domingo, 4 de janeiro de 2015

Consciência: Dos estados alterados de consciência aos fluxos alterados de realidade




Esta história do interdito sair de sua condição de interdito para a de liberto por meio da consciência de sua condição de interdito é mais uma das belas fábulas a respeito da passagem da filosofia para o mundo, quer dizer, passagem da filosofia da sua prisão no conceito para sua libertação na realidade mundana ou sua realização na liberdade do mundo.


Se trata sim duma bela fábula porque por meio da consciência de interdito no conceito ele só passa à condição de consciência de liberto na positividade, isto é, passa duma condição da consciência a outra condição da consciência e a consciência não é nada além de conceito, logo, passa de um conceito a outro conceito e, assim, permanece numa mesma realidade comum, numa mesma comunidade, quando consegue fazer uma alteração nas condições da consciência de modo que uma consciência é aquela que se conecta com o interdito e a outra aquela que se conecta com o liberto e de modo que a consciência deixa de ser a do conceito interdito e passa a ser a do conceito liberto, logo, foi o conceito que saiu de sua condição de sonho interdito, abstrato, racional para entrar na sua condição de sonho liberto, concreto (concretizado), real (realizado). Então, apenas saiu dum estado de consciência para outro estado de consciência e se trata apenas de viver em novos estados ou em estados alterados de consciência, certo?


Sim se trata exatamente disso quando concebemos a falha como mera falha do conceito e, desse modo, podemos inclusive recorrer a drogas ou medicamentos que, alterando a falha do conceito, quer dizer, da consciência, permitem que vivenciemos a alteração da falha enquanto estamos sob o efeito das drogas ou medicamentos. Mas e se concebermos a falha como falha da positividade? Ou seja, a condição do interdito é uma condição real e a consciência desta sua condição é a consciência de que o obstáculo para alcançar a sua condição de liberto está posto pela realidade de modo que é preciso mudar a realidade para chegar a alcançar a condição de liberto. Porém, mesmo aí é a consciência, da realidade como obstáculo ou falha, que impede desfrutar da condição de liberto, que permanece sendo o meio de saída da condição de interdito para a de liberto, e, para ser meio efetivo, a consciência do interdito precisa se voltar para a modificação da realidade e isto só é possível quando esta consciência da sua condição de interdito em razão da realidade não mais se restringe à sua condição de interdito e lança sua consciência no embate, no conhecimento, na crítica e na mudança da realidade de modo que alterando a realidade vai liberando o conceito e a consciência de sua condição de interdito ao mesmo tempo que vai adquirindo o conceito e a consciência de sua condição de liberto.


Mas, aqui e agora, ainda é fabulando que a consciência da condição de interdito busca modificar a realidade de interdito para abrir a possibilidade da realidade de liberto que constrói ou adquire a consciência da condição de liberto. Nesse outro aspecto, da fábula, a suposição do conceito ou da consciência está inteira na possibilidade de viver estados (melhor, fluxos) alterados de realidade e não tão somente estados alterados de consciência.

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