sábado, 6 de junho de 2015
Que fazer?!
Se matar é o ato digno ensinado pelo sátiro que diz que o pior é ter nascido. O sátiro se revela um amigo de Cronos, aquela que come seus próprios filhos. Platão defendia a filosofia como uma preparação para a morte. Essa relação com a morte está inteira na tragédia grega. Nietzsche defende esse filosofar trágico legado pelos gregos.
Que estamos fazendo vivos?! Hegel chega ao absoluto pelo crônico tempo do "ya pasó", mas tanto o saber absoluto quanto o próprio absoluto se encontram no íntimo do "ya pasó", donde conclui Nietzsche que o absoluto/"Deus está morto!". Hegel diz que só quando o sol se põe, quer dizer, só depois da morte completa de algo e que ocorre o voo de Minerva, melhor, que o espírito absoluto se desprende e voa. É a figura da morte e em torno dela que se desenvolve todo esse filosofar. E Prometeu?! Prometeu, aquele que prevê, aparece acorrentado, tendo o fígado devorado por um abutre, sendo lançado num abismo do Cáucaso nas profundezas do Hades, mesmo lugar onde Cronos foi lançado por Zeus, enfim, aparece gritando que quer o fim de todos os deuses, ou seja, quer o fim da imortalidade dos deuses, quer a morte dos imortais, logo, quer ele próprio a sua própria morte, quer ser liberto pela morte.
Porque tudo isso?! É que a morte é imortal e nunca pára de morrer de modo que a vida que é mortal pára de viver mas como a morte não pára aquilo que ainda não morreu vive e depois que pára de viver uma outra vida mortal vive porque a morte não pára de morrer, quer dizer, a morte não pára de matar a vida, ou seja, a morte imortal não pára de originar a vida mortal, então, é ela, a morte imortal, o absoluto, o divino, a dialética da matéria?!
Tudo morre com uma única exceção, então tudo está sujeito a uma vida mortal com uma única exceção que é a da morte imortal. Mas, a morte imortal não é uma vida imortal porque não é uma vida que não morre e sim uma morte que não vive porque só morre sem nunca parar de morrer, logo, esta morte sem fim vai deixando seu rastro de morte numa miríade de sucessivas vidas mortais. Morte infinita e vidas finitas são um sistema em contínuo funcionamento.
Que fazer?!
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