O que vemos nessa prática da consciência de si humana comum
emancipada/liberta do atomismo e da filosofia da natureza na tese sobre os
materialistas gregos é a conquista da consciência de si materialista humana
comum, ou seja, vemos aí Marx conquistar e afirmar seu materialismo como
consciência de si ou afirmar e conquistar sua consciência de si materialista.
A partir daí podemos entender que não só tenha permanecido
fiel ao que, na "Carta ao Pai", ele dizia que nunca abandonaria e que era um
plano de publicar um jornal, mas que, em seguida à tese de doutorado, tenha se
tornado primeiro redator e depois chefe de redação/editor da “Gazeta Renana”.
Já na “Carta ao Pai” se manifestava sua consciência de si materialista duma
humanidade comum que através do iluminismo, da ilustração e esclarecimento
poderia vir a se emancipar/libertar do idealismo no qual não só ela como também
sua própria consciência de si materialista se encontravam imersas.
Marx, nesse primeiro momento do desenvolvimento de sua
consciência de si materialista, traz as afirmações e conquistas da consciência
para si idealista do seu plano filosófico idealista para o plano prático
materialista. Seus feitos são textos que, aplicando as conquistas do idealismo
às intervenções do Estado nas atividades cotidianas do jornal, denunciam um Estado que
ignora a si mesmo e que está na posição de aprender, com seus textos críticos,
a conhecer a si mesmo, ou seja, ele leva, com seus textos, todos,
leitores e Estado, à persuasão de que um Estado consciente de si aplicaria
efetivamente, e, desse modo, realizaria e materializaria, as afirmações e
conquistas da consciência para si filosófica. Nesse primeiro momento, sua atividade é efetivamente a de um jovem hegeliano de esquerda, quer dizer, a de
um jovem materialista hegeliano ou a de um hegeliano que trata de realizar
materialmente na prática social a racionalidade do idealismo hegeliano que
permanece na filosofia.
Porém, em muito pouco tempo, Marx passa, num segundo momento
do desenvolvimento de sua consciência de si materialista, não só a trazer as
afirmações e conquistas do plano da filosofia idealista para o plano da prática
materialista, passa não só a persuadir seus leitores e parte do Estado a se
entregar à prática e realização do desenvolvimento do espírito, quer dizer,
passa não mais a tão somente persuadir os leitores e funcionários do Estado a
realizar efetivamente o Estado perfeito, porque percebeu que a realização do Estado perfeito e/ou do desenvolvimento perfeito do espírito e/ou do desenvolvimento
do espírito perfeito permanece sendo realização plena da idealidade, do
princípio da idealidade, logo, a realização plena do princípio da idealidade
também é o desenvolvimento do estado de necessidade ou da carência de
realização plena do princípio da sensibilidade. Ele descobriu então, nesse
segundo momento, que a realização efetiva do sistema idealista promovia um
avanço no desenvolvimento do Estado e de suas relações com a sociedade, avanço
este que poderia se caracterizar pela conquista do Estado perfeito [o Estado
democrático da plena liberdade política] para a sociedade continuamente
imperfeita e que recorre continuamente ao Estado perfeito [Estado democrático
da plena liberdade política] para se aperfeiçoar e, desse modo, permanece em
eterno retorno da carência de realização de seu princípio da sensibilidade,
permanece em eterno retorno do seu estado de necessidade (reino da
necessidade). Ele descobriu que a consciência de si materialista não fica
satisfeita nem realizada apenas com a realização efetiva ou materialista do
idealismo porque ela só pode ficar satisfeita e realizada de verdade é com a
realização efetiva e materialista do seu princípio da sensibilidade, com a
realização efetiva e materialista do seu próprio materialismo, da sua própria
consciência de si materialista, com a realização efetiva da consciência de si
do seu próprio princípio da sensibilidade. Então, sua consciência de si
materialista só fica satisfeita e realizada com a materialização e realização
efetiva da sociedade perfeita, melhor, da sociedade em estado livre ou em
contínua plenitude de realização de seu próprio princípio da sensibilidade, de
seu próprio materialismo da sociedade em estado livre, melhor, da sociedade
livre do Estado, da livre associação social, da sociedade da liberdade (reino
da liberdade). Ele descobriu que sua consciência de si materialista não fica
satisfeita com a simples realização efetiva e aplicação práticas do idealismo e
quer e precisa ir além nesse processo de realização efetiva. E descobriu que esse além da sua consciência de si materialista é a supressão do idealismo
realizado efetivamente por meio do desenvolvimento do processo de realização
efetiva da consciência de si que é a materialização da supressão do idealismo
realizado. Fim do Estado e da Sociedade Civil e início da Sociedade sem Estado
Político e sem Estado Civil, logo, início da Sociedade Humana Comum, da
Sociedade sem Estado e sem Classes e sem quaisquer outras Discriminações,
enfim, início da Sociedade da Comunidade Humana, início da Sociedade da Humanidade
Comum, início da Sociedade Comunista, início da Sociedade Humanista. Desse
modo, sua consciência de si materialista passou a considerar toda a história
anterior como uma história pré-humana e/ou carente de materialismo humano,
melhor, carente de materialização humana.
