domingo, 27 de setembro de 2015

A prática revolucionária de Escobar da dramaturgia do acaso

                                                                                                                                                 12/03/2016



A dramaturgia do determinismo ou da ação que vem de fora e toma os (re) atores como efeitos dela, quer dizer, como ações iguais e contrárias à ação determinista determinante vinda de fora, da queda em linha reta no vazio versus a dramaturgia do acaso ou da ação proveniente de dentro e tomada pelo ator como causa própria, quer dizer, como ação diferenciada/desigual e favorável a si mesma na fuga à ação determinista determinante de fora, da queda em linha reta no vazio.


Na dramaturgia do determinismo as reações iguais e contrárias à ação determinante de queda em linha reta no vazio são imediatas. No entanto, elas parecem supor um absurdo, já que se os atores estão em queda em linha reta no vazio eles teriam como se apoiar no próprio vazio para reagir, quer dizer, para efetuar uma ação em linha reta igual e contrária à de queda no vazio?! Mais do que isso, como seria possível que na queda em linha reta no vazio de todos os atores um ator pudesse se chocar com o outro, posto que a velocidade da queda em linha reta seria igual para todos já que estão no vazio e não existe sequer a resistência do ar/vento, de modo que um se atrase enquanto o outro se adianta na queda?! E se os atores decidissem, cada qual a seu bel-prazer, a direção e sentido da queda em linha reta no vazio, de modo que cada qual, caindo em sua linha reta própria, pudesse vir a se chocar com os demais que estão em suas linhas retas próprias, mas aí eles não estariam realizando uma queda caótica no vazio em lugar de uma queda em linha reta no vazio e, além disso, em lugar do movimento de inércia, devido à massa dos atores, já não se estaria diante de um outro movimento devido à energia dos atores?!


Na dramaturgia do acaso os atores estão em movimento inercial de queda em linha reta no vazio devido às suas massas ou plenos por oposição ao vazio ou a ausência de massa, mas a velocidade deles é igual para todos e como a energia existe em resultado duma relação entre a velocidade e a massa (confirmada na atualidade pela fórmula famosa de Einstein: E=MC²), então, os atores afirmam e expressam sua energia como movimento de desvio da queda em linha reta ou como movimento curvilíneo em torno de si e o resultado disso é o encontro dos atores entre si, de modo que se diz que o espaço é curvo devido à presença das massas dos atores ou que a curvatura do espaço é decorrente das alterações e perturbações causadas pela presença da massa de cada  ator.


Na dramaturgia do acaso, a energia é a singularidade abstrata que torna possível a passagem do movimento de queda em linha reta dos atores no vazio para o movimento de encontro, atração, choque, repulsão dos atores entre si. Esta individualidade, a energia ou a singularidade abstrata do Clinâmen (https://pt.wikipedia.org/wiki/Clin%C3%A2men), está na base da dramaturgia do acaso como atividade que realiza a convergência entre o movimento externo de queda em linha reta dos atores, causado pela ausência de resistência do vazio, e o movimento externo de repulsão entre os atores, causado pela presença da resistência dos plenos entre si. A dramaturgia do acaso não é nem pode ser a dramaturgia do determinismo que é concebida como uma ação externa, por exemplo, a de um taco em bolas de bilhar. A dramaturgia do acaso é resultante da ação interna que foge da queda com um pequeno movimento de declinação e, com ele, realiza o encontro dos atores com os atores, quer dizer, a efetivação das possibilidades da dramaturgia do acaso.


Escobar afirmou o Clinâmen desde os 9 anos de idade, como diz no filme “Os dias com ele”. Ele fez da sua vida esta afirmação da atividade autodidata da individualidade humana, da energia humana ou da singularidade abstrata humana. Mostrou todo o tempo que a dramaturgia do acaso, quer dizer, aquela que faz coincidir ou convergir as mudanças das circunstâncias com as mudanças dos próprios atores é chamada de prática revolucionária por ser a prática da energia que gira em torno de si, por ser a prática do movimento curvilíneo, por ser a prática da curvatura do espaço que faz o campo unificado, quer dizer, uma dramaturgia do acaso. O socialismo não vem de fora nem o movimento de dentro é meramente sindicalista. O socialismo, a associação, a convergência, o campo unificado e também o sindicalismo são todos provenientes do desvio ou do movimento curvilíneo, em torno de si ou revolucionário de cada um dos atores. Mas, se daí resulta, ao acaso, uma dramaturgia determinista em classes, de modo que uma classe situada acima, como se fora um taco, determina de fora o movimento da classe situada abaixo, como se fora bola de bilhar, então, não é suficiente se situar acima, como se fora um taco contrário, para determinar de fora o movimento da classe situada abaixo, como se fora bola de bilhar, rumo ao socialismo; porque o principal não é o movimento vindo de fora como taco nem o movimento recebido de fora como bolha de bilhar, mas sim o movimento vindo de dentro como energia, singularidade abstrata, individualidade de cada um dos atores. Nem o determinismo vindo de fora nem o mecanicismo recebido de fora, mas diante do determinismo do vazio vindo de fora o acaso da energia do pleno vinda de dentro e a vitalidade da convergência ao acaso com os demais atores vinda de dentro desta energia do pleno.


