sábado, 18 de julho de 2015
Estranha, muito estranha essa nossa ignorância.
A China com seu socialismo de mercado é o país de dimensões continentais que mais se aproxima da construção social-democrata da União Europeia também de dimensões continentais. E daí? Não faço a menor ideia do que dizer a respeito disso.
Ignorância é tudo que tenho a dizer. O que os nossos olhos nus veem e nos descrevem? Na década de 60 que, na Inglaterra, os Beatles representavam a nova revolução cultural mundial de costumes da juventude ocidental, na França, o Maio de 68 representava a revolução cultural mundial dos estudantes de esquerda e, na China, a guarda vermelha e o livro vermelho representavam a revolução cultural maoísta. Na década de 70 que, na China, a aproximação dos EUA contribuiu para o fim da Guerra do Vietnam, o qual, sai dela vitorioso, para o ocaso da revolução cultural e de Mao e a reabilitação e a ascensão de Deng Xao Ping e do socialismo de mercado. Nossos olhos nus nos descrevem que, na Europa, existiam muitos grupos atuando nas chamadas guerrilhas urbanas e existiam muitos sequestros e atentados, tanto de grupos europeus quanto de grupos ligados aos conflitos com Israel no Oriente Médio e ainda alguns outros ligados às guerrilhas urbanas da América Latina, nosso olhos também nos dizem que caíram as ditaduras em Portugal, na Espanha e na Grécia e que se falava muito dum Mercado Comum Europeu em crescimento e também, já no final dos anos 70, eles nos revelam que fazia muito sucesso o movimento do Solidariedade na Polônia e que se falava e discutia muito sobre o programa da social-democracia europeia e a propósito duma tal de terceira via. Nos anos 80, na Europa, se falava muito do Neoliberalismo e da Globalização introduzida pela Margareth Tatcher e pelo Ronald Reagan, se falava da revolução islâmica dos aiatolás no Irã, do apoio da social-democracia europeia para a revolução sandinista na Nicarágua, das possíveis mudanças na URSS com a ascensão de Gorbachev e a década termina com o fim da URSS. Da China se fala muito no mundo de como atraiu as grandes empresas com mão de obra barata e também de como seus produtos baratíssimos se espalham por todo o mundo, ainda que não tenham qualidade e durem muito pouco, mesmo assim que ela é a nova potência emergente e misteriosa porque ninguém sabe exatamente o que ela é, se é socialista ou é capitalista, em todo caso que está integrada no movimento do Neoliberalismo e da Globalização, sendo esta última muito destacada pela transferência de indústrias inteiras de seus territórios originais nos EUA e Europa, fenômeno chamado de desindustrialização nesses territórios, para a China, onde as transferências são vistas como revolução industrial acelerada e, devido a seus elevados graus de poluição, muito parecida com a clássica revolução industrial inglesa. Nos anos 90, na Europa, cresce muito a chamada Comunidade Europeia e muitas mudanças ocorrem na região euro-asiática com o fim da URSS e os produtos chineses começam a ser vistos como produtos de qualidade e, por isso, a China passa a ser vista com ainda maior assombro. Nos 10 primeiros anos do século XXI o que se destaca é a Guerra dos EUA ao Terror Fundamentalista Islâmico da qual participam os principais países da União Europeia... Espera aí, com certeza, vimos muito mais com nossos olhos nus... então?! Pra que serve isso, se, com certeza, esquecemos muto do que nossos olhos viram?!
Só serve para nós sentirmos a força da nossa ignorância. Então, com a licença da nossa ignorância, podemos imaginar e dizer qualquer asneira. Por exemplo, podemos dizer que a China faz questão absoluta de deixar claro que ela é soberana, quer ser respeitada como país soberano e faz uma política no mundo que a deixa sempre em paz e a salvo de quaisquer ameaças à sua soberania porque também se mostra defensora da soberania de qualquer país que respeite a soberania dos demais. Essa política da China se baseia na lenda ou na realidade? Ignoro. Mas, me parece que lembra algo da política dos EUA depois da Independência e também da Guerra Civil.
A Europa é a fonte da modernidade e da contemporaneidade, isto é, não só do capitalismo mas da circunavegação do mundo e de sua globalização e colonização e dominação imperialista, também é o palco principal das Guerras Mundiais desde Napoleão até à Segunda Guerra Mundial. E ainda que tenha deixado, depois da Segunda Guerra Mundial, para os EUA o papel principal de intervenção no mundo, a Europa continua apoiando e participando junto com os EUA nas intervenções, especialmente agora no século XXI, quando, como União Europeia, parece pretender ocupar e substituir o lugar que era da URSS como potência e influência no mundo.
A China que também é uma forte candidata a desempenhar um papel como potência e influência mundial equivalente ao da URSS parece declinar do papel desde a época que classificava a atuação da URSS como a de um social-imperialismo. A China parece se conter e querer que sua potência e influência sejam de muito maior e longo prazo, algo como uma influência moral ou de uma potência ética que segue princípios na política externa e, por isso, não se mete nem interfere na soberania alheia, mas também não permite que ninguém se intrometa nem interfira na sua soberania.
A Europa e, em especial, a União Europeia, aparentemente, se verá forçada a aceitar a migração dos povos refugiados da África, do Oriente Médio e da Eurásia precisamente por ter feito inúmeras intervenções por toda parte desde a circunavegação do globo até agora.
Já a China em algum momento poderá vir a desempenhar o papel de país que tem juízo e que, por isso mesmo, poderá dirimir dúvidas e arbitrar conflitos.
A Europa parece então predestinada a se abrir para abrigar os povos refugiados do mundo, enquanto que a China com sua superpopulação e aberta apenas para os negócios com o mundo parece predestinada a desempenhar o papel de Judiciário ou Juiz Supremo do mundo.
Estranha, muito estranha essa nossa ignorância.
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