sábado, 8 de agosto de 2015

Com o Esclarecimento de Kant Dilma fará do suicídio ou da morte uma saída?!




A solidão é verdadeiramente total e, desse modo, apenas o suicídio aparece como uma saída. Mas, como se pratica o suicídio? Com um tiro no peito, não reagindo ao golpe porque confirma a queda na solidão verdadeiramente total. Com o tiro no peito Getúlio usou o suicídio como saída da solidão verdadeiramente total e não reagindo ao golpe Jango usou o suicídio político como entrada na solidão verdadeiramente total.


E atualmente como agirá a Dilma? Eu não sei, só ela pode saber. Porém, a morte real do Getúlio e a morte política e social do Jango são ambas mortes e a morte está no cerne da filosofia de Hegel e, por aí, também no cerne da filosofia de Marx, o qual, aliás, concebe a conversão da filosofia em prática como a vontade saída do mundo dos mortos e voltada contra a realidade do mundo dos vivos que existe sem ela, então a filosofia parte da morte como vontade mortífera contra a realidade mundana dos vivos que existe sem ela porque ela quer existir na realidade mundana dos vivos e não quer mais o mundo dos mortos. O problema é que ela é do mundo da morte e quer entrar no mundo da vida de maneira mortífera, ou seja, trazendo o mundo da morte da teoria filosófica para o mundo da vida da prática mundana. Ainda que isso pareça assustador ou aterrorizante consiste em algo bastante prosaico porque o que Marx quer é sair com a filosofia do mundo da morte imortal e com ela entrar no mundo da vida mortal, logo, o que ele quer é o que já existe e é real; porém, o mais revelador é que ele quer converter a filosofia ou morte imortal em prática ou vida mortal, ou seja, o suicídio que ele quer é o da filosofia ou morte imortal que quer converter em prática ou vida mortal.


Mas, como ocorre essa conversão da morte imortal em vida mortal? O imortal não morre e o mortal morre, então a morte não morre e a vida morre, mas a morte vive? Tudo indica que não porque a vida morre e a morte não morre, então como converter a morte que não morre em vida que morre? Ele responde que é saindo como vontade do mundo da morte que não morre e se voltando contra o mundo da vida que morre. E o que quer e o que pode fazer a vontade da morte que não morre contra a vida que morre? Quer que a vida que morre morra por completo de modo que seja assimilada pela morte que não morre? Quer que a vida que morre não morra por completo porque a morte que não morre penetrou nela ou foi assimilada pela vida que morre? Se o que quer é exterminar de uma vez por todas a vida que morre de modo que só permaneça a morte que não morre, então não foi a filosofia que se converteu em prática e sim a prática que foi dissolvida e convertida em filosofia. Se o que quer é melhorar/aperfeiçoar a vida que morre de modo que viva mais e melhor porque a morte que não morre penetrou e fez moradia dentro dela, então foi a filosofia que se converteu em consciência prática e foi a consciência prática que concretizou e realizou a filosofia. A vida que morre acaba sempre na morte que não morre, então a morte que não morre pode ir contra a vida que morre acabando com ela, mas nisso não há nenhuma novidade porque esse ir contra também é o mesmo que ir a favor porque a vida que morre sempre acaba na morte que não morre. A morte que não morre pode ir contra acabar com a vida que morre ? Pode. Se a morte que não morre fizer moradia dentro da vida que morre como consciência, como espírito, como vontade ou prática que não morre porque retorna intacta tal qual a Comuna de Paris de 1871, os Sovietes de São Petersburgo de 1917 etc., ou seja, pode se se desenvolver como criação, como trabalho, quer dizer, como uso público e comum da razão ou morte que não morre.


Tudo indica que ela optou por agir racionalmente ou fazendo uso da morte que não morre de forma diferente da de Getúlio e da de Jango, tudo indica que não optou pelo suicídio real para sair da solidão política total nem optou pelo suicídio político para entrar na solidão social total, tudo indica que optou pelo suicídio como pela tragédia de uma farsa ou pela farsa de uma tragédia, ou seja, ela quer sair viva e vitoriosa da solidão política e social totais por meio de um suicídio do autoritarismo e do golpismo, quer dizer, por meio da saída da sociedade da menoridade política ou por meio da conquista da maioridade política da sociedade.


Mas, como ela fará isso? Como ela fará desse suicídio, imposto por uma solidão política total e por uma solidão social total, a vivência da tragédia duma farsa ou a vivência da farsa duma tragédia?


Parece que é fazendo uso público da razão. Mas, parece também que é mantendo a liberdade e não-interferência para que o próprio público faça uso público da razão. A morte que não morre, a razão, passando a ser usada pela maioria para alcançar a maioridade de converter a filosofia em prática. Não é mais uma entrada real na morte que não morre tal qual fez Getúlio. Também não é mais uma entrada racional na morte que não morre tal qual fez Jango com sua queda na solidão total. Mas, ao que parece, é a entrada racional na morte que não morre do próprio público, logo, é uma socialização da liberdade e da maioridade políticas, uma conquista da conversão da filosofia em prática e, o mais importante, uma dissolução da solidão total no uso da razão ou da morte que não morre, portanto, o mais importante é a transformação do uso inteiramente solitário da razão para o uso público e comum da razão, logo, o mais importante é a saída da razão do solitário mundo dos mortos da filosofia para o comunitário mundo dos vivos da prática.


PS.: Este texto continua e completa o anterior "Atualidade?!: História/Estória & Estória/História", cujo título mudou três vezes, antes foi "História/Estória & Estória/História" e também "História/Estória & Estória/História (texto incluindo o que faltava)".


PS1.: O título desse texto acaba de ser modificado depois do acréscimo do último parágrafo.


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