Ao chegar aqui séries de dúvidas aparecem. Para começar tudo que
escrevo e construo parte de fiapos, de leituras muito reduzidas de todos os
autores e sobre todos os autores que ouso colocar em esquemas e sistemas sem quaisquer
garantias de cientificidade, melhor, de expressar um “conhecimento seguro e
indubitável”. Continuando, com uma outra série de dúvidas, olho para mim e vejo
um pretensioso “autodidata” que, na sua solidão especulativa, supõe que está
filosofando, mas não se pergunta de onde vem “seus” pensamentos. Ora, muitos
especuladores solitários já desenvolveram pensamentos que se encontram datados
em obras de filósofos que se caracterizam pela autoria de tais pensamentos, logo,
o mais certo é que eu esteja repetindo, com muita mediocridade, os pensamentos
filosóficos de outros que são grandes autores. Nova série: Meu interesse por
especular me levou a escolher autores e leituras ou foi a escolha de outros que
produzem livros e leituras que dirigiram e determinaram o interesse do “meu”
especular? Afinal, não fui eu quem marcou encontro com Marx, Nietzsche, Kant,
Hegel. Ao contrário, eles se encontravam aí no mundo e chegaram a mim por um
conjunto de relações nas quais se inserem os meus círculos de relações no
âmbito da política e das chamadas modas intelectuais. Afinal, segundo Marx, sou
eu mesmo quem faço a minha a história, mas não a faço como quero, porque “a
tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo” meu cérebro vivo.
Mesmo assim eu especulei se, na verdade, “faço como quero a história dos
outros, mas não a minha própria história”?! Outra série: Eu faço a história?!
Seja a minha, seja a dos outros?! Faço a história como eu quero?! Ou a faço
como os outros a querem?! Mas, se faço a história como outros querem ou quero a
história que outros fazem, então me encontro cindido e, talvez, diante dessa predominância
do destino, eu devesse especular tal qual Nietzsche: Eu preciso querer a minha
história em tamanho grau que eu queira o eterno retorno da minha história. Com
isso, cabe perguntar: O cultivo cindido do destino daquele que faz a história
que não quer e quer a história que não faz permanece sendo um cultivo do
destino tal qual naquele que quer a sua própria história como eterno retorno ou
não?! Supondo que sim, então o que fazemos não é história e é sim destino,
logo, será que efetivamente nos encontramos no fim da história?! E será que
esse fim da história que aparece em Hegel e em Nietzsche também não se encontra
presente em Marx?! A tal da continuidade da história materialista humana de
Marx se caracteriza pela instituição da comuna humana, mas a comuna humana
também não é instituída aí como um fim da história?! Mesmo quando se diz que
sim e se argumenta que é o fim da história da sociedade de classes e o início
da história da sociedade humana fica presente a noção de que a história da
sociedade humana sem classes é uma história do eterno retorno da comunidade
humana sem classes, enquanto que, por sua vez, o eterno retorno da sociedade de
classes é o da sociedade desumana?!
Tudo isso pode ou não pode significar que a história que podemos
fazer se encontra situada num plano no qual o querer que podemos viver e
desenvolver como realização efetivamente nossa é cada vez mais infra estrutural,
ou seja, passou da esfera social do trabalho e da jornada social de trabalho para
a esfera social do indivíduo e do cotidiano social do indivíduo?! Por isso que
teriam aparecido tantas reflexões sobre o micro, o molecular?!
Onde se encontra efetivamente a história que podemos fazer como
queremos e que queremos fazer como podemos?! E se efetivamente encontrarmos uma
tal história poderemos dizer que ela é da passagem do idealismo para o
materialismo, da passagem da racionalidade para a realidade?! Porém, estando
limitada às suas condições possíveis de realização efetiva, de materialização,
ela ainda permanece sendo mudança contínua da história ou sendo eterno retorno
do desenvolvimento da interpretação (conhecimento absoluto) do fim da
história?!
Existe efetivamente um autor, melhor, sou mesmo eu quem pensa e
escreve isso aqui e agora?! Fim da história, eterno retorno ou mudança da
história?!:
“... o buraco é mais embaixo!...”
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