sábado, 11 de julho de 2015

Será por aí que encontro o fio-condutor, hein Ariadne?!




Atualmente as crises são ditas crises financeiras. Nelas ocorrem aquilo que é chamado de bolha financeira e que dizem ser uma superprodução de moeda e/ou papel-moeda sem correspondência com a produção real de mercadorias, quer dizer, sem correspondência com os produtos existentes, então, este excesso de dinheiro corresponde a uma situação real na qual os produtos ou mercadorias existentes em quantidade limitada pertencem supostamente aos diversos proprietários dos títulos ou papéis-moeda da bolha financeira, de modo que uma mesma mercadoria real ou  produto real foi socializada na sua propriedade por diferentes titulares. E, desse modo, a crise é a perda da propriedade pelos diferentes titulares, quer dizer, é a expropriação dos diferentes titulares e a redução de seus títulos à supressão ou extinção da propriedade ou do valor real correspondente à propriedade. Para evitar que o papel-moeda fictício, melhor, que o papel-moeda que não possui a propriedade real representada no seu título, venha a adquirir com seus títulos fictícios propriedades reais de outros setores da economia, estes outros setores passam a reduzir sua produção supondo que, até antes do estouro da bolha financeira, este dinheiro fictício estava circulando por toda a economia e fazendo com que os valores relativos da totalidade das mercadorias estivessem compostos pela presença destes valores fictícios, logo, supondo estar contaminados por uma superprodução fictícia e, assim, supondo que esteja ocorrendo o logro ou a expropriação de parte de suas titularidades de suas mercadorias ou produtos, então, estes setores, para garantir que não irão perder titularidade e manter a propriedade nas mãos dos poucos que realmente são possuidores de propriedade real, reduzem a produção visando absorver e suprimir a propriedade fictícia bem como separar com clareza os proprietários reais dos realmente sem propriedade.


As crises de superprodução se tornaram claramente crises de superprodução do valor e mais obscuramente crises de superprodução de mercadorias, ainda que, em decorrência da crise de superprodução do valor e das consequentes destruições da produção do valor, se tenha crise de superprodução de mercadorias e se faça destruição, retração ou redução da produção de mercadorias.



Este comportamento sistêmico nas crises financeiras indica que não se trata apenas de um problema com o valor fictício ou com a produção de papel-moeda sem correspondência com a propriedade real de mercadoria ou produto, mas também duma produção excessiva de mercadorias ou de produtos pela propriedade real da produção de mercadorias, ou seja, a crise de superprodução não é apenas do valor ou da ficção mas também é do produto-mercadoria ou do real. Na bolha a crise aparece como destruição da propriedade real, quando ela estoura, e os diferentes expropriados se descobrem proprietários fictícios dos seus títulos igualmente fictícios e sem valor real. Mas se na bolha é assim, então onde não há bolha, quer dizer, propriedade fictícia, pode vir a ocorrer uma socialização real da propriedade real, ou seja, pode vir a ocorrer uma superprodução real dos produtos que esteja tendendo a baixar o valor dos produtos abaixo do seu valor de mercadoria, quer dizer, abaixo de sua condição de mercadoria, logo, pode vir a ocorrer uma socialização real dos produtos e uma supressão do mercado. Então, sob a consciência duma crise de bolha financeira ou monetária se esconde a consciência duma crise de superprodução material ou objetiva. Desse modo também são os financistas os que são responsabilizados por toda a crise que se espalha pela produção com as dificuldades de emprego e de custo de vida. Se alguns espertalhões transformaram mercadorias em dinheiro fictício, outros, supostamente bobões, produziram mercadorias em excesso para obter o tal dinheiro fictício, ou seja, produziram mercadorias em quantidade tal que ficaram abaixo do seu valor real. Ambos, no entanto, possuem em comum o mesmo impulso que é o da ganância, da obtenção do lucro ou do fazer com o dinheiro mercadorias para vendendo obter mais dinheiro.



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