quinta-feira, 5 de março de 2015
Eterno retorno da exploração humana ou vir a ser da história sem exploração humana?
Dizem que tipos é coisa de Max Weber, nunca de Marx, mas não é o que percebo. Lá nos textos econômicos da maturidade ele diz que a sociedade que ele analisa, a capitalista, é composta de três tipos, ele diz, de três classes - as quais, aliás, são três tipos de propriedade - que são a dos proprietários fundiários, a dos proprietários de meios de produção (instrumentos de trabalho) e a classe dos proprietários de suas próprias forças humanas de trabalho. Ora, na sua análise filosófica [da juventude] ele parte dos três tipos de consciência de si (estoica, cética e epicurista) do momento filosófico considerado como o do surgimento da consciência de si, o qual, se caracteriza por ser um período que sucede uma filosofia da totalidade, na antiga Grécia, são os sucessores de Aristóteles e, na Alemanha de Marx, são os sucessores de Hegel, logo, o próprio Marx se insere aí num dos tipos de consciência de si sucessora da filosofia total ou absoluta de Hegel. E tais tipos de consciência de si se caracterizam pelo tipo de posição filosófica que assumem: a da universalidade, a da particularidade e a da singularidade. A universalidade do saber-poder total ou absoluto da Natureza é a posição assumida por um dos tipos de consciência de si, o estoico, e também é a posição assumida pelo proprietário fundiário - Deus ou o divino costuma ser cultivado por esta posição. A particularidade do saber-poder positivo dos instrumentos de trabalho é a posição assumida pelo tipo cético de consciência de si e também pelos proprietários capitalistas ou dos meios de produção - o sobrenatural, o sobre-humano ou o super-homem costuma ser cultivado por esta posição . A singularidade do saber-poder filosófico das forças humanas de trabalho é a posição assumida pelos epicuristas e também pelos proprietários proletários ou de suas próprias forças humanas de trabalho - o natural, o humano ou a humanidade costuma ser cultivado por esta posição.
Outra coisa muito importante que Marx diz dos estoicos, céticos e epicuristas é que eles são as formas pelas quais a filosofia grega migra para Roma e também são as formas filosóficas que adquirem direito pleno de cidadania na modernidade e contemporaneidade europeias. E, nos diz ainda Marx, o que é surpreendente no ciclo das filosofias estoica, cética e epicurista é que foram buscar seus princípios não nas ricas filosofias da totalidade, como a de Platão e Aristóteles, mas sim em filosofias anteriores mais simplistas, quer dizer, nas filosofias da Natureza pré-socráticas e nos próprios socráticos - ainda que não em Platão que, apesar de se dizer um seguidor de Sócrates, ao que tudo indica, é visto como um pós-socrático por estas filosofias. - Aqui se pode apontar dois pontos em comum com Nietzsche que são: o voltar-se para os pré-socráticos e o afirmar o eterno retorno (sendo que o próprio eterno retorno é um tema filosófico original dos estoicos) das subjetividades ou dos tipos dessas filosofias.
A história até agora confirma o fim da história objetiva de Hegel com a continuidade da história subjetiva dos três tipos filosóficos destacados por Marx e/ou com o eterno retorno dos mesmos destacados por Nietzsche. Porém, o problema é que, até agora, a história subjetiva não foi além com sua potência subjetiva (os proprietários de suas próprias forças humanas de trabalho ou os epicuristas) do contexto de eterno retorno (dos proprietários de objetos naturais e/ou de trabalho ou dos estoicos e céticos ou dos remanescentes) do fim da história objetiva ou não foi além, à maneira de Nietzsche, com sua vontade de potência ou de poder do eterno retorno do vir a ser e a não-ser ou da criatividade e do niilismo [vir a ser e a não-ser corresponde a átomos e vazio e é curioso que o notável para Marx é que Demócrito permanece com os átomos e o vazio enquanto que Epicuro simplesmente suprime os átomos e o vazio na singularidade exclusiva ou absoluta da consciência de si humana, quer dizer, da subjetividade, da energia ou força humana]. Eterno retorno e fim da história objetiva ainda são a história que se repete e continua, mas e a ruptura feita pela continuação exclusiva da história subjetiva ou pelo fim da história objetiva e passagem irreversível para a história subjetiva que, segundo Marx, se faz com a comuna ou associação dos proprietários de suas próprias forças humanas de trabalho e que, segundo Nietzsche, se faz com o advento do super-homem? Sendo que a comuna, por associar todos nela mesma, não permite o retorno do fim da história objetiva, quer dizer, dos proprietários de objetos, enquanto que o super-homem, por se dissociar do homem e usá-lo constantemente como ponte para o super-homem, precisa recorrer ao contínuo sacrifício e retorno do homem e, portanto, precisa do retorno do proprietário do objeto, mesmo que tal objeto seja a natureza humana. Marx diz que é possível acabar com a exploração do homem pelo homem e Nietzsche diz que com o super-homem continua a exploração do homem não mais pelo homem, mas sim pelo super-homem.
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