A mudança de terreno da teoria filosófica para a prática
mundana é anunciada na tese de doutorado numa nota a respeito de Hegel e seus
discípulos. Marx aí comparece como um discípulo que não suspeita do mestre, mas
que, mesmo assim, participa do movimento hegeliano de virada da filosofia
teórica para o mundo prático.
Marx desenvolve esta sua posição voltada para a prática
mundana na Gazeta Renana. E é aí que vai se deparar com a necessidade de
aprofundar essa virada da filosofia para o mundo ao enfrentar os problemas da
vida material, quer dizer, ao enfrentar problemas que descobre que são antes do
mundo prático do que da filosofia teórica, logo, problemas para os quais a
virada completa da filosofia teórica para o mundo prático vão até à dissolução
completa da filosofia teórica e à constituição completa do mundo prático, ou
seja, são problemas que se encontram além do limite da filosofia teórica e só
são solucionados no outro terreno que é o do próprio mundo prático. Com isso
ele descobriu que o Estado e as formas jurídicas podem ser completamente
dissolvidos na Sociedade Humana sem que esta deixe de continuar sendo o
espaço-tempo do mundo prático, sem que esta deixe de existir e seja dissolvida
no vazio e/ou em átomos e vazio. E isto porque nesse processo de dissolução
completa da filosofia teórica, do Estado e das formas jurídico-políticas o
movimento de virada para o mundo prático se desenvolve até à constituição da
sua autonomia como consciência de si do mundo prático.
Mas, os problemas da vida material e/ou do mundo prático
além da vida espiritual e/ou da teoria filosófica que apareceram e foram
elaborados por Marx como indo além de todo Estado e de todas as formas
jurídico-políticas são problemas que apareceram numa outra disciplina teórica
que é a da economia política, logo, são problemas oriundos da vida material do
mundo prático que alcançaram representação na vida espiritual da
teoria filosófica. Sendo assim a virada para a vida material do mundo prático
também passa pela crítica da vida espiritual do mundo teórico da economia
política, quer dizer, passa pela crítica dos problemas da vida
material do mundo prático que alcançaram representação na vida espiritual da
teoria filosófica da economia política. Então, é nesse plano que a vida
material do mundo prático se encontra com a vida espiritual da teoria
filosófica para desenvolver os acordos e as trocas bem como os desacordos e as
lutas entre ambas as vidas. Portanto, também é aí numa mesma esfera sistêmica,
a da economia política, que se enfrentam duas posições antagônicas, uma que defende
o eterno retorno do sistema da economia política e a outra que defende a
dissolução completa do sistema da economia política, sendo que a defesa do
eterno retorno da economia política tal qual a defesa do eterno retorno do
atomismo corresponde à posição filosófica (mundana) de Demócrito e de classe da
burguesia capitalista, enquanto que a defesa da dissolução completa da economia
política tal qual a defesa da dissolução completa do atomismo corresponde à
posição (filosófico) mundana de Epicuro e de classe do proletariado
trabalhador.
“Tá tudo muito bem, tá tudo muito bom, mas realmente” como é
a vida material do mundo prático hoje?! E como é a vida espiritual do mundo
teórico hoje?! Como é a economia política hoje, estúpido?!!?
Ver desenvolvimento completo até aqui na postagem "Sujeito real, sujeito prático e sujeito metafísico?!".
Ver desenvolvimento completo até aqui na postagem "Sujeito real, sujeito prático e sujeito metafísico?!".
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