domingo, 27 de setembro de 2015

Escobar: Acaso e destino, atores e "reatores", revolucionários e reacionários



                                                                                                                                                 10/03/2016


O que Escobar nos faz pensar?! Na dramaturgia e, com ela, na condição de ator, muito mais do que na de autor. Por meio da dramaturgia o autor é o acaso, quer dizer, é uma determinação resultante da atividade ou atuação das próprias forças ou dos próprios atores presentes no drama, melhor, na dramaturgia. Uma dramaturgia na qual o autor é o determinismo, quer dizer, é uma determinação da atividade ou da atuação do drama independente da presença dos próprios atores ou de suas próprias forças.


Quando o autor é o acaso existe espaço-tempo para a co-incidência da mudança das circunstâncias com a mudança dos próprios atores ou com a autotransformação humana, quer dizer, existe efetivamente a prática revolucionária. Quando o autor é o determinismo não há mais coincidência do mudar as circunstâncias com o mudar a si mesmo ou autotransformar-se porque tanto as circunstâncias quanto a educação já estão (pré)determinadas, quer dizer, existem efetivamente como práticas reacionárias, melhor, como meras reações ou meras ações de forças iguais e em sentido contrário à força determinante do drama que é o determinismo.


Quando o autor é o acaso as forças, os atores giram em torno de si mesmos ou são revolucionários, mas quando o autor é o determinismo, então, as forças, os atores são meros efeitos ou reações da ação determinante do drama, giram em torno da determinação do drama fora de si. Então, quando o autor é o acaso a dramaturgia resulta da atividade dos atores e dos personagens, mas quando o autor é o determinismo a atividade dos atores e dos personagens resulta da atividade da dramaturgia. Quando o autor da dramaturgia é o acaso a história está aberta à criação e à liberdade dos atores e dos personagens. Quando o autor da dramaturgia é o determinismo a história está fechada no mecanicismo e na prisão dos atores e dos personagens.


Um mesmo problema dramático ou uma mesma dramaturgia se desenrola de modo inteiramente diverso quando o autor é o acaso e quando o autor é o determinismo. É isso que se pode verificar nas diferenças entre a tragédia de “Prometeu Acorrentado”, na qual o autor é o acaso, e a tragédia de “Édipo Rei”, na qual o autor é o determinismo. Na primeira, ainda é possível a luta, o “fogo”, o vir a ser da prática revolucionária que livremente determina e constrói a história, já na segunda, não há luta, não há “fogo”, não há vir a ser que não seja o da prática reacionária aprisionada e estabelecida pelo determinismo da história.


O problema maior da dramaturgia, no modo de produção vigente, é que o autor é o determinismo, ou seja, que o problema dramático está colocado e se desenrolando como “Édipo”, motivo pelo qual se fala do “Complexo de Édipo”. Logo, para que se consiga o que Escobar nos faz pensar, quer dizer, pensar muito mais na condição de ator duma dramaturgia que tem por autor o acaso, fica claro que é preciso colocar e desenrolar o problema dramático como “Prometeu” porque sua atividade é capaz de elaborar e realizar o “acaso” duma saída, prática revolucionária ou “Cura” do “determinismo”, da prática reacionária ou do “Doentio anacronismo” do “Complexo de Édipo”.



O filme da filha do Escobar sobre o pai Escobar é feito de luta da filha por saber da história do pai Escobar e de luta do pai Escobar por saber da filha. Ela quer aquilo que se encontra na memória do pai e o pai não quer ser reduzido à memória na memória da filha, mas quer sim, de algum modo, ser presente com a filha presente, ser ator com a filha atriz. E ele parece ter conseguido que o desejo de documentar a memória ou a ficção se tenha tornado também desejo de documentar o presente ou a “realidade” por meio dos manifestos “faz de conta” e roteiros que propõe e dos “faz de conta” dela de que aceitou e que ainda vai filmar, quando já está filmando. Certamente devem existir filmagens com os “roteiros” dele que não foram usadas na edição do filme. Certamente ambos ganharam com o filme a atividade de ator, de atriz ou de autodidatas, quer dizer, a dramaturgia do filme acabou tendo por autor o “acaso” e também o maior presente que o pai ausente Escobar pôde dar para a filha que foi o reconhecimento da atividade autodidata da filha na luta para compreender a entrega do pai Escobar à atividade autodidata durante toda sua vida. História aberta em livre realização.



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Existe algum risco estratégico dos espectros?!


Existe algum risco estratégico dos espectros?! O temido espectro do comunismo de Estado rondando o Brasil expresso por manifestantes verde amarelos é um temor infundado porque este espectro simplesmente não tem vez e disso, aliás, os militares da ditadura sabem desde a anistia de 79, que também foi o ano do neoliberalismo de Margareth Tatcher, da revolução iraniana dos aiatolás, da revolução sandinista socialdemocrata, enfim, foi o ano inaugural do fim, do término ou da extinção de qualquer revolução comunista de Estado. Mais 10 anos e, em 1989, acontecia a Queda do Muro de Berlim, mais 3 anos e, em 1991, vinha abaixo a URSS. [13 é o número do PT].


O espectro da Sociedade Civil dos indivíduos ou homens singulares rondando o Brasil, quer dizer, do movimento real da natureza humana individual ou da propriedade privada humanista plenamente identificado e defendido pelos manifestantes verde amarelos está de algum modo ameaçado ou não existe efetivamente no Brasil?! De modo algum, o movimento real da natureza humana individual ou da propriedade privada humanista é inteiramente hegemônico e praticado por todos os partidos e por todas as classes no Brasil, porque ele abarca estrategicamente todos os componentes não só do país mas quase que de todo o globo e isso é muito visível, por exemplo, no movimento de Cuba que é do espectro do dito comunismo de Estado para o espectro da Sociedade Civil dos homens singulares ou de assunção do movimento real da natureza humana individual ou proprietária privada.


O que resta a Dilma fazer?! Defender intransigentemente os direitos do movimento da natureza humana individual ou da propriedade privada à sua Sociedade Civil dos indivíduos singulares, ou seja, só resta a Dilma defender intransigentemente os manifestantes verde amarelos.


Existe qualquer possibilidade de Dilma, Lula, o PT ou a CUT saírem de algum modo do âmbito estratégico do espectro da Sociedade Civil dos indivíduos singulares?! Não, não existe nenhuma possibilidade, mas nem mesmo a mais mínima possibilidade tática.


O único espectro que ronda o mundo é o do terrorismo fundamentalista e este, graças a Deus, ainda não ronda o Brasil, apesar de alguns terroristas tradicionais e de crescente fundamentalismo religioso cristão.



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