Atualmente as crises são ditas crises financeiras. Nelas
ocorrem aquilo que é chamado de bolha financeira e que dizem ser uma superprodução
de moeda e/ou papel-moeda sem correspondência com a produção real de
mercadorias, quer dizer, sem correspondência com os produtos existentes, então,
este excesso de dinheiro corresponde a uma situação real na qual os produtos ou
mercadorias existentes em quantidade limitada pertencem supostamente aos
diversos proprietários dos títulos ou papéis-moeda da bolha financeira, de modo
que uma mesma mercadoria real ou produto
real foi socializada na sua propriedade por diferentes titulares. E,
desse modo, a crise é a perda da propriedade pelos diferentes titulares, quer
dizer, é a expropriação dos diferentes titulares e a redução de seus
títulos à supressão ou extinção da propriedade ou do valor real correspondente
à propriedade. Para evitar que o papel-moeda fictício, melhor, que o
papel-moeda que não possui a propriedade real representada no seu título, venha
a adquirir com seus títulos fictícios propriedades reais de outros setores da
economia, estes outros setores passam a reduzir sua produção supondo que, até
antes do estouro da bolha financeira, este dinheiro fictício estava circulando
por toda a economia e fazendo com que os valores relativos da totalidade das
mercadorias estivessem compostos pela presença destes valores fictícios, logo,
supondo estar contaminados por uma superprodução fictícia e, assim, supondo que
esteja ocorrendo o logro ou a expropriação de parte de suas
titularidades de suas mercadorias ou produtos, então, estes setores, para
garantir que não irão perder titularidade e manter a propriedade nas mãos dos
poucos que realmente são possuidores de propriedade real, reduzem a produção
visando absorver e suprimir a propriedade fictícia bem como separar com clareza
os proprietários reais dos realmente sem propriedade.
As crises de superprodução
se tornaram claramente crises de superprodução
do valor e mais obscuramente
crises de superprodução de mercadorias, ainda que, em
decorrência da crise de superprodução
do valor e das consequentes destruições da produção do valor, se tenha crise de superprodução de mercadorias e se faça destruição,
retração ou redução da produção
de mercadorias.
Este comportamento sistêmico nas crises financeiras indica
que não se trata apenas de um problema com o valor fictício ou com a produção
de papel-moeda sem correspondência com a propriedade real de mercadoria ou
produto, mas também duma produção excessiva de mercadorias ou de produtos pela
propriedade real da produção de mercadorias, ou seja, a crise de superprodução
não é apenas do valor ou da ficção mas também é do produto-mercadoria ou do
real. Na bolha a crise aparece como destruição da propriedade real, quando ela
estoura, e os diferentes expropriados se descobrem proprietários fictícios dos
seus títulos igualmente fictícios e sem valor real. Mas se na bolha é assim,
então onde não há bolha, quer dizer, propriedade fictícia, pode vir a ocorrer
uma socialização real da propriedade real, ou seja, pode vir a ocorrer uma
superprodução real dos produtos que esteja tendendo a baixar o valor dos
produtos abaixo do seu valor de mercadoria, quer dizer, abaixo de sua condição
de mercadoria, logo, pode vir a ocorrer uma socialização real dos produtos e
uma supressão do mercado. Então, sob a consciência duma crise de bolha
financeira ou monetária se esconde a consciência duma crise de superprodução
material ou objetiva. Desse modo também são os financistas os que são
responsabilizados por toda a crise que se espalha pela produção com as dificuldades
de emprego e de custo de vida. Se alguns espertalhões
transformaram mercadorias em dinheiro fictício, outros, supostamente bobões, produziram mercadorias em
excesso para obter o tal dinheiro fictício, ou seja, produziram mercadorias em
quantidade tal que ficaram abaixo do seu valor real. Ambos, no entanto, possuem
em comum o mesmo impulso que é o da ganância, da obtenção do lucro ou do fazer
com o dinheiro mercadorias para vendendo obter mais dinheiro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário