sábado, 22 de agosto de 2015

Quanto mais morto mais real e vital?!?!




Porque o espectro do comunismo que rondou o mundo e nele se encarnou como um movimento real visível a olho nu nunca conseguiu alcançar sua finalidade ou satisfazer seu objetivo além das afirmações momentâneas ou conjunturais de uma estrutura (a comuna, o conselho, o soviete etc.) que, no entanto, não perdura exceto como momento especial? Porque a regra das suas afirmações históricas consiste em ser exceção? Porque sendo suas afirmações históricas em lugares reais e, por isso mesmo, não podendo ser consideradas utópicas ou existentes em lugares exclusivamente irreais ou imaginários, porque, portanto, que, apesar disso, suas afirmações em lugares reais e não-imaginários permanece confinada à vinda à tona da efetivação de sua finalidade ou da satisfação do seu objetivo exclusivamente como uma exceção? Ou seja, o parto existe e nascer nasce, mas porque, após organizar e expressar seus primeiros passos, simplesmente falece e não resiste à regra duma estrutura que a nega, ainda que a deixe existir na brevidade histórica do espaço e do tempo da exceção?


O argumento mais consistente e famoso é aquele que diz que para que a estrutura deixe de ser de exceção ela precisa ocorrer ao mesmo tempo nos lugares reais material e historicamente mais desenvolvidos porque se ocorrer em tempos diferentes ou ao mesmo tempo nos lugares reais material e historicamente menos desenvolvidos permanecerá sendo exceção, permanecerá sendo uma estrutura duma conjuntura de exceção e muito breve, porque logo a materialidade e a história dos lugares reais menos desenvolvidos se apresenta como regra duma estrutura perene.


O problema, segundo outro argumento igualmente consistente e famoso, é que nos lugares reais material e historicamente mais desenvolvidos o movimento real visível a olho nu que aparece não é o do espectro do comunismo e sim o do liberalismo, enquanto que nos lugares reais material e historicamente pouco desenvolvidos o movimento real visível a olho nu que aparece é o do espectro do comunismo e não do liberalismo.


 De acordo com o primeiro argumento para que o comunismo deixe de ser uma estrutura de exceção ele precisa ocorrer ao mesmo tempo em vários países desenvolvidos, então não é suficiente que ocorra em um país desenvolvido. Já, de acordo com o segundo argumento, em todo e qualquer país desenvolvido nunca aparecem nem o comunismo nem sua estrutura de exceção e sim apenas o liberalismo, porque a estrutura de exceção do comunismo aparece sempre em todo e qualquer país pouco desenvolvido.


O comunismo como regra estrutural, segundo o primeiro argumento, só pode ocorrer como movimento associado dos países desenvolvidos, de um modo que excede os limites do Estado-Nação e afirma a abrangência do desenvolvimento da Sociedade Civil desses países. Para o segundo argumento, o comunismo como regra estrutural só pode ocorrer como movimento inerente de qualquer país pouco desenvolvido, de um modo que o Estado-Nação tudo abrange nos seus limites  e, ao mesmo tempo, nega e limita o desenvolvimento da Sociedade Civil desses países.


Para um, o comunismo como regra estrutural resulta da conquista da maioridade social dos países desenvolvidos. Para o outro, o comunismo como regra estrutural resulta da maioridade política do país não-desenvolvido. Com a conquista da maioridade social a tutela é da própria sociedade sobre si mesma. Com a conquista da maioridade política a tutela é do Estado sobre a Sociedade. Daí se conclui que o primeiro argumento é o dos que defendem e acreditam na conquista da maioridade para todos e o segundo argumento é o dos que defendem e acreditam na conquista da maioridade apenas para os tutores. Comunismo dos maiores e libertos responsáveis por si mesmos e comunismo dos maiores e tutores responsáveis pelos menores.


Isto tudo, no entanto, nada resolve a respeito do assunto. Ainda mais na atualidade que o tal do liberalismo que estaria restrito aos países desenvolvidos se afirma por toda parte como globalização irresistível. Aliás, todo e qualquer movimento real visível a olho nu que lute por sua independência de classe nada mais faz do que afirmar o liberalismo, quer dizer, a independência de classe da Sociedade Civil frente à sua dependência e tutela políticas do Estado-Nação. O novo sindicalismo, que poderia ter se tornado independente do Estado e do trabalhismo ou ter tornado o trabalhismo independente do Estado, ao conquistar esses seus feitos querendo fazer do comunismo regra estrutural conseguiria de fato é fazer do liberalismo sua regra estrutural. Mas, por sua vez, o velho sindicalismo ou o trabalhismo dependente do Estado ao resistir com esses seus feitos ao liberalismo globalizante consegue de fato o quê? Dependência e tutela de classe que impossibilitam fazer do comunismo regra estrutural da maioridade social, mas que como regra estrutural do comunismo de tutela está continuamente em crise devido ao liberalismo globalizante da atualidade.


O espectro é o morto sob a forma de fantasma. Então, de certa forma, até agora, o comunismo como movimento real só se realizou efetivamente como espectro ou fantasma dum morto porque nunca conseguiu sair da estrutura de exceção conjuntural, momentânea, breve que morre logo para uma regra estrutural perene, sistêmica, longa que vive muito. Nunca conseguiu viver. Assim sendo, é como morto ainda mais morto que o comunismo como movimento real visível a olho nu poderá se realizar?! Como liberalismo?!?!



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