tratar de destruir o destruidor imperialista, mas, nesse caso, esta resposta assume a outra possibilidade porque através dela o ser humano vive da destruição de si mesmo e se iguala à Mãe Natureza; finalmente, a última possibilidade, a de que a atividade destruidora do ser humano esteja voltada prioritariamente para si mesmo e, em seguida, para a Mãe Natureza, levanta a possibilidade de que controlando e desviando a atividade destruidora do ser humano de si mesmo para as outras espécies e recursos naturais da Mãe Natureza seja possível sair da prioridade da coleta e da caça para a prioridade do cultivo e da criação?! Mas, e o fogo?! O fogo não é por definição a vida mortal que consome a mortalidade vital até chegar ao fim, quer dizer, à morte imortal?! E o uso do fogo não é o instrumento privilegiado da espécie humana?! Não é por meio dele que ela se destaca das demais espécies e se torna agente que transforma todos os recursos naturais e as demais espécies em mortalidade vital para a vida mortal da sua própria espécie humana?! Não é por meio do uso do fogo que a espécie humana diante do Todo se assume como a Parte chamada de Pai Trabalho frente à outra Parte chamada de Mãe Natureza?! Não é por meio do uso do fogo que o Pai Trabalho se afirma como morte imortal para a Mãe Natureza que se afirma vida mortal?! Não é por meio do fogo que a espécie humana se assume como a atividade do Trabalho que tudo transforma da materialidade da Natureza que nada cria e nada perde?!
O Paraíso é o Inferno?! Não!!! O Inferno é o Paraíso?! Não!!! O quê então?!?!
Nenhum comentário:
Postar um comentário