Feita esta descoberta geral, nesse segundo momento do
desenvolvimento de sua consciência de si materialista, de acordo com a qual,
não basta criticar o Estado e a Sociedade Civil por meio da realização do que
foi conquistado pelo idealismo, logo, não basta aperfeiçoar o desenvolvimento
do Estado Político e da Sociedade Civil, ele percebe que precisa mudar do
terreno do idealismo para o do materialismo, melhor, que precisa mudar do
terreno das criações espirituais do Estado Político em suas relações com a
Sociedade Civil para o terreno das criações materiais da Sociedade Civil em
suas relações materiais com o Estado Político. Se, no primeiro momento, o
desenvolvimento da consciência de si materialista trazia o sistema filosófico
idealista à realização mundana e, no segundo momento, o desenvolvimento da
consciência de si materialista trazia à tona a supressão do sistema filosófico
idealista mundanamente realizado, logo, trazia à realização prática efetiva o
comunismo, então, no terceiro momento, o desenvolvimento de sua consciência de
si materialista, que havia feito uma autocrítica com o segundo momento do seu
desenvolvimento, percebeu que na própria Sociedade Civil já existia um sistema
de pensamento que aperfeiçoava o Estado Político a partir do desenvolvimento da
Sociedade Civil e não mais tão só do Estado político, ou seja, percebeu que na
própria Sociedade Civil já existia um pensamento materialista, mas que era
um materialismo
da consciência para si, quer dizer, um materialismo que aperfeiçoava a
Sociedade Civil até à realização efetiva do Estado Político Perfeito ou Mínimo,
logo, um materialismo que chegava até à realização do
idealismo
tal qual o próprio Marx no seu primeiro momento de desenvolvimento. Mas, ainda
assim, era um materialismo que assumia o materialismo e invertia o
processo de realização do idealismo de modo que a
realização do idealismo não era mais uma realização do espírito idealista
e sim da prática ou do trabalho materialista.
Então, no terceiro momento do desenvolvimento de sua
consciência de si materialista, Marx não só percebeu que existia na Sociedade
Civil um sistema materialista como também que este sistema
materialista
culminava
na
realização
do
idealismo,
por isso, percebeu que, tal qual no primeiro momento do seu desenvolvimento,
com tal
sistema poderia ensinar e aperfeiçoar materialmente o Estado
Político nas suas relações materiais com a Sociedade Civil, logo, poderia
ainda, tal qual no segundo momento do seu desenvolvimento, partir
para a supressão material do Estado Político e da Sociedade Civil nas
suas relações materiais mútuas; noutras palavras, descobriu que o terceiro
momento do seu desenvolvimento se faria por meio da crítica
do
pensamento materialista que culminava no idealismo, quer dizer, se faria
por meio da crítica da economia política.
A crítica da economia política seria o terceiro momento do
desenvolvimento da sua consciência de si materialista e um momento que reuniria
os dois outros momentos do seu desenvolvimento da consciência materialista de
si. Porque, por um lado, como economia política seria, tal qual o primeiro momento,
uma crítica que realizaria efetivamente o espírito idealista na prática
materialista, enquanto que, por outro lado, como crítica da economia política
seria, tal qual o segundo momento, uma crítica que realizaria efetivamente a
supressão do espírito idealista na prática materialista. Portanto, a
consciência de si materialista teria encontrado, no terceiro momento do seu
desenvolvimento, na crítica da economia política, a forma de um desenvolvimento
combinado dos dois momentos anteriores da consciência de si materialista, logo,
com isso, a consciência de si materialista pode se entregar ao desenvolvimento
do materialismo e/ou do princípio da sensibilidade que critica a materialidade
da idealidade e/ou critica a materialização do princípio da idealidade do
idealismo.
