sábado, 3 de outubro de 2015
Pessimismo ou realismo?!: Farsa!!!???
Na "Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel" Marx diz que na Inglaterra a economia política visa combater os monopólios e que na Alemanha a economia nacional visa constituir os monopólios.
Na luta anti-colonial de Independência dos Estados Unidos se faz o combate ao monopólio da Inglaterra, mas na hora de se constituir e desenvolver os Estados Unidos como Estado-Nação entra em cena uma tendência que defende o monopólio da economia nacional versus a anterior que na luta anti-colonialista de Independência defendia a economia política sem monopólio.
A economia nacional alemã acusa a economia política inglesa de imperialismo colonialista e, com medo e para evitar o monopólio do mercado alemão pela economia politica inglesa, passa a defender o monopólio do mercado alemão pela economia nacional alemã.
Os Estados Unidos independente desenvolve sua economia política livre de monopólios coloniais ao mesmo tempo que desenvolve sua economia nacional presa a monopólios nacionais. Alguns verão identidade entre a economia nacional alemã de Friedrich List e o protecionismo monopolista estadunidense de Alexander Hamilton, a começar pelo próprio List que considera Hamilton como precursor de sua economia nacional.
Os donos da Gazeta Renana, segundo Maximilien Rubel no seu "Karl Marx, essai de biographie intellectuelle", hesitaram algum tempo entre escolher Friedrich List ou Karl Marx como redator-chefe da Gazeta Renana. Ora, List era defensor da economia nacional e Marx era claramente um liberal radical que, na obra citada acima, defendia a economia política contra a economia nacional.
Marx nunca considerou o "imperialismo como estágio supremo do capitalismo" nem como um estágio anterior e/ou menor do capitalismo. Aliás, Marx chegou a caracterizar o "imperialismo" como uma política deliberada do sobrinho de Bonaparte que ficou conhecido com Napoleão III. E este imperialismo do "farsante", pois era como chamava Napoleão III, ele considerou como sendo o mesmo que foi adotado e desenvolvido por Bismarck, ou seja, para Marx o imperialismo era o monopolismo da economia nacional que se afirmava fazendo guerras como fez Napoleão III e Bismarck. O imperialismo destes dois "bonapartistas" tinha por modelo Napoleão Bonaparte. É algo muito curioso, mas é um fenômeno famoso, durante um longo período foi muito comum encontrar em instituições psiquiátricas inúmeros pacientes que julgavam ser Napoleão Bonaparte.
O imperialismo da economia nacional ou a economia nacional imperialista original é o responsável pelas guerras napoleônicas ou pela era napoleônica, ou seja, sua origem foi a revolução francesa. Foi esta que trouxe à tona Napoleão Bonaparte e foi este que, com sua guerras de conquista, espalhou a revolução burguesa pelo continente europeu e que impôs o bloqueio continental à Inglaterra, além disso, Napoleão foi derrotado por um inglês, o duque de Wellington, na batalha de Waterloo. As independências dos países da América Latina estão inteiramente comprometidas com o período de Napoleão. A Inglaterra ajudou a Corte portuguesa a se transferir para o Brasil elevando a Colônia à condição de Metrópole, de modo que a Independência do Brasil se tornou resultante desta hospedagem da Corte, o que também fez o Brasil independente se assumir como um Império. A Corte espanhola não teve como fugir da invasão napoleônica e perdeu o poder para o invasor. Com o Bloqueio Continental feito contra a Inglaterra e sem a interferência da Metrópole espanhola nas suas Colônias nem uma marinha francesa que pudesse interferir nas Colônias o que passou a ocorrer nelas foi uma espécie de explosão de figuras inspiradas em Napoleão Bonaparte, as quais, tais como ele, se assumiam como o Libertador.
O Brasil deixou de ser Colônia monopolizada pela Metrópole e se tornou a Metrópole monopolizadora. Por isso, quando Portugal quis rebaixar o Brasil teve lugar a Independência que manteve o pais na condição de Metrópole monopolizadora. O Brasil, na verdade, ao ser elevado à condição de Metrópole passou a desenvolver o livre comércio diretamente com a Inglaterra, ou seja, saiu da condição de Colônia monopolizada pela economia nacional da Metrópole e se elevou à condição de Metrópole monopolizadora aberta para a economia política da Inglaterra.
As Colônias espanholas com a tomada da Metrópole por Bonaparte, com o Bloqueio Continental da Europa e sem marinha para superar a inglesa deixaram de ser monopolizadas pela Metrópole mas não se tornaram Metrópole monopolizadora. Deixaram de ser monopólios da economia nacional da Metrópole, mas não se elevaram à condição de Metrópole monopolizadora aberta para a economia política da Inglaterra, até porque a Metrópole espanhola sempre foi adversária da economia política inglesa, logo, mais próxima e identificada com a economia nacional francesa. Mas, também não se elevaram à condição de economia nacional da Metrópole monopolizadora e sim se fragmentaram em diferentes países libertos da economia nacional da Metrópole monopolizadora querendo se elevar à condição de economia nacional monopolizadora, quer dizer, países libertos da economia nacional da Metrópole que em lugar de querer para si mesmos a economia política preferiram querer para si mesmos a economia nacional, de modo que cada qual ficou com seu próprio monopólio econômico nacional e não todos com a economia política dos monopólios dissolvidos entre todos.
Pequenos Bonapartes com a correspondente economia nacional francesa foram transplantados para as ex-colônias espanholas e um pequeno reino unido britânico (Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves) com sua correspondente economia política inglesa foi transplantado para a ex-colônia de Portugal.
Os processos de Independência da América Latina parecem Farsas pela incapacidade desses países de afirmar sua Independência, quer dizer, de serem notados efetivamente como um "novo mundo". Pelo contrário, foi a crise do "velho mundo" que eles precisaram absorver e, assim, foram obrigados a adotar a posição de Independência para sobreviver à crise do "velho mundo" e, principalmente, para que o "velho mundo", apesar da crise, sobrevivesse neles.
Pessimismo ou realismo?!
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