quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Quem pode disputar com os EUA?
Portugal e Espanha foram os maiores navegantes durante um certo tempo, mas foi a Inglaterra quem acabou dominando a navegação mundial. O Bloqueio Continental imposto por Napoleão contra a Inglaterra acabou fazendo que a Independência na área espanhola se desse motivada no Libertador Napoleão Bonaparte que invadiu e ocupou a Metrópole espanhola, ou seja, toda a região de colonização espanhola da América Latina se percebeu liberta da Metrópole e podendo se tornar independente graças à ação do Libertador francês e, por isso, o movimento de independência se inspirou e assumiu como sua a figura do Libertador de modo que assim surgiram as figuras conhecidas como os Libertadores da América Latina. Já a independência da colônia portuguesa também teve por origem o Libertador Napoleão Bonaparte que igualmente invadiu e ocupou a Metrópole, mas como a Corte fugiu para o Brasil e o elevou à condição de Metrópole foi esta elevação à condição de Corte Metropolitana que inspirou o Brasil a assumir a independência na figura da Corte liberta de Portugal, daí que seja Dom Pedro I, o filho do Rei Dom João VI de Portugal, o primeiro Rei do Brasil Independente.
Com a derrota de Napoleão, Portugal e Espanha restauraram seus poderes de Metrópole, mas não no Brasil nem na maioria dos países da América do Sul colonizados pela Espanha. Portugal e Espanha permaneceram Metrópoles coloniais conservadoras e autoritárias que se situavam à margem ou isolados da Europa até à década de 70. Nessa época ocorre a descolonização e Portugal e Espanha não só abraçam formas parlamentares e democráticas de poder como também se inserem na Europa e acabam entrando na União Europeia.
Portugal chega a participar da Primeira Guerra e a Espanha fica neutra, mas durante a Segunda Guerra Mundial os dois países ficam neutros, isolados, como se estivessem fora da Europa.
Eis um fenômeno curioso. A ocorrência da descolonização coincide com o processo de formação da União Europeia, quer dizer, de associação íntima dos países desenvolvidos da Europa. E ontem foi anunciada a formação dum Acordo de Parceria Econômica Estratégica Trans-Pacífico que desequilibra todo o comércio internacional por envolver 40% da produção do mercado mundial. Ou seja, agora não se trata mais de ter monopólios coloniais e sim de ter mercados comuns ou comunidades de Estados-Nações que se unem entre si e, ao mesmo tempo, se separam dos demais mercados e Estados-Nações que não pertencem à sua Associação, Parceria, União e/ou Comunidade de Estados-Nações. Se antes os países desenvolvidos só se sentiam maiores por monopolizarem países não desenvolvidos, então, agora, parece que eles querem se sentir maiores por monopolizarem suas próprias comunidades desenvolvidas e deixarem de fora os países em desenvolvimento que, apesar de independentes, se sentem menores porque suas comunidades estão em desenvolvimento e necessitadas da produção das comunidades desenvolvidas. A monopolização não é mais colonial e sim uma monopolização democrática dos países "metropolitanos", os quais, com seu exemplo de associação democrática, incentivam os demais a também tentarem fazer associações democráticas de seus Estados-Nações.
Outro fenômeno curioso. Na época das grandes navegações e dos descobrimentos das Américas os países procuravam dominar o comércio internacional através de monopólios coloniais e pirataria. Agora, na época das grandes navegações virtuais e dos descobrimentos do ciberespaço os países (leia-se os EUA) procuram dominar o comércio internacional em tempo real online através de grandes companhias virtuais (Microsoft, Apple, Google, Twitter, Facebook) que oferecem serviços de redes sociais e através dos hackers ou piratas cibernéticos (que podem ser dessas empresas, podem ser independentes ou de países que tentam se contrapor ao domínio quase exclusivo das ou dos grandes dos EUA).
Para as atuais organizações dos países em associações, parcerias, uniões ou comunidades a estruturação em rede presente no ciberespaço é a mais adequada, mas, ao mesmo tempo, também é reveladora de quem domina o conjunto do mundo real e do mundo virtual: Estados Unidos. A globalização do mercado neoliberal e o ciberespaço em rede beneficiam a hegemonia dos EUA e são monopólio dos EUA.
No passado, Portugal e Espanha foram hegemônicos no início, mas, depois, foi a Inglaterra que conseguiu superá-los na hegemonia dos mares e monopólios coloniais. Atualmente, os EUA são hegemônicos nos mundos real e virtual, mas existem aqueles que são considerados candidatos à conquista dessa hegemonia real e virtual. Falam muito da China. Já se falou muito do Japão. Existe alguma expectativa com a União Europeia. E, além disso, atualmente, se supõe que a Rússia está se sentindo acuada e reagindo contra o cerco e buscando retomar seu poderio de Segundo Mundo ou seu Poder de Segunda Potência Mundial.
Talvez se conhecendo melhor a época da disputa entre Portugal, Espanha e Inglaterra se possa entender melhor a disputa com a hegemonia atual dos EUA. Essa parece ser a melhor pista para a compreensão desse fenômeno social. Portugal e Espanha dispunham dos melhores meios para navegar, tanto do hardware dos navios quanto do software dos conhecimentos cartográficos de navegação. Atualmente, são os EUA quem possuem o hard e o soft tanto do mundo real quanto, em especial, do mundo virtual online.
Quem pode disputar com os EUA?
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