Passando por todos estes diferentes momentos a consciência
de si materialista de Marx não faria nada diferente do que fez o atomismo
epicurista nos diferentes momentos do seu desenvolvimento na tese de doutorado
de Marx que culmina na dissolução do atomismo e afirmação da consciência de si
humana materialista. A consciência de si materialista de Marx frente ao
capitalismo passaria por diferentes momentos de desenvolvimento até culminar na
dissolução do capitalismo e afirmação da consciência de si comum humana
materialista e/ou na afirmação da consciência de si humana materialista do
comunismo.
A crítica da consciência de si materialista não se faz por
decreto do espírito idealista e/ou do Estado e, quando age assim, a
consequência é o desenvolvimento do espírito e do Estado idealistas, quer
dizer, da Sociedade Civil imperfeita própria do Estado perfeito do idealismo,
por isso, a crítica materialista passa a se fazer como supressão do espírito e
do Estado idealistas e, quando age assim, pretende desenvolver o trabalho e a
Sociedade materialistas, quer dizer, pretende desenvolver a Sociedade perfeita
própria da consciência de si social perfeita do materialismo, mas esta
pretensão duma supressão violenta do espírito e do Estado idealistas pode se
confundir e, em geral, se confunde com uma supressão por decreto, por isso,
aquilo que pretende desenvolver tende a ser, tal qual no primeiro momento, um
maior desenvolvimento do Estado perfeito que traz de volta a Sociedade Civil
imperfeita ainda mais desenvolvida. É aí que o terceiro momento da crítica da
consciência de si materialista se apresenta suficientemente crítico para não se
fazer por decreto nem, portanto, adotando o espírito e o Estado idealistas.
Também se apresenta suficientemente crítico para perceber que não basta nem é
suficiente crer que a supressão violenta do espírito e do Estado idealistas traga
exclusivamente o desenvolvimento do trabalho e da sociedade materialistas, já
que, na verdade, esta supressão violenta se confunde com a tomada do poder do
Estado e seu exercício por decreto. Então, aí no terceiro momento do
desenvolvimento da crítica da consciência de si materialista, ocorre o
desenvolvimento materialista da crítica da economia política, logo, não é
recorrendo ao decreto do espírito e do Estado idealistas que a crítica
desenvolve a Sociedade Civil imperfeita, mas, ao contrário, é desenvolvendo a
própria imperfeição da Sociedade Civil e/ou a sua economia política que a
crítica desenvolve a Sociedade Civil imperfeita. Finalmente, a crítica
da consciência de si materialista se desenvolve tal qual ela própria é, isto é,
como crítica
da Sociedade Civil, ou seja, não se desenvolve como supressão violenta do
espírito e do Estado idealistas e sim como superação materialista do trabalho e
da Sociedade Civil materialistas da economia política, logo, esta superação é
social e/ou uma superação que se faz por meio do desenvolvimento material de
outras condições sociais no interior da Sociedade Civil imperfeita, por meio do
desenvolvimento material de condições sociais perfeitas no interior da Sociedade
Civil imperfeita, portanto, se faz por meio do desenvolvimento de outras condições
sociais que são as que constituem uma sociedade humana perfeita e/ou comum.
Por meio da crítica da economia política se
torna possível modificar socialmente o capitalismo e não apenas politicamente,
quer dizer, se torna possível superar o capitalismo por meio da emancipação
social e não apenas tornar possível a emancipação política por meio da
insuperabilidade do capitalismo.
O terceiro momento do desenvolvimento da consciência de si
materialista de Marx, a crítica da economia política, abre a
perspectiva de compreensão da mudança materialista não mais como uma atividade
do
espírito
e
da
política do Estado idealistas, mas sim como uma atividade do trabalho e da
comunidade associada materialistas, ou seja, a mudança materialista
é
efetivamente uma mudança materialista e não
simplesmente
uma mudança
espiritual
e/ou
política.
Ver desenvolvimento completo até chegar aqui na postagem "Sujeito real, sujeito prático e sujeito metafísico?!".
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