segunda-feira, 5 de outubro de 2015
O usuário, a menoridade e a maioridade...?!
Sair da menoridade e entrar na maioridade é a questão. E cada vez mais é viável a emancipação dos trabalhadores do tempo de trabalho, quer dizer, da produção medida pelo tempo de trabalho, porque é cada vez mais viável a produção medida pelo tempo livre. E, nesse caso, quem entra em relação com a produção não é mais o trabalhador e sim o usuário da maquinaria automatizada, ou seja, aquele que se relaciona com a produção através do tempo livre e não mais se relaciona com a produção por meio do tempo de trabalho, porque "quem" pratica um tempo de trabalho automático é a maquinaria, já quem pratica um tempo livre do tempo de trabalho automático é o usuário. Mas é o uso desse tempo livre que mensura o tempo de trabalho automático da produção da maquinaria, ou seja, é o tempo livre que mede a produção automatizada, já que o trabalho humano é o único que cria valor e pode medir a produção de valor. Ora, o tempo humano deixou de ser um tempo de trabalho, logo, deixou de ser medida da produção de valor e o tempo automático não pode ser considerado como tempo de trabalho por ser tempo da maquinaria e não do humano. Portanto, o tempo humano passou a ser um tempo livre de forma dupla, já que o tempo automático da maquinaria não pode ser considerado como tempo de trabalho humano ou, mais simplesmente, tempo de trabalho; por outro lado, o humano se relaciona com a produção automática por meio de seu tempo livre que apenas informa o que quer da produção automática, de modo que esta produção automática só produz aquilo que o tempo livre humano solicita ou requer. Noutras palavras, a medida da produção automática é o tempo livre humano, mas o tempo livre humano é produção de valor de uso e não de valor-trabalho, por isso mesmo, quem se relaciona com a produção automática de valor de uso é o usuário e não o trabalhador, já que este se relaciona com a produção ainda não automática de valor de uso e valor-trabalho. O tempo livre é produção automática de valor de uso e de valor-livre, de livre-valor ou livre do valor, logo, é produção automática de valor de uso e de uso livre, quer dizer, de valor de uso e de valor de uso ou de usuário.
O usuário na atualidade é o consumidor globalizado de mercadorias, quer dizer, de produtos que são valores de uso e valores. E os produtos da atualidade só são uma globalização de mercadorias, uma globalização do mercado porque a aquisição dos produtos continua sendo feita através do uso do tempo de trabalho como medida da sua produção, aliás, frente à crescente impossibilidade de usar o tempo de trabalho como medida direta da produção a globalização do mercado usa o tempo de trabalho como medida indireta da produção ao torná-lo medida direta da sua realização no mercado, ou seja, é preciso trocar um tempo de trabalho como vendedor de mercadorias para poder receber o valor que permite comprar as mercadorias necessárias ao consumo humano.
O que merece um estudo são os processos de produção e de transferência do valor. Em geral, a Sociedade Civil é vista como o locus da produção do valor e o Estado é visto como o locus da transferência do valor. Mas, o período que sucede o Liberalismo que é mesmo período que antecede o Neoliberalismo se caracteriza pelo Estado que, além de ser locus da transferência do valor, é ainda locus da produção do valor, quer dizer, se caracteriza por relativo predomínio da chamada economia nacional sobre a chamada economia política, de modo que o monopolismo de Estado é aceitável e legitimado enquanto que o monopolismo privado da Sociedade Civil é inaceitável e ilegítimo. O Neoliberalismo vai inverter isso considerando inaceitável e ilegítimo o monopolismo de Estado e considerando aceitável e legítimo o monopolismo privado da Sociedade Civil porque com a redução do monopolismo de Estado proliferam as livres iniciativas não-monopólicas da Sociedade Civil e o monopolismo privado pode ser reduzido com o aumento da livre-concorrência das empresas e dos empreendedores da Sociedade Civil.
O tempo livre é saída da menoridade e conquista da maioridade ou é entrada na menoridade e perda da maioridade?! Ou ambas possibilidades?!
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