quarta-feira, 18 de março de 2015
Ciência da experiência da consciência
Oi!
Tudo bem?
Quando a gente lê o primeiro capítulo da Fenomenologia do Espírito de Hegel a gente aprende que a linguagem só tem espaço para o universal, para a universalidade e que ela interdita todo e qualquer espaço e tempo para o singular, para a singularidade.
Quando dizemos eu, mesmo que apenas um de nós diga eu, o eu é sempre de cada um de nós, melhor, de qualquer um de nós, ou seja, não conseguimos dizer a singularidade e sim só o universal. O mesmo vale para qualquer coisa, melhor, qualquer palavra, como noite, dia, casa, árvore, este, esta, isto.
Aquilo que eu quando tinha uns 14 anos questionava na astrologia quando diziam fazer meu mapa astral é o mesmo que Hegel nos ensina, só que de maneira mais ampla. Eu dizia que naquela hora daquele dia daquele mês daquele ano e naquele lugar eu não era o único a ter nascido e, portanto, que outros tinham um mapa igual ao meu e, assim, não havia nada no mapa que não fosse da ordem da estatística, da ordem da quantidade, exceto, é claro, se todos os nascidos comigo fossem idênticos a mim ou, pelo menos, tivessem um comportamento tão idêntico que mais se assemelhariam a robôs produzidos em série do que a pessoas nascidas em série (a série de nascidos num mesmo espaço-tempo).
Por mais que nos comuniquemos tudo que comunicamos é universal porque a linguagem só nos dá acesso ao universal e nos interdita o acesso ao singular.
É possível outro ou algum acesso ao singular? A pergunta faz sentido e é ela que continua presente no segundo capítulo. Mas, ler o primeiro capítulo já é um grande feito dada a dificuldade que sentimos.
Já fiz a experiência de ler os 3 primeiros capítulos e em todos eu vivenciei o "eterno retorno", ou seja, ler e reler e assim por diante num círculo sem fim. E a cada vez ficava mais convencido de só ter lido, no sentido de compreendido por completo, o primeiro capítulo, ainda que mesmo aí ficasse em dúvida. A outra experiência concomitante com a do "eterno retorno" é a do "inconsciente", ou seja, descobrimos que não temos consciência da linguagem que usamos e que através dela deixamos as provas, os indícios, as manifestações da nossa inconsciência, do nosso inconsciente.
Resolvi ler o primeiro capítulo copiando o que foi escrito em português, espanhol e francês para ver se me colocando na posição de copista apreendo melhor e por completo o assunto, quer dizer, para ver se me torno um escolástico - os primeiros filósofos "medievais" após o período dos meros copistas -. De todo modo, algo muito importante me parece presente na leitura da Fenomenologia do Espírito de Hegel que é seu subtítulo: A Ciência da Experiência da Consciência. A qual me parece ser a experiência da história universal da filosofia. Depois dos copistas e escolásticos surgem os filósofos que fazem o método científico, melhor, que fazem da experiência um método, logo, tudo indica que a continuidade da leitura da Fenomenologia de Hegel vai nos fazer experienciar conscientemente os filósofos e as filosofias que fazem da experiência um método da consciência.
Espero conseguir ler, continuar a ler. E compreendendo. Caso contrário, não vale a pena.
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