sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

"Correção" ou "Crítica" da "Autocrítica"





Como eu mudo as circunstâncias nas quais me encontro e como me autotransformo? Eu posso até responder isso recorrendo à minha história, mas aí tenho de admitir que "mudei minhas circunstâncias" mas não as próprias circunstâncias [até aqui tudo bem] e que "minha autotransformação" foi num outro que apenas "parece ser eu" mas que, na verdade, "essencialmente não sou eu" [aqui é que algo não soa bem, porque se quero dizer que "minha autotransformação" é num outro que apenas "aparenta ser eu", então é melhor dizer que "minha autotransformação" foi só da aparência, mas que na essência não me autotransformei, pelo contrário, me conservei inalterado, logo, essencialmente não me autotransformei e, portanto, não me autotransformei de modo algum e, por isso "minha autotransformação" é meramente aparente, é uma farsa]. Nesse caso, eu não mudei as circunstâncias nem me autotransformei [essencialmente não, mas aparentemente sou outro] e sim fui mudado das circunstâncias e fui auto-deformado pela alienação da essência [fui auto-deformado pela capacidade de mudar exclusivamente a aparência e não fui alienado da essência e sim da capacidade de mudar a essência, logo, da capacidade da própria essência de mudar a si mesma e, por isso, alienado da minha capacidade de autotransformação essencial, autêntica]. Logo, vale perguntar de novo. Como eu mudo as circunstâncias para as quais fui mudado e como eu autotransformo a essência da qual fui alienado [a essência de cuja capacidade de mudança fui alienado] e auto-deformado [por só ser capaz de mudar a aparência]? Se ainda existe algum eu essencialmente eu mesmo [sim existe um eu essencialmente eu mesmo aprisionado na imutabilidade], então, infelizmente, é apenas uma abstração desencarnada [sim no sentido de não mudar a essência encarnada e não por manter imutável a essência encarnada], quer dizer, fora de mim [sim se se considera o eu aparente e não se se considera a imutabilidade essencial dentro de mim] e sem capacidade de vir a ser encarnadamente eu mesmo [essencial] (e) com capacidade de igualmente mudar as circunstâncias em geral.


A autotransformação que importa é a autotransformação da essência e pelo que pude perceber do que expressei é a minha falha, o meu defeito, o que significa também dizer que concebo a essência como algo isolado, abstrato, a priori e imutável em mim. Superar a minha falha, o meu defeito é admitir a autotransformação da essência e isso significa concebê-la como algo em conjunção, em contexto, socializado, concreto, a posteriori e mutável em mim, ou seja, significa dizer que a essência muda e que a autotransformação da essência é a mudança da essência, logo, que a verdadeira mudança histórica é a mudança subjetiva, quer dizer, a mudança da essência e, mais ainda, que é esta mudança que ainda não ocorreu no sistema capitalista. Noutras palavras, até agora só foram empreendidas mudanças capitalistas ou mudanças na esfera do Estado, do poder político mas não mudanças na esfera Social Humana, do poder da humanidade social.

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