quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Vida é...?!




Tanta coisa confundida com vida e que faz parte do morto. Começando pela memória, história, consciência ou tempo de trabalho. E o sistema do tempo de trabalho, o sistema capitalista só acumula trabalho morto. Mais do que isso tende a sistematicamente reduzir o tempo de trabalho por meio da acumulação do trabalho morto num sistema automatizado de trabalho, tende a querer dar autonomia ao trabalho morto de modo que apenas ele trabalhe como uma criatura independente tal qual o sonho de um Prometeu que teria criado o ser humano ou de um Frankenstein que teria criado uma criatura a partir do morto, mas, mais claramente, como um robot (palavra de origem russa que significa trabalho), quer dizer, um autômato tal qual havia pensado Aristóteles como meio de acabar com a escravidão, melhor, com o trabalho, com o morto.


Vida, desde Aristóteles, é tempo livre, ou seja, o tempo de trabalho é a vida escravizada pelo morto, pela mortificação. A vida liberada pelo morto, pela mortificação, pelo escravo, pelo trabalho, quer dizer, o tempo liberado do trabalho é o tempo livre e, por isso mesmo, o tempo vivo. Vida então é ser livre da necessidade, porque é a necessidade que impõe a sua satisfação como uma escravidão, como um dever, como um trabalho, como um tempo morto. O sistema do tempo morto ganha autonomia e funciona automaticamente de modo que a necessidade é suprimida por esse sistema do tempo morto e começa a ter vez o tempo livre da necessidade, do tempo morto, do trabalho. Ora, esse tempo livre e vivo é atendido na sua liberdade pelo robô, pela necessidade que se tornou automática, pela natureza morta que satisfaz o tempo livre e vivo, ou seja, o tempo livre e vivo é tempo liberto do risco de morte e de insatisfação que pode ser proporcionado pela natureza viva e livre. Vida, ociosidade, tempo livre, liberdade é fazer o quê? É o contrário de fazer, é não fazer, é ociosidade ou mero consumo do morto sem se mortificar, sem trabalhar para consumir o morto, quer dizer, em lugar de atividade e/ou trabalho aparece a inatividade e/ou ociosidade, em lugar do ato aparece a potência, em lugar da necessidade, da falta e da luta aparece a liberdade, o excesso e o poder.


Vida é esse excesso de energia de quem não precisa trabalhar nem se desgastar para satisfazer qualquer necessidade?! É esse excesso de tempo livre da necessidade, de tempo livre da natureza, de tempo livre da objetividade, quer dizer, é esse excesso de si mesmo, esse excesso de natureza humana livre da objetividade, ou seja, é esse excesso super-humano de energia?!














Nenhum comentário: