Se o sistema hegeliano do saber absoluto atraiu e atrai quem
quer o saber absoluto e, com isso, conseguiu discípulos nas universidades e,
mais importante, desencadeou um movimento dos discípulos na sociedade civil,
então, o interesse pelo sistema do saber absoluto não se limitou mais a um
saber absoluto do próprio filósofo e professor Hegel e foi de seus alunos
universitários para as iniciativas da sociedade civil e, em especial, para a
imprensa, já que, na tradição alemã, a imprensa é uma invenção alemã (Gutenberg) e, a partir
dela, teve início o movimento protestante de Lutero de leitura e saber diretos
da Bíblia. O sistema do saber absoluto com esta difusão foi se realizando e se
efetivando realmente como sistema de saber absoluto por todo lado. Porém, o
próprio do sistema hegeliano do saber absoluto é a afirmação da contradição, a
afirmação do contraditório, então o aparecimento da contradição e o
desenvolvimento do contraditório no próprio movimento de difusão e realização
do sistema do saber absoluto é próprio do desenvolvimento sistêmico do saber
absoluto hegeliano. E, como Hegel mesmo dizia, a (sua) filosofia começa pelo
Direito, quer dizer, pela afirmação e aceitação do contraditório, assim também
ocorreu, com o movimento de realização efetiva do seu sistema do saber absoluto, o fato de se desenvolver como movimento contraditório, de modo que passou a desenvolver
partes, tal qual ocorre no Direito e, como no Direito, cada uma das partes
advogando a sua posição e, desse modo, veio a desenvolver uma contradição ainda
maior, a qual, por sua vez, está inteiramente de acordo com a coerência do
desenvolvimento do contraditório, da contradição, quer dizer, com o sistema do
saber absoluto hegeliano e que é a seguinte: Com a passagem do sistema
hegeliano do saber absoluto do campo da filosofia, desenvolvido pelo próprio
Hegel, na universidade, para o campo da prática, desenvolvido pelos discípulos, na
sociedade civil, ocorreu uma mudança de terreno e, com ela, a contradição entre
o idealismo do sistema do saber absoluto de Hegel e o materialismo do sistema
do saber absoluto dos discípulos. Com o desenvolvimento dessa contradição entre
o idealismo de Hegel e o materialismo dos discípulos hegelianos também se
desenvolveu a contradição entre o saber absoluto do idealismo e o saber
absoluto do materialismo, de modo que o primeiro, que se encontra inteiramente
realizado por Hegel como idealismo, é visto como inteiramente abstrato, como
pura abstração, enquanto que o segundo, visto como materialismo, ainda precisa
ser realizado concretamente por inteiro. De modo que os discípulos que
permanecerem no idealismo de Hegel, logo, sem desenvolver o contraditório e/ou
a contradição do sistema de Hegel, serão aqueles que acusarão Hegel de cultivar
uma intenção escondida para que seus discípulos não possam desenvolver o seu
sistema, enquanto que os discípulos que saírem do idealismo de Hegel e entrarem
decididos no materialismo, serão aqueles que admitirão não haver nada escondido
no sistema de Hegel, com exceção, é claro, de sua limitação ao idealismo, logo,
também admitirão que o desenvolvimento do sistema hegeliano só poderá vir a se
desenvolver com a mudança de seus discípulos para o materialismo.
Os historiadores da imprensa no Brasil provavelmente são
capazes de fazer um levantamento rápido e eficiente da formação dos jornalistas
que a construíram e, se "o ouvi dizer" de muito tempo atrás não me engana, aposto
que a grande massa dos jornalistas, ao longo dessa história, foi
predominantemente de advogados e, mais precisamente, de bacharéis. A imprensa, no início, era a expressão de partes da sociedade civil, logo, de partidos e de
classes sociais. Houve mudanças nisso tudo. De modo que cabe perguntar para
onde foi a contradição no seu processo de desenvolvimento histórico? Onde ela
predomina na atualidade? Detalhe importantíssimo: Mantido o idealismo do
sistema de Hegel é o Estado o espaço-tempo do saber absoluto, ultrapassado o
idealismo do sistema de Hegel, pelo materialismo que cuida de o realizar
efetivamente, o encontro do saber absoluto passa a ser buscado na sociedade
civil e, nela, nas classes ou classe e nos partidos ou partido que podem ou
pode efetivamente realizar o saber absoluto para todos, por todos e,
especialmente, de todos.
E na atualidade como e onde se encontra esse movimento de
realização efetiva do sistema de Hegel? Ainda é um movimento materialista? Ou
depois do idealismo e do materialismo existe alguma outra posição que precisa
ser assumida pelo movimento para realizar efetivamente o sistema de Hegel?!
A realidade virtual é realização efetivamente materialista do idealismo ou é realização efetivamente idealista do materialismo?! Onde se encontra e como se encontra o movimento de realização efetiva do sistema de Hegel? O que é preciso fazer hoje para realizar efetivamente o sistema de Hegel? Marx falava da emergência do que denominou de intelecto geral e que tinha muito do que hoje aparece na informática, cibernética, internet, realidade virtual etc., então, precisamos saber o que fazer hoje com isso e se isso nos leva a realizar efetivamente o saber absoluto comum de todos?! Ou não passa de uma nova forma de continuidade do sistema no idealismo que interdita sua realização efetiva?!
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