Então, diante da sociedade de classes o socialismo se apresenta como uma sociedade sem classes que, ao acaso, surge como ideia de libertação na(s) classe(s) dominante(s) e como necessidade material de libertação na(s) classe(s) dominada(s), ou seja, não só surge nas classes antagônicas ao acaso, de modo que em cada uma delas efetiva uma declinação da classe existente, mas também se apresenta na classe dominante apenas como liberdade da ideia/energia/abstração da libertação e na classe dominada como necessidade da materialidade/massividade/concreção da libertação; noutras palavras, parece que surge como o movimento de declinação ou desvio na classe dominante e como o movimento resultante do desvio ou de repulsão na classe dominada, daí que uma simplificação estabeleça que a ideia do socialismo vem de fora, mas, com isso, também esqueça que a materialidade/materialização do socialismo vem de dentro do movimento da classe dominada, portanto, não faz muito sentido atribuir o predomínio à ideia do socialismo que surge na classe dominante até porque ele só se realiza efetivamente quando predomina a materialidade do socialismo que surge na classe dominada. Em todo caso, o partido do socialismo é composto duma linha oblíqua ou curva que converge ideia prática surgida na classe dominante com prática material surgida na classe dominada. É tal qual a declinação uma organização da composição transversal que converge e coincide o vertical com o horizontal.


O nome Convergência Socialista, adotado por uma corrente que veio a ser denominada posteriormente Partido Socialista Unificado, teria alguma relação com a concepção da dramaturgia do acaso?! Só posso dizer que ignoro ou que assumo minha ignorância total a respeito dessa corrente, do motivo pelo qual adotou o nome Convergência Socialista e, posteriormente, a denominação de PSTU.



O principal aqui é que na queda vertical em linha reta do ator o acaso faz surgir o desvio em linha curva e que os desvios em linhas curvas dos atores fazem surgir os encontros dos atores entre si na dramaturgia que tem por autor o acaso, quer dizer, o conjunto das relações (sociais) dos próprios atores entre si. A autoria do acaso só é possível quando cada ator é prática revolucionária e também quando é luta por estabelecer cada um como prática revolucionária, energia vital, própria, singularidade, individualidade. Daí que o ensinamento do Escobar seja o cerne do ensinamento autodidata, revolucionário.


{(((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((())))))))))))))))))))))))))))))))))))))[[[[[[[[]]]]]]]]]]]]]]]]]]]}
                                                                                                                                        27/09/2015

Não temos memória do nascimento, pelo menos, memória consciente, mas basta olharmos os diferentes filmes de nascimento de bebês para percebermos que eles choram e expressam emoções, basta vermos um bebê num carrinho, num colo para vermos que eles expressam curiosidade, olham para tudo e para todo lado, se movimentam e expressam aprovação por algo e desaprovação por outra coisa, quer dizer, expressam uma memória inconsciente, instintiva, expressam uma vontade inconsciente, desejante.


Toda a atividade sensorial dos bebês também é uma atividade expressiva por meio da qual a representação dos bebês vai se tornando memória consciente e refletida em nós, vontade consciente e desejada em nós.


A atividade sensorial expressiva da representação inconsciente dos bebês são a atividade sensorial impressiva da representação consciente dos bebês em nós do mesmo modo que a navegação de um usuário de computador vai ficando rastreável no histórico do computador. Nessa relação o bebê é atividade sensorial da representação inconsciente dos bebês e nós atividade sensorial da representação consciente dos bebês. Aqui se pode dizer que a consciência vem de fora, melhor, ela é uma representação do ser bebê inconsciente que vai se construindo no nosso ser consciente. Nosso ser consciente é uma espécie de arquivo da representação do bebê de modo que o advento da consciência do bebê equivale ao acesso do usuário do computador ao histórico, ao arquivo que rastreia as diferentes ações do usuário tal qual o bebê com o advento da sua consciência rastreia na consciência dos pais, familiares etc. a memória de suas diferentes representações.


E como ocorre o advento da consciência do bebê? Os pais ficam alegres e felizes quando relatam que seu bebê falou a primeira palavra. E aí está a ocorrência do advento da consciência do bebê. É a língua dos pais que é falada pelo bebê, então a consciência do bebê nasce com a adoção pelo bebê da sua representação que está consciente na consciência dos pais como representação, como linguagem duma língua humana. O bebê chega à consciência fazendo adoção e uso da língua dos pais. Se for mudo? Não emitirá o som da palavra que aprendeu com a audição. E se for mudo e surdo? Não emitirá a linguagem que aprendeu com a visão, o tato e o paladar. E se for mudo, surdo e cego? Dificilmente aprenderá alguma linguagem apenas com o tato e o paladar. E se for mudo, surdo, cego e sem o sentido do tato dificilmente encontrará um meio de aprender a linguagem com o paladar. E se for mudo, surdo, cego, insensível de tato e de paladar? Sem os sentidos, sem a atividade sensorial expressiva da representação inconsciente do bebê ainda é possível a existência duma representação inconsciente do bebê? Se for possível, então esta será a mais perfeita representação do vazio, do abstrato, do espaço vazio, do espaço abstrato, e, ao mesmo tempo, a mais específica representação do pensamento e, nesse sentido, do tempo abstrato, quer dizer, do surgimento de uma sensação abstrata da continuidade da abstrata ausência de sensação. O bebê está vivo, respirando, se alimentando etc. mas sem os sentidos, as sensações ou a sensoriedade das suas atividades vitais, de modo que estas atividades existem apenas como movimentos insensoriais do bebê, mas tais movimentos insensoriais se expandem ou desenvolvem o bebê para todos os lados, quer dizer, o fazem crescer, melhor, o fazem sentir o puxão (expansão, desenvolvimento, crescimento) dos movimentos insensoriais como movimento do tempo, como passagem do tempo, como sensação de pensar.


Voltemos aos bebês sensorialmente normais

Nenhum comentário: