quinta-feira, 13 de agosto de 2015
"Toda nudez será castigada!"
Que relação existe entre os corruptos que devoram o dinheiro público, os empreendedores do agronegócio, o novo código florestal, o neoliberalismo e as heranças colonial e escravista brasileiras?
No "Bom dia Brasil" de hoje, 13/08/2015, tem matéria mostrando os "funcionários" duma prefeitura que não comparecem ao trabalho, recebem e usam seu tempo para desenvolver seus próprios agronegócios.
A formação do Brasil foi parecida com isso.
Os colonizadores eram funcionários pagos pela metrópole para desenvolver seus próprios negócios de exploração da coleta de pau brasil; os escravocratas eram funcionários e senhores pagos e incentivados pela metrópole, por serem os únicos reconhecidos pela metrópole, para desenvolver seus próprios negócios escravistas; tanto os colonizadores quanto os escravocratas eram fiéis à metrópole principalmente porque através dela que seus negócios se realizavam no mercado internacional.
A Independência do Brasil ocorreu com a absorção da metrópole, ou seja, a Corte se transferiu para o Brasil e com ela a relação com o mercado internacional se tornou direta. Retroceder depois disso se tornou inaceitável para os escravocratas brasileiros que, assim, preferiram favorecer a Independência com a família real, a Corte e o status de metrópole que haviam conquistado.
O autor do Novo Código Florestal Brasileiro, atualmente Ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo, se considera um nacionalista preocupado com as vantagens do Brasil no mercado internacional. A seu ver as críticas ao agronegócio são orquestradas pelos interesses estrangeiros que querem boicotar as vantagens do Brasil no mercado internacional. Mais, segundo ele, é inteiramente falso considerar que na estrutura fundiária brasileira o agronegócio seja exclusivo de grandes proprietários e que os proprietários médios e pequenos estejam excluídos do agronegócio. E esse conjunto de interesses estrangeiros mais o falso interesse de proprietários médios e pequenos que seriam críticos do agronegócio se constituem na articulação duma verdadeira conspiração que visa o boicote das vantagens do Brasil no mercado internacional. E, segundo ele, isto tudo se cristaliza num falso e conspirativo ambientalismo que quer deixar o Brasil para trás no processo de desenvolvimento econômico e social.
A crise de energia hidrelétrica e de escassez de água que o Brasil está vivendo, nesses pouquíssimos anos após a aprovação do Novo Código Florestal Brasileiro que, entre outras necessidades, praticamente desconhece a de proteção das matas ciliares dos rios, pode resultar dessa conspiração dos interesses estrangeiros com os falsos interesses de pequenos e médios proprietários fundiários do Brasil?!
Não existe aí algo da Peste de Tebas presente na tragédia grega "Édipo-Rei"?!
Em todo caso, algo é inegável, desde a Colônia extrativista, passando pela Colônia escravista e pela Independência Monárquica escravista, até chegar à República assalariada que a relação do Brasil é inteiramente voltada para a obtenção de vantagens no mercado internacional, ou seja, é guiada pela tese liberal das chamadas "vantagens comparativas".
Na fase atual, dita Neoliberal, o resultado disso só pode ser o vir à tona e/ou o ficar à mostra a estrutura brasileira na sua totalidade.
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