quarta-feira, 25 de março de 2015

Pra quê serve a história?!




A atual crise da União Européia tendo por protagonistas a Alemanha e a Grécia, que corre o risco de sair da "Europa", lembra o que já ocorreu com o Império Romano que se dividiu em do Ocidente e do Oriente, sendo que o chamado berço da cultura dita Ocidental, a Grécia, ficou no Império Romano do Oriente, aliás, por isso também que o Cristianismo no Ocidente ficou sendo da Igreja Católica Apostólica Romana e no Oriente ficou sendo da Igreja Ortodoxa Grega.


Que sentido tem a criação da União Européia? Primeiro, seria a primeira efetivação do modelo das Nações Unidas, já que a URSS ficou sendo muito mais uma espécie de continuidade do Império Russo do que a introdução inovadora dum modelo como o das Nações Unidas.


Precisa de migrantes? Com certeza, ainda que a UE já tenha fechado a maioria das possibilidades de aquisição de dupla nacionalidade pelos estrangeiros descendentes de europeus. Que sentido faz o esforço da UE de se expandir pela Eurásia admitindo a entrada, por exemplo, da Ucrânia, ao mesmo tempo que ameaça de desligar e expulsar precisamente a Grécia que culturalmente representa a origem da cultura européia?


O Cristianismo com o qual o Ocidente atualmente conta o tempo da história nasceu no Oriente Médio, o qual, na atualidade é a principal fonte dos conflitos que permanecem dividindo o mundo em dois, especialmente, em Oriente e Ocidente. O berço do Cristianismo, a Palestina, está dividido em três religiões, a Judaica, a Cristã e a Islâmica. Sendo que os judeus conquistaram o Estado de Israel nas terras da Palestina no período de saída dos ocupantes britânicos. O que, para os palestinos, teve a significação duma substituição das forças de ocupação e, por isso, eles queriam o seu Estado original e não reconheceram o Estado de Israel. Com o passar do tempo e com os sofrimentos da Ocupação parte significativa dos palestinos aceitaram reconhecer o Estado de Israel, desde que Israel reconheça o Estado da Palestina. Israel, no entanto, teria feito de tudo para não reconhecer o Estado da Palestina, inclusive, fomentando o crescimento dos palestino contrários ao reconhecimento do Estado de Israel. E, se os palestinos, dispostos a reconhecer Israel desde que este reconheça a Palestina, são basicamente uma nacionalidade e, por isso, laicos, já os palestinos dispostos a expulsar Israel são basicamente uma religião e, por isso, teocráticos. Ora, é precisamente o islamismo teocrático e fundamentalista que se espalhou por todo o Oriente Médio e, além dele, pelo mundo, pondo em risco todos os esforços do Ocidente Cristão de universalização das Nações Unidas.


O nazismo queria iniciar uma nova periodização da história com uma nova contagem da história de modo que o mundo não seria mais contado Depois de Cristo e sim Depois do Terceiro Reich. Os fundamentalistas islâmicos, fomentados como inimigos, inicialmente por Israel, dão apoio aos revisionistas nazistas que afirmam que não existiu o Holocausto durante a Segunda Guerra e, além disso, também se mostram dispostos a dar origem a uma nova contagem da história que, para uns, seria Depois do Novo Califado e para outros, Depois do Novo Islã dos Imãs.


Ora, se as Primaveras Árabes, as Revoluções Coloridas, o movimento dos Indignados, do Podemos e, aí, é preciso incluir o do Syriza da Grécia, são todos processos que favorecem a democracia, os direitos humanos, o laicismo, enfim, a expansão do modelo das Nações Unidas, então não faz o menor sentido a Alemanha e o status quo da UE ameaçar a Grécia de expulsão bem como não faz o menor sentido os EUA continuarem apoiando Israel que simplesmente se recusa a reconhecer o laico Estado da Palestina.


Pra quê serve a história? Para acharmos que ela apenas se repete e é eterno retorno ou para acharmos que ela se repete como farsa e é continuidade progressiva?!

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