Hegel fez da história a história do desenvolvimento do
espírito e ao chegar ao saber absoluto chegou ao espírito absoluto e ao fim da
história. Os discípulos de Hegel se encontraram dentro dum sistema que não
tinha mais espírito, saber nem história a desenvolver, mas eles não eram o
mestre do sistema e sim os discípulos do sistema, ou seja, não tinham
desenvolvido o sistema e já o adotaram depois de ter sido desenvolvido por
Hegel. Eles se perceberam na mesma situação pela qual passa a consciência de si
dentro do sistema de Hegel que é a da dialética do senhor e do servo ou do
mestre e do discípulo. Nessa dialética o senhor começa tendo poder de vida e de
morte sobre o servo porque o servo para preservar ou por temer perder sua vida
se submeteu ao senhor e passou a trabalhar para o senhor produzindo o que o
senhor necessitasse. O servo com o desenvolvimento da produção para a
satisfação das necessidades do senhor percebe que possui o poder de satisfazer
ou não as necessidades vitais do senhor e é com este novo poder que ele vai se
libertar do senhor.
Os discípulos se perceberam na mesma situação da consciência
de si. Então se submeteram ao mestre que tinha alcançado o desenvolvimento do
espírito absoluto e do saber absoluto, logo, que tinha chegado ao fim da
história por temerem perder suas vidas sem terem desenvolvido seus espíritos,
seus saberes e suas histórias escolheram então trabalhar para o senhor absoluto
do espírito, do saber e da história. E foi aí que perceberam que desenvolveram
um poder ao produzir os materiais destinados à satisfação das necessidades
vitais do sistema do mestre absoluto e/ou do idealismo absoluto. E a partir daí
perceberam que podiam vir a desenvolver seus espíritos, seus saberes e suas
histórias desenvolvendo a sua maestria sobre os materiais e desenvolvendo a
produção material que satisfaz, sustenta e realiza o sistema do idealismo
absoluto do mestre. Ou seja, perceberam que podiam se libertar do sistema do
idealismo absoluto ao desenvolverem a produção material, ao desenvolverem o
sistema do materialismo.
Os discípulos hegelianos que se voltaram para o materialismo
se voltaram para o desenvolvimento material de suas subjetividades e não mais
apenas para o desenvolvimento espiritual das suas subjetividades porque viram
nesse desenvolvimento material de suas subjetividades a forma de desenvolver e
usufruir de seus espíritos, de seus saberes e de suas histórias. Enfim, viram
que poderiam desenvolver seus espíritos, seus saberes e suas histórias se se
fixassem no desenvolvimento do materialismo, quer dizer, se entregassem ao
desenvolvimento do ser material, do saber material e da história material.
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