quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Diferenças entre as filosofias da Sociedade do fetiche e da essência subjetiva!?!?




"Enquanto Demócrito, insatisfeito com a filosofia, se lança nos braços do saber empírico, Epicuro despreza as ciências positivas; porque elas não contribuem em nada para a verdadeira perfeição."


A filosofia da Natureza dos dois, ainda que compartilhando dos mesmos princípios, os átomos e o vazio, só pode ser muito diferente. Demócrito se dedica a buscar a explicação da existência real das coisas para compreendê-las e Epicuro aceita toda e qualquer explicação da existência real das coisas desde que nenhuma contradiga a percepção sensível porque só com sua filosofia ou pensamento estando livre de contradição pode alcançar sua finalidade que é "a ataraxia da consciência de si e não o reconhecimento da natureza em si e para si". Demócrito considera os átomos e o vazio como os princípios verdadeiros mas considera impossível conhecê-los realmente como possibilidade de conhecimento real e só considera possível o conhecimento real dos objetos sensíveis da aparência subjetiva. Epicuro também considera os átomos e o vazio como os princípios verdadeiros mas considera possível conhecê-los abstratamente como possibilidade de conhecimento abstrato já que considera possível o conhecimento abstrato da essência subjetiva dos objetos sensíveis. Um desenvolve a filosofia da Natureza como saber positivo e erudição, o outro desenvolve a filosofia da Natureza como saber filosófico e autodidata. Mas todo o saber positivo e erudição de Demócrito são apenas desenvolvimento da aparência subjetiva, do fetiche e não dos princípios verdadeiros da filosofia da Natureza. Enquanto que todo saber filosófico e autodidata de Epicuro são apenas desenvolvimento da essência subjetiva, da intimidade mesma dos princípios verdadeiros da filosofia da Natureza. Certamente que o leitor já percebeu a similitude da prática científica positivista e erudita de Demócrito com aquela exposta por Marx em "O Capital" como produção do valor e do fetichismo da mercadoria, mais ainda, como expropriação de todo trabalho vivo pelo trabalho morto, quer dizer, como instituição do viver como sendo exclusivamente tempo de trabalho. Por outro lado, viu também na prática científica filosófica e autodidata de Epicuro a crítica de Marx à produção do valor e do fetichismo da mercadoria, mais ainda, viu aí toda a supressão do trabalho morto pelo trabalho vivo, quer dizer, viu a instituição do viver como sendo exclusivamente tempo de prazer ou, como Marx denomina mais claramente, tempo livre.


As diferenças entre as filosofias da Natureza de Demócrito e de Epicuro são uma visão prévia das diferenças entre as "filosofias" da Indústria, melhor, da Natureza ou Sociedade Industrial dos capitalistas e dos trabalhadores.


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