terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Ser ou não-ser e/ou ser e não-ser?! Interpretação ou vir a ser?!




Quem sou? Eu sou eu?! Eu não sou outro?! Eu sou não-eu?! Eu não sou não-eu?!


Descartes defende o "eu penso, logo existo", então, eu sou pensamento, consciência, mas um outro qualquer, mesmo antes de Freud, acrescenta ser também os pensamentos involuntários e inconscientes. E este outro pode ser, até mesmo, o próprio Descartes às voltas com o pensamento que não é dele e sim do "gênio maligno" e ao enfrentar o problema deste pensamento dum outro, o "gênio maligno", Descartes encontra a solução admitindo um outro efetivamente criador que lhe dá o direito de ser e ter seu próprio pensamento, logo, de ser o tal "eu penso, logo existo" ou o "eu sou eu" e este outro é o "bom Deus".


Kant defende que o eu só pode conhecer o fenômeno, mas não a essência, melhor, o númeno. O conhecimento é o acesso da razão pura aos sentidos a priori de modo que tudo que é sensivelmente percebido é o fenômeno dos sentidos a priori, quer dizer, é aquilo que os sentidos projetam como um véu, cobertura, invólucro, envelope sobre as coisas e, assim, não podemos conhecer as coisas como elas são em si. Porém, por outro lado, a crença é o acesso da razão prática às coisas em si insensíveis, invisíveis, abstratas de modo que por meio dela se expressam, são criadas e, enfim, são praticadas as hipóteses/crenças a respeito dos númenos/essências, melhor e mais claramente, a respeito das coisas tais como elas são em si mesmas.


Hegel, partindo da razão pura de Kant, desenvolve a "fenomenologia do espírito" ou o conhecimento do fenômeno até chegar ao espírito que é o númeno ou a essência, por isso, ele defende o saber absoluto ou o conhecimento da coisa tal qual ela é em si em oposição a Kant que defendia a impossibilidade de conhecer a coisa tal qual ela é em si.


Schopenhauer, partindo da razão prática de Kant, desenvolve a crença no "mundo como vontade e representação" ou o acesso da vontade às coisas tais como elas são em si, mas a vontade é irracional ou se impõe à representação racional, de modo que para a representação racional ela é considerada involuntária, mas, na verdade, ela é a voluntariedade irracional da coisa em si enquanto que a representação é a involuntariedade racional da sensibilidade a priori ou do fenômeno.


Marx, partindo de Hegel, desenvolve a crítica segundo a qual o ser social precede a consciência de si de modo que supõe um desenvolvimento da coisa em si ou ser social até chegar à consciência de si, noutras palavras, parte para uma "fenomenologia do ser social ou material" até chegar à consciência de si e esta não pode ser o critério da coisa ou ser tal qual é em si exceto no caso de ser confirmado pela atividade sensivelmente humana, prática, ou seja, não é na consciência em si nem para si nem mesmo na consciência de si que são a posteriori e sim no ser sensível imediato que se encontra o critério do conhecimento da coisa tal qual ela é em si mesma, de modo que se a consciência a posteriori estiver de acordo com o ser sensível imediato ocorre o conhecimento e se estiver em desacordo ocorre apenas a crença/ideologia, ou seja, é a "materiologia" que permite um acesso e conhecimento do ser tal qual ele é em si ainda que este conhecimento seja acompanhado da crença/ideologia, da perspectiva ou ideologia do ser social especialmente numa sociedade de classes, de modo que o mais científico seria alcançar a perspectiva ou ideologia do ser social duma sociedade sem classes.


Nietzsche, partindo de Schopenhauer, desenvolve a crítica que traz à tona a cisão da vontade em vontade de poder niilista versus vontade de poder criativa.


Freud, partindo da situação psíquica ou da consciência em toda esta busca, desenvolve por meio da psicanálise o conhecimento do outro inconsciente nos sintomas e atos falhos involuntários e em desacordo com o eu consciente.


Então, quem sou eu? Eu sou Charlie?! Eu não sou Charlie?! Eu sou Charlie involuntariamente?! Eu não sou Charlie involuntariamente?!


Será que eu só sou eu quando sou não-eu?! Melhor, para que eu seja eu não basta eu ser voluntariamente eu e/ou não-eu porque eu só posso ser eu voluntariamente quando consigo conhecer e assimilar o outro que eu sou involuntariamente e, desse modo, consigo me transformar num terceiro ser que é o eu consciente de que eu sou eu e não-eu voluntária e involuntariamente?!

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