sábado, 20 de junho de 2015

Economia, religião, ecologia, ideologia, filosofia, ilusão e/ou libertação?!




“A oferta do paraíso e a perda do mesmo pelo consumo do fruto da árvore do bem e do mal ou pelo estabelecimento do pacto de não cometer nem sofrer prejuízos e a procura do paraíso e o ganho do mesmo pela prática do trabalho e da disciplina de desenvolver um pacto de não sofrer e de não cometer danos, quer dizer, o pacto de um mundo livre, o pacto de um mundo da liberdade.”


A oferta do paraíso e sua perda pelo consumo. A procura do paraíso e o seu ganho pelo trabalho. Troca e compensação, porque com o consumo se retira a energia do paraíso da abundância, já com o trabalho se devolve a energia dum oásis para a escassez. E a esperança é conseguir com o trabalho devolver a energia que reconstitua o paraíso da abundância.


A Natureza é perfeita porque é um paraíso, mas o consumo humano é a introdução da imperfeição e da perda do paraíso. Nessa economia política bíblica Malthus é a ortodoxia e a outra ortodoxia que aí também está suposta e presente é a ecologia porque ambos consideram que o consumo humano é superior à produtividade da Natureza e a desequilibra e empobrece. A humanidade é a falha e a queda da produtividade da Natureza, a destruição e/ou perda do paraíso. No entanto, com o suor do trabalho a humanidade consegue repor parte da produtividade perdida da Natureza garantindo assim o salário, ou o valor correspondente ao sal extraído do suor da jornada de trabalho, com o qual limita seu consumo da Natureza a uma ração que repõe o seu desgaste com a jornada de trabalho ao mesmo tempo que poupa e não consome a outra parte da jornada de trabalho com a qual agrega e, assim, repõe, com trabalho, produtividade à produtividade perdida da Natureza.


Então, ao que tudo indica parece que é assim. A humanidade começa a coletar e caçar na Natureza e chega numa situação que a população cresceu e as mudanças ou rodízios de locais não são mais suficientes para que uma área muito consumida volte à sua produtividade habitual. Mas, nessa época, a humanidade descobre ou inventa a agricultura e a pecuária, quer dizer, passa a usar o trabalho e a disciplina da domesticação e criação dos animais para repor a produtividade da Natureza. Desse modo, a população humana aumenta ainda mais e a Natureza trabalhada e domesticada também. Porém, as atividades de coleta e de caça precisam ser controladas e impedidas para que ocorra o desenvolvimento das atividades da agricultura e criação de rebanhos, caso contrário, elas serão impossíveis e não se desenvolverão. O coletor e o caçador na prática se assemelham aos demais animais da Natureza que também coletam e caçam. Parece então que a agricultura e a criação de rebanhos separam a humanidade dos animais, separam o trabalho e/ou produção humana do consumo e/ou fruição animal. E também que esta separação é uma separação no interior da humanidade entre coletores e caçadores para os quais não existe Natureza trabalhada ou humanamente produzida, quer dizer, Natureza que é própria ou propriedade da humanidade porque para os coletores e caçadores toda e qualquer Natureza é própria ou propriedade da humanidade. Para os agricultores, pastores e/ou pecuaristas os coletores e caçadores são preguiçosos, ladrões, predadores, agressores, guerreiros ou terroristas porque a coleta e a caça só deve continuar existindo onde a Natureza ainda continua não sendo trabalhada nem humanamente produzida. Tudo indica então que com o trabalho também veio a propriedade, ou seja, a Natureza trabalhada ou humanamente produzida está não só separada do mero consumo e fruição animal na instituição duma sociedade humana, mas esta sociedade humana para além da sociedade animal é também a instituição da Natureza de propriedade humana.


Para a humanidade voltar a ser meramente coletora e caçadora é preciso destruir a população humana e impedir que ela cresça, ou seja, é preciso um controle da sexualidade e do crescimento populacional similar ao usado no mito grego onde “Cronos era aquele que comia seus próprios filhos”.  Mas, segundo Malthus, para que a humanidade desenvolva uma Natureza humanamente produzida (agropecuária) também é preciso controlar a população, impedir que ela cresça e favorecer que ela decresça, porque o crescimento da população que consome é maior do que o da produtividade da Natureza trabalhada. Equivale a dizer que tem mais gente consumindo do que produzindo ou que o crescimento da população humana é maior do que o crescimento dos recursos naturais.


Mas, quem vem antes, a Natureza (Deus) ou a humanidade? Se é a Natureza (Deus), como tudo parece indicar que seja, então a falha, trazida pela humanidade com sua capacidade populacional de crescer mais às custas do decréscimo da produtividade da Natureza, é uma falha produzida pela Natureza (Deus) ou originada da Natureza (Deus). Nesse caso, o trabalho, desenvolvido pela humanidade para suprir essa falha originada pela Natureza (Deus) que criou a humanidade, ainda que seja humano é naturalmente humano, ou seja, é uma força da Natureza (Deus), logo, é parte do desenvolvimento da própria Natureza ou é propriedade da Natureza. Sendo assim a Natureza precisa que a humanidade desenvolva o trabalho para que a própria Natureza se desenvolva, ou seja, ela precisa que a humanidade se desenvolva como Natureza trabalhada para que ela própria Natureza se revele naturalmente humana. Então, deve ser o seguinte. A humanidade por meio do trabalho que faz e desenvolve a ciência (da árvore) do bem e do mal, do prazer e da dor, do pacto de não prejudicar nem ser prejudicado vai chegar a fazer e desenvolver a ciência (da árvore) da vida, do íntimo da Natureza, da essência da liberdade. A suposição é que pelo desenvolvimento do trabalho a humanidade saia do mundo da luta com a necessidade e alcance o mundo do saber/sabor(ear) da liberdade.



Ou seja, a humanidade está obrigada a lutar com a necessidade e a desenvolver o trabalho de tal forma que ela poderá vir a suprir suas necessidades e, assim, a suprimir o mundo e a luta com a necessidade, quer dizer, suprimir o trabalho com a ciência da vida, com a tecnologia e a educação, com a fruição-saber natural e vital do mundo da liberdade.



Nenhum comentário: