terça-feira, 21 de julho de 2015

Mas... o mundo muda e com ele mudam as teses ou pensamentos...




Essa necessidade de mudar ou transformar o pensamento para poder mudar ou transformar o mundo é antes de tudo uma necessidade de ser e estar no mundo e não somente no pensamento fora do mundo e ensimesmado dentro do pensamento.


Então, essa é uma necessidade para quem se encontra ensimesmado no seu próprio mundo privado, é uma necessidade de mudar do mundo subjetivo para o mundo objetivo, uma necessidade de sair do egoísmo da subjetividade para o altruísmo da objetividade; noutras palavras, é uma necessidade de sair da subjetividade burguesa onde cada um é um indivíduo egoísta cuja "liberdade termina onde começa a do outro", por isso que essa necessidade representa o pensamento e a ciência revolucionários vindos de fora para dentro do movimento revolucionário. Ou seja, esse combate para mudar ou transformar a subjetividade burguesa é um combate da própria subjetividade burguesa, quer dizer, um combate que começa com a subjetividade burguesa e é dirigido por ela até à subjetividade proletária, a qual, por sua vez, é vista como uma subjetividade que efetivamente já se encontra no mundo, que age sensivelmente no mundo e que pratica objetivamente o mundo, mas que (tem sempre um mas que) é convencida a se manter à margem do mundo e a dele participar apenas em troca de seu salário. A subjetividade burguesa que combate a si mesma e busca a subjetividade proletária para poder ser e estar no mundo traz para essa última a crítica à situação de ser e estar à margem do mundo e do limite de só participar em troca de seu salário mostrando que isso é um verdadeiro absurdo porque é a atividade sensível do proletariado, sua prática objetiva, quer dizer, é a prática e a atividade objetivas da subjetividade proletária que concebem, melhor, produzem o mundo e, por isso, é um absurdo que o sujeito objetivo fique à margem da sua produção enquanto o sujeito subjetivo dela se beneficia. Além disso, continua a subjetividade burguesa em mudança revolucionária para a subjetividade proletária, esse sujeito subjetivo que trata todo o mundo como objeto e apenas a si próprio como sujeito é quem efetivamente se situa fora do mundo, reduz o proletariado a objeto e dele, retira toda a subjetividade subjetiva mantendo-o apenas com sua subjetividade objetiva, quer dizer, apenas à margem da produção subjetiva da sua subjetividade objetiva. Ou seja, essa subjetividade burguesa em mudança revolucionária traz para a subjetividade proletária a necessidade desta lutar por sua libertação da marginalidade mundana e por desempenhar na sua plenitude sua inclusão mundana, ou seja, fruir não tão somente da reprodução da sua subjetividade objetiva mas também da produção de sua subjetividade objetiva que produz subjetividade subjetiva.


Conclusão: Essa necessidade de mudar ou transformar o pensamento para poder mudar ou transformar o mundo termina sendo a busca da subjetividade subjetiva por mudar ou se transformar
em subjetividade objetiva e o despertar da luta da subjetividade objetiva por mudar ou se transformar em subjetividade subjetiva. Logo, a conclusão, aos olhos incautos, seria a do cachorro que morde o próprio rabo. Aliás, esse é um risco efetivo e revelador dos processos revolucionários cuja conclusão é o retorno à subjetividade burguesa, quer dizer, ao mundo concebido apenas como objeto, propriedade e do qual o sujeito está ausente por ser exclusivamente seu proprietário. Mas (tem sempre um mas), visto como a cisão da subjetividade humana em duas subjetividades em dois movimentos opostos, o das subjetividades revolucionárias que buscam re-unir as subjetividades cindidas numa subjetividade humana comum e o das subjetividades conservadoras que buscam manter e desenvolver a cisão da subjetividade humana comum em subjetividades cindidas e diferenciadas em subjetividade subjetiva que se apropria do mundo como objeto e subjetividade objetiva que é expropriada do mundo como sujeito e dele só participa como objeto, quer dizer, atividade objetiva.


Mas (tem sempre um mas), o mundo muda ou se transforma e com ele mudam ou se transformam as questões ou as teses. Assim, na atualidade, a subjetividade subjetiva ou burguesa se tornou vitoriosa e globalizada porque ocorreu uma mudança significativa na subjetividade objetiva ou proletária. Esta última foi em grande parte substituída pela maquinaria automatizada artificialmente inteligente e, por isso, para continuar ativa sofreu uma modificação e deixou de fornecer sua subjetividade objetiva e passou a fornecer sua subjetividade subjetiva, então, cabe a pergunta: ela deixou de ser proletária e passou a ser burguesa? Mas (tem sempre um mas), a burguesia permanece mais vitoriosa do que nunca, então, a burguesia passou a admitir que o sujeito também é objeto, quer dizer, não é apenas proprietário e sim também uma propriedade do mundo, ou seja, a burguesia passou a admitir a participação objetiva do sujeito no mundo e, por aí, a admitir que o mundo não é só objeto, propriedade e sim também sujeito, proprietário e isso foi traduzido pela burguesia como um mundo de máquinas inteligentes ou subjetivas operadas por subjetividades subjetivas ou inteligentes e também como um mundo com limites objetivos e que só pode ser sustentado desenvolvendo seus recursos subjetivos. Desse modo, a subjetividade objetiva e manual passou a ser substituída pela subjetividade subjetiva e digital, e, por outro lado, o mundo que deixou de ser apenas objeto e se tornou também sujeito, logo, passou a ser visto não mais apenas como circunstâncias objetivas que se muda e explora mas também como circunstâncias ecológicas que se cultiva e nos muda ou educa.


O desenvolvimento da nova subjetividade subjetiva digital do proletariado só pode aumentar e crescer em importância significativa, similar à da antiga subjetividade objetiva manual, por meio da redução radical da jornada de trabalho, quer dizer, por meio da expansão intensa das maquinarias automáticas artificialmente subjetivas ou inteligentes, logo, também por meio da expansão intensa das circunstâncias mundanas ecológicas ou subjetivas, quer dizer, das quais participamos cultivando a subjetividade do mundo e mudando a nossa própria subjetividade ou nos educando.


Mas... como fica a mudança revolucionária depois da mudança revolucionária de reduzir radicalmente a jornada de trabalho e cultivar radicalmente a ecologia?!







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