quarta-feira, 22 de julho de 2015

Não sei se sei




É muito curioso que um diga que o importante é mudar o mundo e pareça ser sempre o mesmo, quer dizer, imutável na sua coerência de mudar o mundo. Também é muito curioso que outro que diga que o importante é transvalorizar todos os valores pareça ser sempre o mesmo e igualmente imutável na sua coerência de interpretar de forma diferente todos os valores.


No entanto, é notável que o mundo pareça mudar para aquele que só se importa com o mudar o mundo e também é notável que os valores pareçam ser interpretados de forma diferente por aquele que só se importa com transvalorizar ou interpretar os valores de forma diferente.


O mundo parece mudar ao criar sindicatos e partidos de trabalhadores. Os valores parecem transvalorizados/interpretados de forma diferente quando quem é internado e tratado como louco valoriza "a grande solidão da grande saúde".


É curioso que se pense que um foi bem-sucedido com seu foco no mudar o mundo e que o outro foi maldito com seu foco no transvalorizar/interpretar os valores de forma diferente. É curioso porque a revolução comunista do revolucionário tal qual ele a concebia como bem-sucedida não aconteceu até hoje, enquanto que ocorreu precisamente aquela tal qual ele previu que seria maldita. E também é curioso que a tragédia do trágico tal qual ele a concebia como bem-sucedida ocorreu precisamente com ele, enquanto que nenhuma tragédia dos valores até hoje conseguiu trazer à tona o trágico super-humano tal qual seu criador.


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O que efetivamente importa é que nenhum deles parece possuir um pensamento e uma vida livres e mutáveis, porque parecem ser vidas e pensamentos de prisioneiros imutáveis. Ambos se colocam diante do vir a ser e para um assumir o vir a ser é trans-formar o mundo, já para o outro assumir o vir a ser é trans-valorar os valores. A escolha de ser através do dar forma ao mundo e a escolha de ser através do dar valoração aos valores. Um quer converter o mundo, o outro quer subverter os valores.


Quem quer que use a história de sua vida para se perceber consegue encontrar em si mesmo apenas desconhecimento, estranhamento e mutação?!


Tendo a crer que não e que quem faz isso tende a encontrar em si mesmo apenas conhecimento, familiaridade e imutabilidade.


E daí?! Talvez, continue ecoando em tudo isso e em todos eles o seguinte: "Sei que nada sei!"


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