Com Kant o conhecimento se dá por meio de condições de
possibilidade que implicam só ser possível o conhecimento dos fenômenos por
meio das formas a priori da
sensibilidade, o espaço e o tempo. Já o conhecimento das coisas em si ou dos
númenos é impossível por se situarem fora do espaço e do tempo, quer dizer, das
formas a priori da sensibilidade e
dos fenômenos.
Hegel parte das condições de possibilidade do conhecimento
estabelecidas por Kant, ou seja, coloca seu foco no conhecimento dos fenômenos
por meio das formas a priori da
sensibilidade, o espaço e o tempo. A novidade é que nesse caminho do
conhecimento fenomenológico por meio das formas a priori da sensibilidade, o espaço e o tempo, ele vai se
aprofundando no conhecimento das formas a
priori da sensibilidade, do espaço e do tempo, de um modo que vai trazendo
à tona cada vez mais profundamente a interioridade das formas a priori da sensibilidade e/ou do espaço
e do tempo que vão se configurando como espírito, como sucessivas formas do
espírito, sucessivos espíritos de espaços e tempos diferentes ou de épocas
diferentes ou fenômenos diferenciados. E Hegel afirma conseguir um conhecimento
completo dessas formas espirituais sucessivas, quer dizer, afirma alcançar um
conhecimento absoluto do espírito por conseguir chegar ao conhecimento do
espírito absoluto, ou seja, afirma chegar ao conhecimento do númeno, nesse
caso, o espírito absoluto, por meio do conhecimento do fenômeno acessível pelas
formas a priori da sensibilidade, o
espaço e o tempo, de modo que o além do espaço e do tempo ou o fim da história
é acessível e alcançado pela fenomenologia de Hegel.
A coisa em si incognoscível de Kant se situa fora do espaço
e do tempo os quais, por sua vez, a encobrem e impedem o acesso à coisa em si.
A coisa em si cognoscível de Hegel se situa além do espaço e do tempo, os
quais, por sua vez, são vias de desvelamento e acesso à coisa em si, a este
além do espaço e do tempo.
Kant parece não conseguir chegar à matéria em si, à coisa em
si material sob as formas
a priori do
espaço e do tempo. Hegel parece respeitar este mesmo limite de Kant, mas, na
verdade, porque ele consegue chegar à ideia em si, à coisa em si ideal além das
formas
a priori do espaço e do tempo, ele parece negar à coisa em si material
suposta por Kant, quer dizer, uma coisa material sob as formas do espaço e do
tempo por afirmar sim uma coisa ideal além das formas do espaço e do tempo.
Então Kant parece afirmar uma matéria em si fora do tempo e do espaço e Hegel
parece negar uma matéria em si fora do tempo e do espaço por parecer afirmar
uma ideia em si além do espaço e do tempo. Kant parece estar preso no espaço e
no tempo e estar interdito de acessar a matéria ou coisa em si. Hegel parece
estar preso no espaço e no tempo mas livre para acessar a ideia ou coisa em si.
Kant tem ou pode fazer uma ideia da liberdade da matéria ou coisa em si mas
essa ideia da liberdade na prática é prisioneira das condições do espaço e do
tempo, quer dizer, essa ideia da liberdade na prática é a materialização do
dever. Hegel tem acesso ou pode acessar a ideia da liberdade ou da coisa em si
como prática do espírito no espaço e no tempo, ou seja, essa ideia da liberdade
é a prática do espírito da liberdade, melhor, essa ideia da liberdade na
prática é o espírito da liberdade concretizando a liberdade. Mas, o espírito da
liberdade que concretiza a prática da liberdade é aquele que aparece no fim da
fenomenologia, no fim do espaço e do tempo, no fim da história objetiva ou
fenomênica, logo, é aquele que aparece no voo ou libertação do espírito na
história subjetiva, no espaço e no tempo subjetivos, no fenômeno numênico ou na
coisa em si fenomenal. Por isso que os discípulos de Hegel vão se voltar para a
prática e para a realização da filosofia hegeliana na prática, por isso que os
jovens hegelianos vão querer a materialização do espírito livre, por isso que
os jovens hegelianos, como Feuerbach e Marx, vão querer o materialismo da
filosofia hegeliana, o materialismo da história e/ou da dialética como começo
da prática da liberdade, por isso que eles vão querer o materialismo ou a
materialização prática da liberdade e não mais o idealismo ou a
espiritualização prática da liberdade. De certa forma todos eles retornam a
Kant que acreditava numa matéria em si que permanecia fora de espaço e do
tempo, mas eles agora querem esta matéria em si, negada por Hegel e de acesso
interdito em Kant, porque querem o conhecimento da coisa material em si que se
encontra dentro do espaço e do tempo, ou seja, consideram que é a matéria mesma
que se encontra no espaço e no tempo, logo, que eles são as formas da sensibilidade da
própria matéria de modo que o conhecimento é relativo, melhor, histórico,
dialético porque depende das relações dos humanos com a natureza e entre si.
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