segunda-feira, 10 de agosto de 2015

"Sapere Aude!... E o vento levou?!..."




Comecei a escrever isso:


"O que importa para o Esclarecimento, para a saída da Menoridade Política ou para a conquista e desenvolvimento da Maioridade Política é fazer ou praticar o uso público da razão. A política do "quanto pior, melhor" com as chamadas "pautas bombas", "bombas fiscais" & cia é a do uso público do capricho, da manipulação, do egoísmo, do ressentimento, enfim, do Anti-Esclarecimento, da permanência na Menoridade Política ou da perda e dissolução da Maioridade Política."


e parei aí porque percebi a fragilidade, falta de fundamentação ou de informação para poder desenvolver o tal uso público da razão. 


Pensei que o ajuste fiscal do governo não é aceito especialmente pela base eleitoral da Dilma; que as mudanças nos prazos das leis trabalhistas de proteção contra o desemprego não são aceitas especialmente pela base eleitoral da Dilma; que a CUT e o MST vão se manifestar em apoio a Dilma mas contra o ajuste fiscal; que o PT é contra o ajuste fiscal mas a favor da Dilma, ainda que o PT esteja até cada vez mais desacreditado do que a Dilma.


O Eduardo Cunha parece até querer comprar delegados e juízes, além de funcionários públicos, mas também parece "representar" a oposição do PT ao ajuste fiscal da Dilma.


O governo, por sua vez, lançou um plano, aprovado pela CUT, pelo menos de acordo com um representante dela que falou para a Globo, no qual com recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) banca parte do salário dos trabalhadores que terão seu salário reduzido junto com a redução da jornada de trabalho. Então, a CUT aceita fazer ajuste das condições de trabalho usando os recursos fiscais do FAT para não mexer nos recursos ou lucros dos empregadores.


Me falta informação porque sou mesmo desinformado, melhor, não faço um bom uso da razão para me informar, mas, em todo caso, tendo a acreditar que o governo mandou para os parlamentares as mudanças nos prazos das leis trabalhistas e também suas propostas de contenção salarial de delegados, juízes, funcionários públicos etc., negociou com os empregadores e com a CUT o plano de redução de jornada e redução de salário. Tendo a crer que o governo não negociou com os trabalhadores as mudanças nos prazos das leis trabalhistas nem as propostas de contenção salarial do setor público, mas negociou com os empregadores e com os trabalhadores o plano de redução tanto da jornada quanto do salário. Também tendo a crer que os trabalhadores e o setor público (delegados, poder judiciário, funcionários) não abriram espaço para negociar com o governo. A iniciativa do governo parece ter sido a de negociar com os parlamentares deixando os trabalhadores e o setor público por sua conta e risco se entenderem ou não com os parlamentares; e, parece ter sido também a de negociar com os empregadores e trazendo os trabalhadores para a aceitação de propostas substitutivas de outras já aprovadas por eles que foram, por exemplo, a do banco de horas em articulação com a isenção fiscal do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).


Os trabalhadores da CUT aceitam não mexer ou reduzir os lucros dos empregadores, aceitam mexer na política de contenção salarial do governo via parlamentares, aceitam não abir um espaço de negociação com o governo sobre os prazos das leis trabalhistas, a política de contenção salarial e a política de ajuste fiscal. Mas, não levantam a bandeira dos trabalhadores de lei geral de redução da jornada de trabalho, a bandeira de mudanças negociadas com os trabalhadores das leis trabalhistas, da política de contenção salarial e da política de ajuste fiscal. Pelo contrário, tudo indica que fazem uma política subalterna com os empregadores, com o governo e com os parlamentares. É aí, parece, que está o xis da questão. A postura dos trabalhadores da CUT é subalterna e, com isso, todo o Anti-Esclarecimento, toda a Menoridade Política, enfim, toda a corrupção tem "Vez, Voz e Voto". 


O uso público da razão dos trabalhadores da CUT é o que pode mudar a conjuntura para a conquista da Maioridade Política e do Esclarecimento, mas, para tanto, é preciso assumir uma política independente que defenda seus próprios interesses em leis gerais e transparentes sem posturas subalternas com os parlamentares, com os empregadores e com o governo.


Enquanto se limitar a ser correia de transmissão dos interesses dos empregadores, do governo e dos parlamentares será impossível o Esclarecimento, a saída da Menoridade Política ou a conquista da Maioridade Política por mais que Dilma se esforce por manter as liberdades sem as quais não é possível conquistar a Maioridade Política.  Porque apenas os próprios interessados na conquista da Maioridade Política podem fazer o seu próprio uso público da razão.


Cadê o "sapere aude" dos trabalhadores da CUT? Cadê o ousar saber que com uma lei geral da redução da jornada de trabalho os trabalhadores da CUT podem combater o desemprego com a transparência de representar a vontade geral? Cadê o ousar saber que com independência os trabalhadores da CUT podem defender e discutir suas posições em quaisquer ambientes, sejam eles dos empregadores, dos parlamentares, do governo, internacionais etc.? Cadê o ousar saber dos trabalhadores da CUT? Cadê o uso público da razão dos trabalhadores da CUT?


... E o vento levou?!...







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