sábado, 24 de janeiro de 2015
"(...) entrar no detalhe (...)"
"(...) Liberando o mundo da não-filosofia estas consciências se liberam elas mesmas da filosofia que, enquanto sistema determinado, as acorrentava. (...)"
Liberar o mundo da não-filosofia é a atividade do partido do conceito, logo, de Epicuro. O ponto culminante e decisivo no qual pode ocorrer esta liberação é aquele que Marx chamou de forma de reflexão e disse que a forma de reflexão de Epicuro é a liberdade e a determinação do acaso. Por outro lado, a forma de reflexão de Demócrito é a necessidade e a determinação do destino ou o determinismo e se voltar contra a filosofia mantendo prisioneiro o mundo da não-filosofia é a atividade do partido positivista.
"(...) Mas como elas mesmas só são concebidas no ato e na energia imediata do desenvolvimento e, do ponto de vista teórico, não ultrapassaram ainda este sistema, então elas só se ressentem da identidade-consigo-mesmas em contradição plástica com o sistema e não sabem que se voltando contra ele (aprofundando este ressentimento) elas só realizam efetivamente os diversos momentos dele. (...)".
Na forma de reflexão, liberdade e acaso versus necessidade e destino, são duas direções de um sistema que realizam este sistema de forma antagônica. A liberdade e o acaso dirigem o sistema para uma realização que efetivamente se liberta, supera e suprime o sistema de seu horizonte. A necessidade e o destino dirigem o sistema para uma realização que efetivamente se aprisiona, disciplina/obedece e eterniza o sistema no seu horizonte. A liberdade e o acaso são morte do sistema e vir a ser da vida (vontade vital). A necessidade e o destino são morte da vida (vontade vital) e eterno retorno do sistema.
Aí na compreensão deste tese de Marx sobre Demócrito e Epicuro está presente a compreensão das duas direções, a da necessidade-destino e a da liberdade-acaso, que ele vê se enfrentando no capitalismo e que ele usa para desenvolver no embate do reino da necessidade-destino burguesa capitalista versus o reino da liberdade-acaso proletária comunista. Ou seja aí nesta tese, mais especificamente, na segunda parte dela, se encontra não só "a chave da verdadeira história da filosofia grega" mas também da verdadeira história do pensamento de Marx da passagem do reino da necessidade para o reino da liberdade. Ora, é precisamente esta passagem que até hoje ninguém em parte alguma conseguiu realizar de modo que permanecemos no eterno retorno do sistema no qual a necessidade-destino reina como fim da história objetiva. Quando e como se realiza o vir a ser da vitalidade no qual a liberdade-acaso reina como continuidade da história subjetiva?
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