terça-feira, 15 de setembro de 2015
Vida?! Onde?!
Mortos por todo lado. As eleições no segundo turno de 2014 para mim foram um tiro na cabeça. Eu estou morto, mas os candidatos também estavam e estão mortos. A vida está fora do alcance dos adversários em luta e eles não a tem por alvo. Eles só se ocupam com o morto, com o sistema dos mortos, com o capital e ponto final. Mais nada. Cada um deles se apresenta como quem sabe dar melhor continuidade do que o outro ao sistema dos mortos, ao sistema do capital.
Nenhum deles possui qualquer perspectiva própria de uma vida independente e além do sistema dos mortos, nenhum deles aposta na mais mínima possibilidade de libertação do sistema dos mortos, na mais mínima esperança de supressão do capital. Pelo contrário, é na condição de suprimidos, de mortos, de inteiramente dependentes do sistema do capital que eles se apresentam como capazes de desenvolver essa condição de suprimidos de maneira brilhante para a continuidade do sistema dos mortos, portanto, aquilo que disputam é a capacidade niilista de cada um, quer dizer, qual é mais capaz do que o outro de promover o auto-sacrifício, o suicídio, melhor, a perenidade da mortificação, a eternização do capital?! Qual?!
E ainda nos perguntamos qual porque ainda nos perguntamos qual morto é mais representativo do sistema dos mortos entre os mortos com os quais nos deparamos. Além disso, nos fazemos tais perguntas porque nos colocamos como participantes do eleitorado dos mortos, ou seja, nos assumimos como mortos também. É todo esse conjunto sistêmico dos mortos que está comprometido com a continuidade de sua mortificação. Porém, é preciso que se tenha claro nesse sistema dos mortos que os vivos não participam dele e que um sistema dos vivos nenhuma relação pode ter com este sistema dos suprimidos, dos mortos. Mais ainda: que o sistema dos mortos pura e simplesmente ignora o que seja um sistema dos vivos, dos afirmativos.
Todas as saídas são dos mortos porque eles são os que já saíram, os vencedores que sustentam o sistema. Os vivos não possuem nem mesmo uma mínima entrada e nunca entraram porque são os perdedores sem qualquer relação com o sistema, até porque nem mesmo se sabe onde possam estar os vivos. Afinal, eles existem?! Os experimentos filosóficos desde o mais sistemático que foi a "Fenomenologia do Espírito" nos mostram que os vivos não existem e que existem sim os mortos, os espíritos ou o espírito e, em especial, o espírito absoluto.
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