15/03/2016
Esta monstruosidade, a dramaturgia, quem pode com ela?
O PT nasceu como a mais completa afirmação do Manifesto do
Partido Comunista, de Marx & Engels, e dos Estatutos da Associação dos Trabalhadores, também escritos por Marx, ou seja, ele nasceu como o mais genuíno partido dos
trabalhadores que toda a teoria de Marx pensou no século XIX, por isso, ele
pareceu ser um acontecimento estrondoso no Brasil e no mundo. E era de tal
monta o espectro ou o fantasma que ele representava que Lech Valessa, líder do
movimento dos trabalhadores poloneses que lutavam contra o comunismo soviético,
rejeitava a aproximação com o PT por ver nele um partido ainda mais clássico
que o dos comunistas soviéticos. No entanto, ambos PT e Solidariedade, eram
componentes do mesmo fenômeno histórico e que era o da afirmação dos
trabalhadores pelos próprios trabalhadores, sem a interferência de doutrinas
nem de reformistas sociais, ou seja, seus dirigentes eram mesmo os próprios
trabalhadores e não os quadros doutrinários e revolucionários de socialistas,
comunistas etc.
O PT parecia ter saído dos escritos de Marx e adquirido vida,
mas com uma personalidade histórica ainda mais perfeita do que aquela descrita
nos textos de Marx. O PT era efetivamente o partido dos trabalhadores que os
textos de Marx tinham anunciado, ou seja, ele nasceu no interior do movimento
dos trabalhadores e já nasceu se “forjando como partido” e foi só depois disso
que ele veio a criar a sua central sindical, portanto, ele nasceu das greves
dos trabalhadores por meio das quais os trabalhadores se afirmaram e
organizaram em classe e, por conseguinte, em partido político. Tal qual Marx
tinha escrito no Manifesto: a luta de classes conduzia os trabalhadores a se “organizar
em classe e, portanto, em partido político” e o PT tinha feito exatamente isso,
tinha afirmado literalmente essa passagem do Manifesto. O PT era fantástico,
maravilhoso e atraía irresistivelmente toda a esquerda e de um modo ainda mais
perfeito porque nasceu fazendo a tão famosa “unidade da diversidade”, que Marx
tinha descrito no “Método da Economia Política”, e que, na verdade, era a aplicação
mais completa que já existiu dos Estatutos da 1ª Internacional dos Trabalhadores,
a de Marx, porque nele existia espaço e tempo para que todas as mais diversas
correntes do movimento social dos trabalhadores pudessem se abrigar. O PT era
um fenômeno social e político de importância mundial, internacional, ou seja, “nunca
antes na história do Brasil e do mundo existiu um partido dos trabalhadores
como o PT liderado pelo Lula”.
O socialismo democrático do PT era a maior das singularidades
que já tinha vindo a ser no mundo, porque se diferenciava da socialdemocracia europeia
e do social-burocratismo soviético. Em parte alguma do mundo já tinha vindo a
ser uma tal singularidade. O socialismo democrático do PT era efetivamente o
que de mais revolucionário já tinha vindo à existência no mundo. O mundo
inteiro estava encantado e intrigado com a singularidade do socialismo
democrático do PT e agentes da socialdemocracia europeia e do
social-burocratismo soviético vinham ver de perto o PT e tentar desvendar o seu
grande feito. Qual era o seu enigma? Se perguntavam todos.
O PT era a realização efetiva na história do mito do partido
dos trabalhadores porque veio à existência precisamente quando o Neoliberalismo
foi lançado no mundo, quando o socialismo real entrava em decadência e
derrocada no mundo, quando o Brasil dava início àquilo que foi chamado de a “década
perdida”, enfim, quando o Estado do Bem-Estar Social (o qual, geralmente, é
visto como uma defesa dos interesses sociais dos trabalhadores pelo Estado e
contra o mercado) foi enterrado pelo Neoliberalismo surgiu o PT, quando o dito
Socialismo ou Comunismo Real de Estado entrava em decomposição surgiu o PT,
quando o desenvolvimentismo entrava em colapso no Brasil surgiu o PT. Então, o
PT, para além do mito e como agente real, surgiu como parte integrante e
componente irresistível do Neoliberalismo.
O PT esperou a virada do século e só chegou ao poder quando o
socialismo já não se colocava mais na pauta política e social em parte alguma.
