segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Continuidade ou dissolução do atomismo: grande solidão super-humana ou grande socialização humana?!




A abordagem atomista de Epicuro não difere muito da de Demócrito. Ambos recorrem à morte imortal para conceber os átomos e o vazio. A morte imortal vai decompondo tudo até aos seus elementos mais simples, os quais são supostos de serem invisíveis porque primeiro a morte parece não ter fim, parece ser imortal, então, a decomposição parece continuar rumo ao sem fim, ao infinito; e, segundo, porque certas partes dos compostos no processo de decomposição parecem desaparecer por completo e não deixar outro rastro senão o da passagem dessas partes da condição de visíveis para a condição de invisíveis e esta suposição confirma que a decomposição ruma para o infinito, quer dizer, para a morte imortal. E é aí no interior dessa morte imortal que deve residir essa essência imortal da morte, quer dizer, algo que parece não parar de se decompor ou de sofrer a morte porque esta morte não morre e prossegue sem fim, infinitamente, imortal; então, no mundo invisível, quer dizer, do que parece plenamente vazio existe uma essência imortal da morte, algo que é infinitamente pequeno e que perdura infinitamente tal qual a morte imortal e é este algo que, tal qual a morte imortal, é considerado infinito, indecomponível, indivisível ou átomo (á=não; tomo=parte). Mas, não se pode esquecer que o vazio também é algo sem parte, ainda que ele seja considerado uma enormidade sem fim e não uma pequenez infinita.


Uma pequena diferença entre Epicuro e Demócrito é que irá resultar numa grande diferença entre eles. Ambos conceberam os átomos e o vazio a partir da morte imortal, mas a vida mortal foi concebida por um como realidade objetiva e por outro como aparência subjetiva.


Demócrito, que foi o primeiro deles a conceber os átomos e o vazio a partir da morte imortal, concluiu que a vida mortal é mera aparência subjetiva e que a realidade objetiva são os átomos e o vazio da morte imortal. Já Epicuro, o segundo deles a conceber os átomos e o vazio a partir da morte imortal, concluiu que a vida mortal é realidade objetiva do sujeito real humano ou da consciência de si humana e que a morte imortal tudo dissolve inclusive os átomos que não passam de aparência subjetiva e, desse modo, nada existe de imortal, exceto, talvez, o próprio nada ou o vazio, quer dizer, o inteiramente sem parte e indivisível.


Kant falava de antinomia. Dizia que ou se concebe que a divisão do composto é infinita ou que ela chega ao indivisível. Demócrito manteria a antinomia de que fala Kant por ter átomos ou indivisíveis e vazio ou divisíveis ao infinito, enquanto Epicuro suprimiria a antinomia dissolvendo os átomos no vazio ou dividindo os indivisíveis no divisível ao infinito, quer dizer, no nada. O atomismo de Demócrito é tanto a antinomia quanto a coisa em si incognoscível de Kant. A dissolução do atomismo de Epicuro é tanto a dissolução da antinomia atomista quanto da coisa em si incognoscível e que só deixa de pé a ataraxia do sujeito humano e/ou o conhecimento humano de si, ou seja, só resta como realidade objetiva a vida mortal do sujeito humano ou a vida mortal da consciência humana de si.


Deus está morto no atomismo destruído e só resta a grande solidão da vida mortal humana, melhor, resta a realidade objetiva da vida mortal da comunidade dos sujeitos humanos ou a realidade objetiva da vida mortal das consciências humanas de si. Mesmo assim, outra antinomia?! Egoísmo e grande solidão do super-homem ou altruísmo e grande socialização do sujeito humano?! O egoísmo e grande solidão do super-homem não é considerar ou reduzir a humanidade à aparência subjetiva?! E o altruísmo e grande socialização do sujeito humano não é considerar ou elevar a humanidade à realidade objetiva?!









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