terça-feira, 14 de julho de 2015

"Em terra de cego, quem tem um olho é... cético?!?!"




A história real é muito mais difícil de ser contada do que a história especulativa. Os senhores feudais viviam nos castelos, então quem construía os castelos? Quem cozinhava e servia os alimentos e limpava e arrumava os castelos, produzia os móveis, as roupas, os talheres, as armas, os escudos etc dos senhores feudais e de suas tropas? Os servos, em geral, viviam nos arredores dos castelos, em casas isoladas ou em aldeias e vilas para cuidar da produção de alimentos dos senhores feudais, suas tropas, seus servos e trabalhadores domésticos e de seus animais? É preciso supor que as atividades de construção de castelos e igrejas eram inteiramente separadas das atividades nos campo dos servos e o mesmo se pode supor para as atividades de construção de móveis de madeira e de metal bem como de produção de armas, utensílios, instrumentos, carroças, arreios, sapatos, roupas etc, e ainda as atividades guerreiras dos senhores e suas tropas, incluindo aí o cuidado de manutenção e treino dos animais, mesmo assim, ainda é preciso cuidar da manutenção das armas etc., cozinhar e servir a comida, limpar e arrumar etc. É preciso supor que o construtor de castelos e igrejas também é construtor de casas e cidades e que o construtor de móveis, armas, instrumentos etc. também é construtor de meios de produção que requerem muitos trabalhadores na sua operação. É preciso supor muita coisa como, por exemplo, o conhecimento dos mosteiros e a troca e aperfeiçoamentos do mesmo entre mosteiros diferentes e mesmo entre países diferentes.


É muito difícil contar a história real da separação dos artesãos, dos pedreiros, dos carpinteiros, marceneiros, ferreiros etc. de suas artes de trabalho e mostrar a história real da passagem dessas artes de trabalho para os meios de produção de um modo que reduz todos estes trabalhadores a meras e simples forças humanas de trabalho desprovidas de quaisquer artes produtivas.


É ainda mais difícil contar a história real da separação entre trabalhador assalariado e capitalista pagador de salários, entre tempo de trabalho sem limite de jornada e tempo de trabalho limitado pela jornada. E é muito mais difícil contar a história real da passagem da produção capitalista de acordo com a fórmula M(ercadorias) - D(inheiro) - M(ercadorias) para a produção capitalista segundo a fórmula D(inheiro) - M(ercadorias) - D(inheiro).


################################################################################



Por tudo isso que é muito mais difícil compreender a história real do mundo atual, compreender a história real desses acontecimentos todos, seja no Brasil ou no mundo. Impeachement da Dilma?! Ganhar o referendo com o não contra as medidas de austeridade impostas pelos credores à Grécia para, em seguida, se humilhar dizendo sim às medidas de austeridades dos credores e assumindo o papel de mensageiro dessas medidas dos credores para toda a Grécia?!


No MSN Notícias, tendo por fonte RFI, consta o seguinte:


Com a fisionomia cansada pela maratona de negociações, o premiê grego, Alexis Tsipras, disse que a Grécia reconquistou sua soberania com esse acordo. "O compromisso permite à Grécia captar novos investimentos para sair da recessão e evitar a falência do sistema bancário grego", afirmou. "Foi difícil obter o acordo, mas nós conseguimos estancar a transferência de recursos públicos para o exterior e obter uma reestruturação da dívida grega", acrescentou Tsipras. O premiê disse que o combate foi duro até o fim, mas o compromisso encontrado garante a estabilidade financeira e a retomada do crescimento na Grécia.
Até quarta-feira, o Parlamento grego deverá votar o novo programa de austeridade. Os bancos do país continuarão fechados por vários dias. Nas redes sociais, gregos insatisfeitos com o resultado das negociações falam em "golpe de Estado", estimando que o governo grego fez concessões demais aos europeus.


Então, do ponto de vista do cansado premiê grego, Alexis Tsipras, foi alcançada a reconquista da soberania grega porque o governo grego conseguiu "estancar a transferência de recursos públicos para o exterior". Ele se refere a esta outra parte da informação RFI no MSN:


Um fundo de ativos gregos de 50 bilhões de euros, que vai ser a garantia do novo empréstimo, será baseado em Atenas. Os bancos gregos, capitalizados pela União Europeia, irão financiar a metade dos recursos desse fundo; a outra metade virá dos recursos arrecadados com as privatizações e investimentos privados.


