terça-feira, 29 de setembro de 2015
Tempo livre & tempo de trabalho na atualidade, em especial, na internet
Como é evidente ainda vivemos num mundo medido pelo tempo de trabalho. Aliás, o mestre Marx dizia que, mesmo quando a produção passa a efetivamente ser medida pelo tempo livre, para o capital o que importa é manter o tempo de trabalho como medida da produção.
Como o capital faz essa manutenção do tempo de trabalho como medida da produção quando a produção se tornou, de forma cada vez mais veloz, medida pelo tempo livre? Aumentando o mercado e a quantidade de trabalhadores que vendem a produção, quer dizer, que conseguem acesso aos produtos se tornando vendedores dos produtos, ou seja, é por meio do tempo de trabalho de venda dos produtos que conseguem acesso ao uso dos produtos. Esses trabalhadores não são produtores diretos dos produtos nem do lucro e da mais-valia, mas são realizadores da venda dos produtos, logo, realizadores do lucro e da mais-valia dos produtos, portanto, podem ser considerados como produtores indiretos dos produtos, do lucro e da mais-valia. Além disso, em sua grande maioria eles são parte do chamado mercado informal e realizam um trabalho informal, logo, participam da sonegação fiscal, da redução do Estado, da ampliação do mercado e do aumento da corrupção. O Estado fica cada vez mais paralisado ao se deparar com massas cada vez maiores de trabalhadores informais, quer dizer, com massas cada vez maiores de praticantes da sonegação ou do crime. O desrespeito ao Estado e a aceitação da sonegação fiscal se torna algo cada vez mais aceito tanto pelas massas informais quanto pelo funcionalismo do Estado. Ambos se sentem impotentes para participar da formalidade do mercado e do trabalho. É nesse momento que o capital lança sua proposta de reforma da formalidade do mercado e do trabalho sob o nome de Neoliberalismo. Redução do Estado ao Mínimo e aumento do Mercado ao Máximo são as propostas que o Neoliberalismo faz para ajustar a formalidade que pode e deve ser cobrada pelo Estado e liberar a informalidade/isenção que pode e deve ser praticada pelo Mercado.
O jornal impresso precisa ser pago diariamente; o rádio basta ter o aparelho e pagar por sua fonte de energia, o mesmo ocorre com a tv; já o telefone é o aparelho, que é comprado ou alugado, mais o pagamento pelos serviços de conexão feitos pela companhia telefônica; o computador é o aparelho, que é comprado ou alugado, mais o pagamento dos serviços de conexão feitos pelo provedor; o celular é o aparelho, que é comprado, mais o pagamento dos serviços de conexão da operadora; a tv paga é uma exceção. Educação, saúde, segurança e, em alguns casos, transporte públicos são inteiramente gratuitos, ou seja, já foram devidamente pagos pelos impostos. Os programas de rádio e tv são gratuitos (são pagos por anunciantes e por patrocinadores); é possível navegar e fazer os mais diversos usos da internet de forma inteiramente gratuita (são pagos por quem?!); telefone e celular dependendo da conexão (local, distante, interurbano, internacional) aumenta ou diminui a tarifa.
Rádio, tv e internet possuem um caráter público similar ao da educação, saúde e segurança públicas, mas os primeiros são operados por produtores privados e os segundos, de um modo geral, são operados por produtores estatais. O ouvinte e o telespectador parecem estar numa conexão de consumo mais passiva, já o internauta parece estar numa conexão de consumo mais ativa, ou seja, os primeiros se limitam à condição de receptores e o segundo avança na condição de emissor. Esta condição de emissor dentro da internet num momento que se expande como nunca a atividade de venda das mercadorias como atividade de manutenção do tempo de trabalho como medida da produção pode ser demasiadamente adequada para fazer do emissor-internauta um vendedor das mercadorias do capital.
Um blog pode ser veículo para difusão de mercadorias. Um blog pode até ser pago por difundir mercadorias. Ainda não é o meu caso, até onde sei não faço difusão de mercadorias e muito menos sou pago para escrever no meu blog.
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