domingo, 28 de junho de 2015

Materialismo e continuidade histórica




Hegel fez da história a história do desenvolvimento do espírito e ao chegar ao saber absoluto chegou ao espírito absoluto e ao fim da história. Os discípulos de Hegel se encontraram dentro dum sistema que não tinha mais espírito, saber nem história a desenvolver, mas eles não eram o mestre do sistema e sim os discípulos do sistema, ou seja, não tinham desenvolvido o sistema e já o adotaram depois de ter sido desenvolvido por Hegel. Eles se perceberam na mesma situação pela qual passa a consciência de si dentro do sistema de Hegel que é a da dialética do senhor e do servo ou do mestre e do discípulo. Nessa dialética o senhor começa tendo poder de vida e de morte sobre o servo porque o servo para preservar ou por temer perder sua vida se submeteu ao senhor e passou a trabalhar para o senhor produzindo o que o senhor necessitasse. O servo com o desenvolvimento da produção para a satisfação das necessidades do senhor percebe que possui o poder de satisfazer ou não as necessidades vitais do senhor e é com este novo poder que ele vai se libertar do senhor.


Os discípulos se perceberam na mesma situação da consciência de si. Então se submeteram ao mestre que tinha alcançado o desenvolvimento do espírito absoluto e do saber absoluto, logo, que tinha chegado ao fim da história por temerem perder suas vidas sem terem desenvolvido seus espíritos, seus saberes e suas histórias escolheram então trabalhar para o senhor absoluto do espírito, do saber e da história. E foi aí que perceberam que desenvolveram um poder ao produzir os materiais destinados à satisfação das necessidades vitais do sistema do mestre absoluto e/ou do idealismo absoluto. E a partir daí perceberam que podiam vir a desenvolver seus espíritos, seus saberes e suas histórias desenvolvendo a sua maestria sobre os materiais e desenvolvendo a produção material que satisfaz, sustenta e realiza o sistema do idealismo absoluto do mestre. Ou seja, perceberam que podiam se libertar do sistema do idealismo absoluto ao desenvolverem a produção material, ao desenvolverem o sistema do materialismo.



Os discípulos hegelianos que se voltaram para o materialismo se voltaram para o desenvolvimento material de suas subjetividades e não mais apenas para o desenvolvimento espiritual das suas subjetividades porque viram nesse desenvolvimento material de suas subjetividades a forma de desenvolver e usufruir de seus espíritos, de seus saberes e de suas histórias. Enfim, viram que poderiam desenvolver seus espíritos, seus saberes e suas histórias se se fixassem no desenvolvimento do materialismo, quer dizer, se entregassem ao desenvolvimento do ser material, do saber material e da história material.



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