Bom, um amigo, que mora na França, me informa que os bancos gregos possuem participações em bancos de diversos países fora do euro mas importantes do ponto de vista geopolítico e que a Grécia entrou para o euro de forma maquiada pelos gregos e por parte das autoridades do euro interessadas nas dracmas acumuladas nos bancos gregos que funcionavam como paraísos fiscais para os europeus, ou seja, o interesse era a "repatriação" via transformação das dracmas acumuladas em euros. Me disse que a extrema-direita está falando que hoje o que se viu foi um cerimonial de sacrifício da soberania grega. Perguntei o que ele achava do seguinte: Estão empurrando a Grécia para uma condição de ressentimento similar à da Alemanha hitlerista? Ele concordou. Então, sugeri que a União Européia é quem mais perde com esta situação e que a extrema-direita irá crescer e com isso Putin se fortalecerá e a questão da Ucrânia poderá favorecer a Rússia, a qual, por sua vez, se livraria do boicote econômico que vem sofrendo dos EUA e da União Européia. Mas, o que é uma União Européia de extrema-direita?! Para escapar dessa situação, perguntei se ainda seria possível para o premiê grego romper por completo com a política de austeridade dos credores? Não ficou clara a opinião dele (PS: Lembrei: disse a ele que "a história só se repete como farsa", ou seja, é muito provável que essas comparações com os temores do passado sejam pura ilusão, farsa"), mas lendo novamente o MSN encontrei esta passagem na informação RFI:


O acordo pode ser considerado uma vitória política do presidente francês François Hollande, que atuou como mediador entre o governo grego e a Alemanha. A chanceler Angela Merkel liderou um grupo de dez países que durante todo o final de semana fez pressão sobre a Grécia. O governo alemão chegou a propor uma saída temporária de Atenas da zona do euro.


Quem quer a saída da Grécia da zona do euro é a Alemanha, então a ruptura do premiê grego seria precisamente o que quer a Alemanha. Fora da zona do euro a Grécia teria sua soberania com dracma e calaria a extrema-direita ou faria a extrema-direita querer favorecer a saída da zona do euro!? Mas, fora da zona do euro a Grécia ainda interessaria os europeus como paraíso fiscal? Sem euros e tendo de recuperar o valor (dos ou das?) dracmas a Grécia padeceria menos ou padeceria mais? Ao que tudo indica o premiê grego considera que padeceria mais e, por isso, faz de tudo para permanecer na zona do euro.


É muito difícil compreender, avaliar e contar a história real.


Abaixo o texto completo do MSN Notícias, fonte RFI:


RFI - ‎segunda-feira‎, ‎13‎ de ‎julho‎ de ‎2015

Grécia fecha acordo para se manter no bloco europeu após 17 horas de negociações 







Após uma maratona de mais de 17 horas de negociação, que atravessou a madrugada, os líderes da zona do euro chegaram a um acordo sobre a Grécia. Segundo o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, o acordo foi fechado por unanimidade pelos 19 países que compõem o bloco monetário.
O compromisso abre caminho para a negociação de um terceiro plano de resgate à Grécia de cerca de 80 bilhões de euros nos próximos três anos e mantém o país na zona do euro. O novo empréstimo será constituído de fundos do Mecanismo Europeu de Estabilidade financeira e do Fundo Monetário Internacional (FMI). O acordo inclui um projeto de investimentos de 35 bilhões de euros e vai permitir a reestruturação da dívida grega a médio prazo.
O acordo pode ser considerado uma vitória política do presidente francês François Hollande, que atuou como mediador entre o governo grego e a Alemanha. A chanceler Angela Merkel liderou um grupo de dez países que durante todo o final de semana fez pressão sobre a Grécia. O governo alemão chegou a propor uma saída temporária de Atenas da zona do euro.
Medidas draconianas
Segundo Hollande, a Alemanha e outros países queriam garantias de que o governo grego vá cumprir suas promessas. Ficou acertado que o Parlamento grego deve se reunir nas próximas horas para adotar um novo programa draconiano de reformas, que inclui aumento de impostos, cortes e mudanças no sistema de pensões, além de privatizações. Um fundo de ativos gregos de 50 bilhões de euros, que vai ser a garantia do novo empréstimo, será baseado em Atenas. Os bancos gregos, capitalizados pela União Europeia, irão financiar a metade dos recursos desse fundo; a outra metade virá dos recursos arrecadados com as privatizações e investimentos privados.
Hollande explicou que o objetivo do acordo é permitir à Grécia fazer reformas, ganhar em competitividade e ter crescimento no futuro. Hollande disse que acordo foi um teste para a solidez das relações entre França e Alemanha. Segundo ele, "não foi fácil para o premiê grego Alexis Tsipras. "Ele aceitou porque precisa do dinheiro", afirmou Hollande. Para o chefe de Estado francês, o acordo foi uma demonstração de solidariedade entre os europeus.
Maratona de negociações
Com a fisionomia cansada pela maratona de negociações, o premiê grego, Alexis Tsipras, disse que a Grécia reconquistou sua soberania com esse acordo. "O compromisso permite à Grécia captar novos investimentos para sair da recessão e evitar a falência do sistema bancário grego", afirmou. "Foi difícil obter o acordo, mas nós conseguimos estancar a transferência de recursos públicos para o exterior e obter uma reestruturação da dívida grega", acrescentou Tsipras. O premiê disse que o combate foi duro até o fim, mas o compromisso encontrado garante a estabilidade financeira e a retomada do crescimento na Grécia.
Até quarta-feira, o Parlamento grego deverá votar o novo programa de austeridade. Os bancos do país continuarão fechados por vários dias. Nas redes sociais, gregos insatisfeitos com o resultado das negociações falam em "golpe de Estado", estimando que o governo grego fez concessões demais aos europeus.



Nenhum comentário: