terça-feira, 18 de agosto de 2015
Qual o espectro?! Qual o movimento real?!
Luta de classes para chegar ao fim das classes?! Afirma o que existe, a luta de classes, para chegar via negação duma classe pela outra ao fim das classes?! Mas, a afirmação duma classe sobre a outra classe, que é como a classe que se afirma nega a outra classe e, desse modo, faz da outra a classe dos negados, a classe negada, ou seja, pela luta de classes o que se afirma é qual é a classe dominante e não o fim das classes, certo?! Aqui, nos meus pensamentos, e aí, entre os leitores - se é que os há -, vem a ideia de aprofundar a dominação de classe de modo a exterminar a classe negada, a classe dos negados, para que não mais exista nenhuma classe negada e, com isso, deixe de existir também a classe dominante que afirmou esta extinção da classe negada, melhor, dominada. A exterminação pura e simples parece que foi experimentada com os pelotões de fuzilamento, com as prisões em massa e com a apropriação pelo Estado de todas as propriedades que possam ser fonte ou originar a continuidade da(s) classe(s) negada(s). Os nazistas que queriam exterminar raças e não propriamente classes partiram para um extermínio mais direto que indo além dos pelotões de fuzilamento, prendiam em campos de concentração para exterminar os corpos em câmaras de gás, fabricando sabão, bolsas etc. ou, pura e simplesmente, exterminando os corpos em fornos crematórios. Porém, aqui, o que interessa é o experimento dos que buscaram o extermínio da classe negada e que visavam o extermínio das classes. Nesse experimento a classe dominante, que de tudo se apropria via Estado, traz para si a propriedade de tudo, traz para si as propriedades da(s) classe(s) dominada(s), mas, desse modo, ela mesma muda de classe ao passar à condição de proprietária exclusiva do Estado. E o Estado diferencia o proprietário do Estado do proprietário da Sociedade Civil. Esta "nova" classe dominante considera que só o Estado é proprietário e a Sociedade Civil é inteiramente desapropriada ou só é proprietária em alguns casos, em algumas exceções, que são concessões feitas pelo Estado. E aí são os trabalhadores que são funcionários do Estado e membros reconhecidos do partido do Estado aqueles que efetivamente são proprietários do Estado, já que aqueles que não são funcionários do Estado nem membros reconhecidos do partido no poder do Estado se encontram na condição de membros da Sociedade Civil sem direitos à condição de proprietária, exceto nos casos das concessões, mas com os deveres da condição de propriedade do Estado, ou seja, os trabalhadores da sociedade em geral são a classe dominada pela classe dominante dos trabalhadores do Estado "em geral".
Hegel foi dos fenômenos até o espírito. Tudo ficou sujeito ao desaparecimento e, ainda que permanecesse o que permanecia era uma alienação vazia de conteúdo, já que este ficava com o tempo, melhor, com o espírito, com a ideia.
Seu discípulo Feuerbach disse que esta abstração que restava como conteúdo não era a ideia, não era o espírito e era sim o homem, quer dizer, o humano, porque a abstração era propriedade ou qualidade exclusiva do ser humano.
Seu discípulo Marx disse que este conteúdo abstrato não era propriedade ou qualidade exclusiva do ser humano, no sentido de inerente à natureza do ser humano isolado, mas sim da humanidade, no sentido de inerente à sociedade dos seres humanos.
Se para Hegel bastava alcançar e ser a ideologia dominante, já para Feuerbach era suficiente o "homem" conquistar o poder do Estado para conquistar a Sociedade Civil dos homens ou indivíduos singulares e, enfim, para Marx era preciso ir além da emancipação política ou conquista do poder do Estado com a correspondente Sociedade Civil dos homens ou indivíduos singulares para alcançar a emancipação social ou a conquista da sociedade dos seres ou indivíduos humanos comuns, quer dizer, era preciso destruir a máquina do Estado e a Sociedade Civil correspondente por meio da conquista da Comunidade Humana ou da Humanidade Comum.
Através de Hegel a morte imortal fica com a ideia, com o espírito que, como consciência, se apropria da vida mortal. Através de Feuerbach a morte imortal fica com a natureza humana, o "homem", com o ser humano que, como consciência, se apropria da vida mortal. Através de Marx a morte imortal fica com a sociedade humana, com a humanidade social, com o ser humano comum ou a comunidade dos seres humanos que, como consciências, se apropriam de suas vidas mortais.
O espectro que ronda a Europa com Hegel é o do espírito absoluto cujo movimento real é o da ideia, da ideologia. Daí o poder absolutista do Estado, da ideia ou do espírito, quer dizer, da propriedade estamental do espírito ou ideia acima de tudo e de todos.
O espectro que ronda a Europa com Feuerbach é o do humanismo absoluto cujo movimento real é o da natureza humana. Daí o poder absolutista da Sociedade Civil, da natureza humana ou do humanismo, quer dizer, da propriedade privada do "homem" ou indivíduo isolado.
O espectro que ronda a Europa com Marx é o do comunismo cujo movimento real é o da sociedade humana. Daí o poder absolutista da comunidade trabalhadora, da sociedade humana ou do comunismo, quer dizer, da propriedade comum dos "homens" ou indivíduos socializados/indivíduos sociais.
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Nas manifestações verdes amarelas contra Dilma e o PT ainda se vê como espectro que ronda o Brasil o daquele "comunismo de Estado" que é algo que está mais para uma adaptação de Hegel do para uma aplicação de Marx.
Mas, qual é o movimento real deste espectro visto pelos manifestantes verde-amarelos?! São o PT e a CUT?! Mas, de que modo o PT e a CUT querem implantar o tal espectro do "comunismo de Estado"?! Corrompendo tudo?! Ora, desse modo, é simplesmente impossível porque corrompem a si mesmos, portanto, praticam a autodestruição, se tornam seus próprios coveiros.
E os manifestantes querem que o Brasil seja rondado por qual espectro?! Ou seja, qual o movimento real dos manifestantes verde-amarelos?! No geral, eles são ordeiros e pacíficos, ainda que existam entre eles aqueles que são ordeiros e belicistas, que querem um golpe militar. Que querem os ordeiros e pacíficos?! Querem menos impostos, menos Estado e mais Sociedade Civil, mais propriedade privada, ou seja, estão mais para Feuerbach e seu movimento real da natureza humana e da propriedade privada humanista do que para o movimento real da ideia ou da propriedade estamental/estatal ideológica de Hegel.
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