Agora, só existia mesmo o problema da democracia e do terrorismo do
fundamentalismo religioso. Lula, o líder do PT, eleito presidente do Brasil
chegou a ser chamado de “o cara” pelo Barack Obama dos EUA, o mais poderoso dos
presidentes do mundo.
A política social do PT, reclame ele do FHC ou não, foi a
das bolsas que se reuniram numa só, a que foi chamada de Bolsa Família. E esta política
social foi proposta pelo chefe neoliberal dos chamados Chicago’s Boy, o Milton
Friedman. Este economista argumentava que era preciso fornecer dinheiro para
que os pobres e/ou os sem dinheiro pudessem consumir as mercadorias e, desse
modo, ativar a economia. Esta se tornou a doutrina de Lula. Não só com o Bolsa
Família, mas em tudo que signifique aumentar o consumo e manter a economia
ativa por meio da maior circulação monetária.
Mercado máximo era o grito do Neoliberalismo e também foi o
do Lula e do PT.
Tinha um crítico que dizia que no Brasil as ideias e as
pessoas/classes estão fora de lugar. É isso que o PT em toda sua trajetória,
desde sua origem até agora, demonstra: Mito, realizado por estar fora de lugar
e Monstruosidade Real por ser inseparável do capitalismo neoliberal.
Marx, depois disso, só é autor de mitos ou sua crítica ainda
tem vez? Se tiver vez, então como se combate o capitalismo e como os trabalhadores
se libertam da produção do valor e/ou da mercadoria?! Eles efetivamente visam
sair da condição de meras mercadorias?! Em caso positivo, como?! Forjando o Partido
dos Trabalhadores?! O PT demonstrou que isso não passa de um mito, então como
podem os trabalhadores se libertar?! O interesse de se libertar da produção do
valor/mercadoria não é dos trabalhadores?! É de quem?! E como se organiza a
luta para fazer esta libertação da mercadoria ou produção do valor?!
A dramaturgia fora de lugar é a do determinismo que, nos
enganando, faz crer que praticamos a dramaturgia do acaso. Como saímos do
mercado?! O Estadão soviético, que suprimiu o mercado, assim que desmoronou
trouxe à tona o mercado e todas as instituições da sociedade civil anterior desde
a Igreja Ortodoxa até a mais avançada instituição financeira, ou seja, o Estado
não pode acabar com o mercado porque, como dizia Marx, ele é resultado ou
efeito da sociedade civil e não causa nem determina a sociedade civil. A saída
do mercado se faz por meio da sociedade, mas duma sociedade que se torna
comunidade, quer dizer, faz dos produtos não mais mercadorias e sim produtos de uso
comum ou equipamentos sociais e comuns dos usuários.
Como se faz isso?! Com qual dramaturgia?!
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16/08/2015
Impeachment? Não!!!
Dilma foi responsável pelos Ministérios das Minas e Energia e da Casa Civil. Foi na área do primeiro que veio a ocorrer os problemas de corrupção (ao que parece relacionados à descoberta do pré-sal), também os problemas de energia hidrelétrica (ao que parece relacionados aos desmatamentos das matas ciliares legitimados pelo Novo Código Florestal). Foi na área do segundo que ocorreu o mensalão, ainda que não sob seu comando.
Ainda que se procure até agora não há nada que possa justificar uma tal medida contra a Presidente Dilma Rousseff. Se pode não gostar e discordar dela, mas é preciso reconhecer que esse direito de pensar diferente vem sendo garantido por ela mais do que por qualquer outro governo brasileiro do nosso passado recente. A liberdade é o valor mais prezado pela Presidente Dilma e, até agora, ela não deixa a menor dúvida que aguenta as críticas precisamente porque respeita a liberdade de quem as faz. Os direitos democráticos de livre organização e livre expressão são o maior espetáculo do governo Dilma Rousseff. E, em especial, do segundo governo Dilma Rousseff que revela para o mundo inteiro aquilo que se encontra no cerne da Presidente e que foi denominado em sua campanha de "coração valente", ou seja, é o mesmo brado, do herói escocês interpretado por Mel Gibson que define toda sua trajetória e posição políticas: LIBERDADE!!!
https://pt.wikipedia.org/wiki/Dilma_Rousseff#cite_note-40
http://pib.socioambiental.org/pt/noticias?id=33580
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