sábado, 22 de agosto de 2015

"Mortos-Vivos ou Vivos-Mortos?! E vice-versa?!




A morte imortal impera categoricamente na natureza de modo que toda a natureza é mortal e que tudo que morre não é a morte e sim a vida. A filosofia acredita ser imortal, logo, acredita ser a morte e/ou ser parte do mundo da morte ou será do mundo dos mortos? Qual a diferença? Ser do mundo da morte imortal é nunca morrer e ser do mundo dos mortos é sempre morrer, melhor, sempre estar morta. A morte imortal nunca morre e nunca vive mas sempre mata. E o mundo dos mortos? Eles estão sempre mortos, sempre viveram antes de morrer e nunca vivem imortalmente. Essa diferença é importante porque "o ser que é e não pode não ser", quer dizer, o ser metafísico autêntico é a morte imortal que apenas é morte e nunca deixa de ser morte porque nunca morre. Já o morto é aquele que foi e não é mais, logo, ele é parte integrante do "ser que é e pode não ser", quer dizer, seu ser físico autêntico é a vida mortal que só é vida porque sempre morre.


"Constitui uma lei psicológica que o espírito teórico, que se tornou livre em si mesmo, se transforme em energia prática e saia como vontade do reino das sombras do Amênti (reino dos mortos no Antigo Egito) e se volte contra a realidade mundana que existe sem ele." (Passagem da tese de doutorado de Marx).


Kant dizia que a saída da menoridade é a coragem de fazer uso público da razão, já Marx diz que uma vez alcançada a maioridade ou a liberdade íntimas tem início uma lei que transforma o íntimo em energia prática que sai do íntimo como vontade de maioridade e de liberdade voltada contra o mundo que existe sem a maioridade e a liberdade íntimas. Em ambos os casos se trata de desenvolver um trabalho. Tanto no uso público da razão quanto no uso da energia prática voltada contra a realidade mundana aquilo que se encontra em curso e em desenvolvimento é o trabalho, a atividade de transformação ou a prática-crítica, quer dizer, é a atividade prática de desenvolvimento da crítica que transforma a realidade mundana.


Mas foi Hegel quem ensinou Marx que a liberdade em si mesmo, a liberdade íntima do espírito ou da psiquê está constituída como reino dos mortos, logo, como reino dos espectros. Assim, o espectro do comunismo que rondava a Europa era a liberdade e a maioridade íntimas ou presentes na consciência europeia, quer dizer, era o movimento real visível a olho nu da energia prática dos trabalhadores voltada contra a realidade mundana que existe sem eles.


Hoje, quais são os espectros que rondam o mundo? De imediato se diz que é o espectro do terrorismo fundamentalista, quer dizer, do Estado que nega qualquer liberdade da Sociedade Civil. Mas também se diz que o movimento real visível a olho nu do liberalismo globalizante é o espectro que se tornou livre em si mesmo e que não só ronda o mundo como o transforma com sua energia prática.


E o espectro do comunismo deixou de rondar o mundo e de ser movimento real visível a olho nu?! Sim, enquanto ele for entendido como movimento crítico-utópico ou doutrinário, quer dizer, do chamado "comunismo real". Não, se ele for entendido  como movimento crítico-prático ou real, quer dizer, da chamada energia prática da liberdade ou do espectro do "comunismo íntimo/imaginário". Hoje, em linhas gerais, são dois movimentos reais que são visíveis a olho nu, o dos que querem a imposição doutrinária ou fundamentalista da sua posição crítico-utópica ou do Estado Absolutista e o dos que querem a libertação prática ou íntima da sua posição crítico-prática ou da sociedade comum, quer dizer, da civilidade social. Atualizando Rosa Luxemburgo se pode dizer que a disjunção hoje é entre "Civilidade ou Barbárie". Já a disjunção mais perene é entre "Mortos-Vivos ou Vivos-Mortos", quer dizer, entre uso público da razão ou liberdade íntima versus não uso público da razão ou escravidão íntima.



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