domingo, 4 de outubro de 2015
Essa é a questão!
A menoridade dos países latino-americanos é o que explica porque sendo todos do novo mundo só interpretem o velho mundo.
Com a Independência os países latino-americanos não saíram da menoridade, mas, ao contrário, afirmaram sua menoridade, quer dizer, aquilo que veio a ser chamado de Dependência, ou seja, a condição de mercado cativo, subordinado, satélite dos países maiores, independentes, tanto do velho quanto do novo mundo.
Mas essa menoridade atualmente não é mais um fenômeno localizado nos países latino-americanos e sim um fenômeno que acompanha a globalização do mercado resultante da Descolonização generalizada e/ou da Independência generalizada que marca o fim da Colonização generalizada.
Esta menoridade hoje foi globalizada por todos os países Descolonizados ou Independentizados. Mais do que isso essa menoridade não só está presente como vem sendo expandida no interior mesmo dos países maiores.
A menoridade é dependência mercantil do usuário cativo da produção do maior tutor. Logo, conquistar a Independência seria conquistar a maioridade e se livrar da produção dos maiores tutores. Porém, foi precisamente a conquista da Independência que tornou firme essa menoridade, ou seja, a conquista da Independência não foi e não é a conquista da maioridade. Pelo contrário, a Independência se mostra como o reconhecimento duma menoridade alfabetizada que é capaz de interpretar a ideologia dominante do velho mundo europeu e do novo mundo dos EUA e Canadá. Porém, esta menoridade não entra na maioridade de ser capaz de mudar o mundo, a começar pelo seu mundo e, em seguida, o mundo dos países com os quais se relaciona. Não é capaz de conquistar a sua maioridade e de vir a constituir-se membro dum mundo de maiores associados. Os tutores também não mostram interesse num mundo de maiores associados, ainda que admitam a ONU como associação generalizada de todos, quer dizer, de menores tutelados/dependentes e de maiores tutores/independentes. Além disso, os tutores costumam fazer suas próprias associações fora da ONU, como a do G-7 (ou é G-8?).
A saída da menoridade e conquista da maioridade nos casos dos dependentes ou usuários de drogas se faz por meio de um processo que começa pela admissão da dependência das drogas e que a partir dessa admissão inicia uma luta diária pela abstinência ou não uso de drogas. Como se aplica isso no caso dos países que se encontram na menoridade/dependência?
A primeira coisa que chama a atenção é que a saída da menoridade e entrada na maioridade dos dependentes ou usuários de drogas é uma luta diária, pessoal e desenvolvida em grupos de dependentes ou usuários que se organizam para se ajudar mutuamente e sem recorrer a qualquer financiamento que não seja o dos seus próprios membros associados. E isso corresponde àquilo que sempre foi defendido pelos movimentos de classe dos trabalhadores e, em especial, por Marx & Engels como pensadores desses movimentos. Ou seja, a riqueza que é defendida, em primeiro lugar, para conquistar a maioridade é a riqueza da própria saúde natural humana ou a riqueza da própria força humana de trabalho e que, no caso da luta de emancipação dos trabalhadores, passa pela redução radical da jornada de trabalho e visa chegar sistematicamente até à extinção do tempo de trabalho e à instituição do tempo livre.
As associações de dependentes ou usuários visam se constituir em processos de emancipação da dependência ou do uso que se desenvolvem como obra de emancipação dos próprios dependentes ou usuários e esta é novamente outra coincidência com o movimento de emancipação dos trabalhadores e com os pensadores Marx & Engels desse movimento de emancipação dos trabalhadores.
A saída da menoridade e conquista da maioridade é um processo de emancipação pessoal, individual e também social, comunitário, ou seja, é tanto uma obra pessoal e individual quanto uma obra social e comunitária. Aliás, é uma obra em processo e não uma obra acabada, de modo que efetivamente só poderá se tornar completa quando por toda parte a sociedade e a comunidade tiver se libertado do uso e dependência das drogas, quer dizer, tiver limitado o uso e a dependência das drogas por meio da emancipação das mesmas e não por ter deixado de produzi-las, já que elas possuem usos medicinais ou podem ser usadas por outros não-dependentes e, eis o principal, elas podem ser usadas pelos dependentes e usuários, porque a emancipação ou libertação da dependência ou uso não se faz eliminando a sua produção. Coincidência notável, os primeiros movimentos de emancipação dos trabalhadores tentaram destruir as fábricas para se libertar delas, mas tiveram como reação contrária o aumento do número de fábricas por toda parte. A tentativa mais consistente do movimento de emancipação dos trabalhadores foi a redução radical da jornada de trabalho e é possível que venha a ser por meio dele que se chegue à eliminação da jornada de trabalho por meio da completa automatização da produção. E, desse modo os trabalhadores conseguiriam se igualar aos dependentes por conseguirem deixar por completo de fazer uso do trabalho como os dependentes de drogas deixam por completo de fazer uso de drogas.
Porém, o que ocorre nos movimentos dos trabalhadores é que deixam de ser organismos independentes dos trabalhadores e se tornam organismos dependentes dos mais diferentes interesses e negócios, quer dizer, deixam de ser organismos de luta pela emancipação ou maioridade e se tornam organismos de manipulação da dependência ou menoridade. E este é o principal problema nos países que entraram e se firmaram na menoridade ao fazer a sua Independência, como no caso dos países latino-americanos, onde os organismos dos trabalhadores são todos atrelados ao Estado ou pelegos dos patrões. Os partidos políticos dos trabalhadores, tenham os mais diversos nomes ou as mais diferentes denominações, são todos partes desses organismos atrelados ao Estado e aos patrões ou são satélites que ficam à margem deles e funcionam como auxiliares deles.
Não existem outras alternativas, exceto aquelas que conduzem à manutenção e/ou aprofundamento da menoridade e dependência. Como se aplica nesses países esse processo de emancipação da menoridade e dependência? Essa é a questão!
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário