sábado, 10 de janeiro de 2015

A Violência ou a Gentileza? É Parteira ou Aborteira? Da História ou da Estória?




Existe uma frase famosa de Karl Marx que diz: "A violência é a parteira da história!". Mas, cabe perguntar: "A gentileza é a aborteira da história?!".


Toda a violência que sistematicamente vemos se desenvolver cada vez mais organizada no mundo sob as roupagens de fundamentalismo islâmico e que começa lá atrás nos EUA com os eventos de assassinos que matam à esmo e, em seguida, se matam, é uma violência parteira da história?


É com essa violência que, primeiro, os soldados dos EUA fizeram as guerras, depois, introduziram na sociedade dos EUA os assassinos em série que se suicidam e, finalmente, com essa violência foram treinados os guerrilheiros islâmicos em luta contra os soviéticos no Afeganistão, certo?! Mas, é essa a violência parteira da história?! É por meio desta violência e contra ela que se faz a história?! Mas, o que se faz com ela é um parto ou um aborto da história?!


Quando se estabelece esta violência como o inimigo mundial do estado de direito, das liberdades, da democracia e da civilização, então se está promovendo um parto da história duma civilização cada vez mais baseada no estado de direito, cada vez mais praticante das liberdades e da democracia?! Esta violência é o inimigo desejável e necessário para que ocorra o parto mundial do civilizado estado de direito praticante das liberdades democráticas?! Se for assim, então, uma vez superada a violência deste inimigo fica consolidado este civilizado estado de direito das liberdades democráticas ou, sem a violência deste inimigo, toda a solidez deste civilizado estado de direito das liberdades democráticas se dissolve no ar?! Mas, nesse último caso, a dissolução ou aborto dá origem a que parto?! É o da anarquia?! Qual?! O que aparece no lugar: A gentileza?! Outra violência?!


Democracia versus despotismo não só dizem, mas a história é contada assim e com uma divisão localizada no mediterrâneo entre ocidente e oriente, Grécia e Pérsia, tentativa de unidade, respectivamente, com o Império de Alexandre e com o Império Romano, mas novamente com as suas divisões em Satrapias e em Impérios Romanos do Ocidente e do Oriente, bem como em Igreja Apostólica Romana e Igreja Ortodoxa Grega, finalmente, o Islamismo também constituiu um Império que trouxe o Aristotelismo para o Ocidente e, com ele, a fecundação, a gestação e o parto do Renascimento Ocidental. Então, o Islamismo é a terceira influência oriental mediterrânea sobre o ocidente. A primeira seria o Hebreísmo que teria conquistado direito de cidadania no Ocidente devido às suas importantes práticas econômicas. A segunda seria o Cristianismo que teria conquistado não só o direito de cidadania mas também o próprio Poder do Império Romano. Já a terceira seria o Islamismo que teria conquistado o direito de cidadania da filosofia e do pensamento no Ocidente com a criação e proliferação das universidades da Igreja se abrindo para as pesquisas que originam o tomismo, a escolástica e o Renascimento e, a partir dele, a Reforma, o Iluminismo etc.


Sociedade Civil versus Estado seria a descoberta de Marx ao estudar Hegel que o levou ao Socialismo e Comunismo versus Capitalismo, isto é, à descoberta e afirmação de um processo histórico de passagem da Sociedade Civil Inacabada com Estado Acabado para a Sociedade Civil Acabada sem Estado. Para Gramsci esta seria uma característica do movimento histórico do Ocidente que possui uma Sociedade Civil Inacabada Forte e Desenvolvida com um Estado Acabado e, por isso, Liberal e Democrático, mas o processo histórico seria diferente no Oriente porque possui uma Sociedade Civil Inacabada Fraca e Não-Desenvolvida com um Estado Inacabado e, por isso, Absolutista e Despótico. No entanto, Marx teria chamado a atenção para o seguinte problema: Um processo histórico de passagem ao Socialismo e Comunismo por meio do Estado Inacabado, Absolutista e Despótico teria por resultado chegar ao Estado Acabado, Liberal e Democrático duma Sociedade Civil Inacabada Forte e Desenvolvida, ou seja, conduziria ao retorno do Capitalismo e não ao Socialismo e Comunismo porque estes precisam chegar a uma Sociedade Civil Acabada e sem Estado. No entanto, também não é esta a atualidade com a qual co-incidem tanto a tese do Socialismo de Mercado da Europa e da China quanto a tese do Mercado Máximo e do Estado Mínimo do Neoliberalismo-Globalização/Democracia Liberal como Fim da História?!


O terror fundamentalista, seja ele religioso ou não, seja islâmico, judaico, cristão, pagão etc., seria uma tendência prisioneira daquilo que se pode chamar de Eterno Retorno, ou seja, ainda que sua Vontade estivesse inteiramente voltada para a implantação do Socialismo e do Comunismo o resultado da sua intervenção seria conduzir ao retorno do Capitalismo por ser basicamente representante duma Sociedade Civil Inacabada Fraca e Não-Desenvolvida com um Estado Inacabado Absolutista e Despótico.


Então, nesse sentido, o combate e a vitória sobre o terror fundamentalista seria prisioneira daquilo que se pode chamar de Vontade de Poder, ou seja, ainda que sua Vontade de Poder fosse a da implantação dum poderoso Estado este permaneceria sendo um Estado Acabado duma Sociedade Civil Inacabada Forte e Desenvolvida prestes a se tornar uma Sociedade Civil Acabada e sem Estado.


O Islamismo trouxe para o Ocidente as sementes que o fizeram desenvolver o tal Estado Acabado, Mínimo, Liberal, Democrático, enfim, a ruptura com o Estado Religioso. Ou seja, para o Ocidente a novidade do Islamismo foi o reavivamento do Poder Secular, logo, o contrário daquilo que o chamado fundamentalismo islâmico defende e propõe para o mundo o Poder Fundamentalista Religioso. O Islamismo influenciou o movimento dos ocidentais a favor da separação entre a Igreja e o Estado. O Islamismo pode ser considerado como a fonte parteira da história ocidental da separação entre a Igreja e o Estado, ou seja, o Islamismo para o Ocidente foi a inspiração de tudo aquilo que ele hoje mais defende e que para os terroristas do fundamentalismo religioso islâmico representa aquilo que eles mais desprezam e querem aniquilar: As liberdades, a democracia, o estado de direito, a civilização. A história é irônica. Por qual motivo? Gentileza ou violência? E o que ela quer? Parto ou Aborto?



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